segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Fim do shutdown


Mais um lendário “shutdown” chegou ao fim nos Estados Unidos. Uma extensão provisória do orçamento norte-americano foi rejeitada pelo Congresso na última sexta-feira, forçando a paralisação automática e parcial de algumas atividades públicas desde a 0h de sábado por falta de verba. Em nenhum momento houve ameaça à interrupção no pagamento da dívida.

Pressionado pelas bases parlamentares de ambos os lados, líderes democratas e republicanos conseguiram alcançar um consenso, como de costume, para que o governo norte-americano volte a funcionar, principalmente para evitar propagação de imagem negativa. As visitas à Estátua da Liberdade, por exemplo, principal cartão postal dos Estados Unidos, foram interrompidas momentaneamente em função da falta de acordo no Congresso para o orçamento.

O Senado aprovou na tarde desta segunda-feira uma lei de financiamento provisória que permitirá reabertura de parte das atividades públicas que estavam paralisadas. O projeto, aprovado por ampla maioria (81 votos a favor e 18 contra), garante funcionamento pleno do governo até o dia 08 de fevereiro.

O prazo pode ser curto, mas é perfeitamente factível, já que a discussão sobre a lei de imigração ainda precisa de mais alguns dias para ser finalizada. Os republicanos querem mais recursos para as forças armadas e construção do muro na fronteira com o México. Entretanto, os democratas só aceitam aprovar o orçamento se for incluída uma solução para os “dreamers” (jovens que entraram ilegalmente nos Estados Unidos quando eram crianças).

Trump revogou o programa Daca da administração Obama, que permitia residência temporária aos dreamers. Porém, na semana passada a justiça norte-americana suspendeu a decisão de Trump, não somente aumentando o impasse, mas fazendo com que a discussão chegasse ao Congresso de forma polêmica.

FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou relatório nesta segunda-feira revisando para cima sua projeção de crescimento para os Estados Unidos em 2018 e 2019, muito em função da ampla reforma tributária aprovada no fim do ano passado pelo Congresso.

O documento, intitulado Perspectiva Econômica Global, mostrou que os cortes de impostos devem impulsionar o investimento, fazendo com que o PIB (Protudo Interno Bruto) alcance robustos 2,7% em 2018, contra perspectiva anterior de 2,3%. Em 2019, a expectativa do FMI é de PIB um pouco menor, mais ainda robusto, aos 2,5%.

O impacto de curto/médio prazo na aceleração do crescimento norte-americano tende a beneficiar diversos parceiros comerciais e puxar o PIB global para 3,9% em 2018 e 2019, 0,2 p.p. superior à estimativa anterior.

Os possíveis efeitos colaterais negativos apontados pelo relatório estão relacionados à ampliação do déficit em conta corrente dos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e impacto nos fluxos de investimentos globais. Assim como as projeções de outras instituições, incluindo o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), a inflação não surgiu como problema potencial no relatório do FMI.

O FMI também espera recuperação mais firme no PIB do Brasil neste ano e no próximo. A expectativa subiu de crescimento de 1,5% para 1,9% em 2018 e de 2% para 2,1% em 2019, influenciado, principalmente, pelas condições favoráveis do mercado de commodities. O índice CRB Jefferies Reuters (um dos principais índices de preço do mercado de commodity) segue colado na máxima dos últimos dois anos, trabalhando movimento de recuperação.


China

Os estoques de minério de ferro alcançaram nível recorde nos portos da China, ultrapassando mais de 150 milhões de toneladas. Para se ter uma ideia, com esta a quantidade de minério é possível produzir 107 milhões de carros, o suficiente para alcançar a lua se os automóveis fossem todos empilhados uns sobre os outros.

O aumento do estoque nos portos é reflexo da queda de produção de aço de pior qualidade na China, um esforço do governo para diminuir a poluição, o que por outro lado impulsionou a demanda por commodity de melhor qualidade, como a vendida por Brasil e Austrália. Entretanto, traders da commodity relatam que os estoques em níveis recorde podem, em algum momento, assustar os operadores, forçando uma desova à venda mais barata, afetando o preço do minério de ferro.

Grécia

Os ministros de Finanças da zona do euro aprovaram nesta segunda-feira mais um pacote de ajuda adicional à Grécia no valor de 6,7 bilhões de euros, para que o país se mantenha solvente, atualmente sem condições de voltar totalmente ao mercado para se financiar.

O novo pagamento foi aprovado porque a Grécia conseguiu cumprir várias demandas de líderes da zona do euro (especialmente da Alemanha), com a implementação de uma ampla agenda de reformas estruturais impopulares.  Este é o terceiro programa de resgate à Grécia, iniciado em 2015, envolvendo um montante total de 86 bilhões de euros.

Com uma dívida impagável de 180% do PIB, porém com as reformas implementadas, o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, já começa sinalizar que a zona do euro poderá, no futuro, iniciar discussão sobre o alívio na dívida grega, no qual os alemães ainda são amplamente contra.

Mercado

Pouco se importando com o shutdown ou qualquer outro evento negativo, o mercado de capitais segue eufórico e comprador de risco, mesmo a curtíssimo prazo, onde a sobrecompra está mais gritante. S&P500 rasgou nova máxima com candle de força relevante, atingindo 2.832 pontos. Dow Jones fechou aos 26.214 pontos e Nasdaq disparou aos 7.408 pontos, em mais um dia de recordes históricos estourados pelos três principais índices de Wall Street.

Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt colou na máxima histórica aos 13.463 pontos. Londres fechou a segunda-feira aos 7.715 pontos, também próximo do nível recorde, e Paris segue no mesmo ritmo aos 5.541 pontos.

Na Índia, a bolsa de Bombay alcançou novo recorde aos 35.798 pontos, iniciando a oitava semana consecutiva de alta. Rússia também segue em rali, superando com folga a máxima registrada em 2017, aos 1.282 pontos. México segue na máxima do ano, trabalhando movimento de recuperação após o forte tombo verificado nos últimos meses de 2017. África do Sul segue em forte rali, acumulando ganhos de 20% desde a mínima registrada em dezembro/2017.

No Brasil, o índice Bovespa fechou mais um pregão em alta, alcançando novo recorde aos 81.675 pontos, sem apresentar novidade. Destaque na agenda doméstica para a revisão do TOP 5 (grupo de economistas que mais acertam as previsões no boletim Focus) sobre a taxa Selic no final de 2018, de 6,5% para 6,63% (na mediana). Para 2019, o TOP 5 também aumentou a projeção da Selic de 8% para 8,5%. A revisão para cima passou praticamente batida pelo mercado.

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7 comentários:

  1. Pelo visto com essa grande diminuição na carga tributária dos EUA pode ser que tenhamos uma boa perspectiva econômica para os próximos 3 anos pelo menos.

    Mas não se pode tirar o olho para a questão FED e também como o deficit orçamentário dos EUA vai se comportar com essa grande diminuição da carga tributária.

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    1. Exato! São pontos fundamentais para o cenário de médio/longo prazo.

      Abs,

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  2. No último shutdown que teve jogo duro o rating da dívida soberana dos EUA foi rebaixado. Isso ainda pode causar muitos problemas no futuro. Ainda mais com o establishment contra Trump. De que lado as agências de rating estão? Não sei...

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    1. O último jogo duro ocorreu na administração Obama, em 2013. A S&P rebaixou os Estados Unidos para AA+ em 2011, citando preocupações com o déficit fiscal e o aumento do endividamento. Era um período em que o mercado prestava mais atenção aos níveis de endividamento, ainda digerindo a socialização da conta gigante proporcionada pela crise do subprime. Hoje a situação fiscal está muito pior em vários países, mas por incrível que pareça não causa nenhuma preocupação.

      Abs,

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    2. Antes da crise do subprime as agências de rating tb não estavam nem um pouco preocupadas. Piada de mal gosto essas agências de classificação de risco.

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  3. Alguém pode me explicar por que a bolsa Brasileira tem mais pontos do que a de países desenvolvidos? Não deveria ser o contrário ? (Mais capital investido por lá?) Por que países como Brasil, México e India possuem bolsas com valores altos ? Li alguma coisa que os 70 mil de 2008 não são iguais aos 70 mil de hoje por causa da inflação no período. Mas gostaria de entender se alguém souber e puder explicar.

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    1. Olá Thiago,

      A pontuação não representa nada em termos de valor. Pode ser, inclusive, splitada, ou seja, reduzir a pontuação do índice a metade, por exemplo, sem afetar em nada o desempenho.

      Abs,

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