terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fumaça na Caixa


O corriqueiro noticiário policial não dá trégua no Brasil. Mesmo com tantos escândalos de corrupção escancarados no passado, a roubalheira parece que continua sendo um vírus difícil de desgrudar de nossa economia e pelos anseios da população por um Estado grande e acolhedor

Uma auditoria independente realizada pelo escritório Pinheiro Neto, contratada pela Caixa, revelou supostas irregularidades em ao menos quatro vice-presidências do banco. São aberrações para todos os gostos: vazamento de informações privilegiadas para políticos sobre andamento de pedidos de empréstimos, negociações de cargos em estatais como moeda de troca para liberação de crédito, pedidos para atender “demandas” de políticos como forma de manutenção da vaga de vice-presidente, entre outros.

Oficialmente a autoridade monetária não comenta sobre o assunto, mas corre boato no mercado de que o Banco Central determinou o afastamento de todos os 12 vice-presidentes da Caixa por suspeitas de corrupção. O MPF (Ministério Público Federal) também defende o afastamento, mas o presidente Michel Temer decidiu suspender apenas 4 vice-presidentes por apenas 15 dias, isso porque a notícia veio à tona nesta terça-feira.

A Caixa alega que não concorda com as interpretações que vem sendo dadas às conclusões do relatório de auditoria feito pelo escritório Pinheiro Neto, elaborado a pedido do próprio banco. O pedido de afastamento foi realizado em dezembro/2017, porém o governo vinha recusando, sabe-se lá por qual motivo real, afastar os executivos. Circula no mercado informação de que Temer insistia em manter os dirigentes no banco para evitar conflitos com partidos políticos que indicaram os nomes para os cargos.

As suspeitas de irregularidades na Caixa causam preocupação por envolver a alta cúpula de uma instituição financeira de grande porte para o sistema financeiro nacional, o que merece todo o cuidado na administração do estrago na imagem possivelmente já efetuado, a fim de se evitar a criação do efeito bola de neve no sistema.

Estados Unidos

Destaque para o risco insignificante de shutdown do governo norte-americano predominante em Wall Street nesta terça-feira, primeiro pregão da semana. O Congresso precisa aprovar uma lei de gastos até essa sexta-feira, caso contrário, o governo poderá ser automaticamente paralisado em alguns setores. A mídia explora a notícia como risco de shutdown nas Treausyrs, ou seja, interrupção nos pagamentos dos títulos da dívida do Tesouro norte-americano.

O fato é mais sensacionalismo do que risco propriamente dito. O orçamento nos Estados frequentemente alcança teto de endividamento, sendo em todas as situações o Congresso conseguiu aprovar um novo orçamento, impondo um novo limite, até que este seja alcançado novamente, exigindo novas negociações. É como a roubalheira na política brasileira, algo corriqueiro e que todos sabem qual será o desfecho.

O ponto positivo criado pelo “risco” do shutdown é visível nos índices de Wall Street. S&P500, Dow Jones e Nasdaq, muito sobrecomprados, iniciaram o pregão rasgando novas máximas, até que a circulação da notícia no mercado forçou um movimento de realização de lucros, fazendo os índices encerrarem o dia em baixa.

Mesmo com a queda desta terça-feira os índices ainda continuam operando em nível de sobrecompra, mostrando haver mais espaço para realizações saudáveis, sem afetar a tendência principal de alta em prazos mais longos.

Commodities

A terça-feira também foi de pé no freio no mercado de commodities, após fortes ganhos acumulados nas últimas semanas. O minério de ferro à vista no porto de Qingdao recuou 1,15%, para 75,51 dólares a tonelada. A equipe do Braclays estima recuo do preço da commodity para cerca de 50 dólares a tonelada no segundo trimestre deste ano, influenciada pela desaceleração da economia chinesa, estoques elevados e fim da restrição de inverno.

O barril de petróleo do tipo Light recuou para 63,73 dólares nesta terça-feira, considerado por traders da commodity como movimento de realização de lucros. Em dezembro do ano passo a commodity foi negociada aos 56 dólares/barril, portanto, um forte upside de curto prazo.

O barril de petróleo do tipo Brent, negociado em Londres, encerrou o pregão mais cedo no momento em que o mercado ainda estava em clima positivo e fechou em leve alta aos 69,87 dólares. Assim como o Light, o barril do Brent acumula bom upside desde dezembro/2017, quando era negociado na faixa dos 62 dólares.

Analistas do Société Générale advertiram que os preços estão superaquecidos e devem cair dos níveis atuais. O banco projeta barril do Brent aos 62 dólares no fim de 2018. Já o Bank of America Merryl Lynch acredita que o barril do Brent deve encerrar o ano aos 64 dólares. O Goldman Sachs também abriu sua estimativa para o mercado nesta terça-feira em relatório apontando  preço médio do Brent em 62 dólares e do Light aos 57,5 dólares neste ano.

BCE

Vazou notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) não pretende alterar a promessa de continuar comprando títulos na reunião de política monetária a ser realizada na próxima semana. Segundo relatos, os membros do Comitê querem mais tempo para avaliar o cenário sobre a inflação e crescimento, em linha com o posicionamento super dovish do presidente Mario Draghi.

De qualquer forma, a orientação de política monetária deverá sofrer alterações até o segundo trimestre deste ano, já que o programa de compras mensais de ativos está em fase de redução de volume na Europa, já preparando o mercado para uma possível interrupção a médio prazo.

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3 comentários:

  1. Mas o risco do shutdown não seria por causa da DACA?

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    1. É mais um jogo político dos democratas, que no momento possuem poucas cartas na manga. Sempre se chegou a um consenso para evitar shutdown. No pior cenário, acho que o que pode ocorrer é uma paralisação em alguns setores do governo, como aconteceu na gestão Obama, mas nunca calote na dívida.

      Abs,

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    2. Porém isso pode afetar negativamente os índices do S&P?

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