quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Segura os gringos


Dow Jones a 26.115 pontos, S&P500 a 2.802 pontos, Nasdaq aos 7.298 pontos. Mais um dia de máximas históricas e números psicológicos atropelados sem piedade em Wall Street, desafiando a gravidade da sobrecompra de curto prazo. Somente neste ano, essa é a sétima vez consecutiva que os três principais índices do mercado acionário norte-americano superam simultaneamente seus respectivos recordes. Se você ligar intrigado para um broker norte-americano, ele provavelmente vai lhe responder "it’s a bull market baby".

Os rendimentos das Treasurys (títulos do tesouro norte-americano) continuam respaldando o status quo do mercado: desmonte de posições em ativos considerados seguros e busca alucinante por ativos de risco. O ritmo de desvalorização na Treasury de 10 anos continua acentuado, provocando disparada na taxa, que hoje atingiu 2,57%, recorde deste ano, já se aproximando da máxima alcançada em 2017.

O dólar contra cesta de principais moedas globais renovou nova mínima nesta quarta-feira, aos 90,31, distanciando-se, para baixo, da média móvel simples de 200 períodos semanal. Para se ter uma ideia da expressividade do movimento na moeda norte-americana, o atual patamar é inferior ao importante piso de sustentação observado em 2015, 2016 e 2017.

Se ontem havia receio quanto ao “risco” de shutdown nos Estados Unidos, hoje não mais. Em mercados bull, notícias negativas possuem impacto limitado e cada pregão pode pegar fogo da noite para o dia. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira, Wall Street ferveu com investidores abrindo novas posições compradas em ativos de risco.

O famoso Livro Bege do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), divulgado hoje ao mercado, revelou que a economia norte-americana se expandiu a um ritmo modesto a moderado entre o fim novembro até o encerramento de 2017, enquanto a massa salarial continuou a crescer, mas sem ameaçar inflação, que permanece com baixo risco de rompimento ascendente do centro da meta, mesmo a médio e longo prazo, segundo as últimas projeções da autoridade monetária.

Economia em crescimento com inflação baixa, respaldada pelas projeções do FED (que apontam para um cenário de ancoragem na meta no futuro), é música para os ouvidos de um mercado bull, que ainda aguarda os reflexos positivos sobre o crescimento do forte pacote tributário aprovado no final do ano passado.

Se nem mesmo o FED demonstra se preocupar com a possibilidade de retomada da inflação, mesmo com o impacto da aceleração do crescimento sobre uma economia que opera próxima do nível de pleno emprego, o mercado, comprado, não terá muitos motivos para discordar deste diagnóstico.

A festa continua sem nenhum receio de surpresas negativas inflacionárias no futuro. O clima muito positivo de Wall Street segue contaminando as demais praças financeiras mundiais. Está difícil fazer o controle de quantas bolsas renovaram máximas históricas num único dia, seja em mercados desenvolvidos ou em emergentes.

A maré está nitidamente alta no mercado e os investidores estão surfando a onda. Esqueça o lamaçal do quadro doméstico, possibilidade de Lula condenado, só que não, mercado irracional, etc. A questão é puro e simples fluxo de capital, principalmente por parte dos estrangeiros.

Conforme levantamento arcaico de uma planilha de excel disponível para download após uma longa trilha no estável site da BM&FBovespa, os investidores estrangeiros acumulam saldo positivo (diferença entre volume comprador e volume vendedor) de pouco mais de 4 bilhões de reais somente entre os dias 01/01/2018 a 15/01/2018.


Em outras palavras, os gringos estão enchendo a lata. Considerando o curto período de tempo, o saldo comprador é significativamente expressivo para um mercado como o nosso. Não por acaso, o Ibovespa renovou máxima histórica novamente nesta quarta-feira, alcançando 81.189 pontos.

O mercado segue comprado, em onda perfeitamente surfável, mas cabe sempre ressaltar prudência e disciplina na gestão de risco em função dos elevados níveis de sobrecompra. Realizações de lucro, quando vierem, podem chegar com força, em função do elástico esticado a curto prazo.

Europa

A Eurostat mandou mais uma música para os ouvidos de Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu). A agência de estatísticas informou que a inflação na zona do euro subiu 0,4% em dezembro sobre o mês anterior. Na comparação anual, a inflação ficou em apenas 1,4%, inferior aos 1,5% registrados em novembro.

A inflação segue muito baixa e distante do centro da meta de 2% a ser perseguida pelo BCE, aliviando a pressão de curto prazo para a autoridade monetária decidir sobre os próximos passos do seu programa de compras de ativos, em fase de redução gradual de volume.

Canadá

Quase ninguém notou, mas o BoC (Bank of Canada) se viu forçado a subir sua taxa básica de juros em 0,25 p.p. na reunião de política monetária encerrada na tarde desta quarta-feira. Em comunicado, o BoC justificou a decisão de subir o juros para 1,25% ao ano devido a aceleração da inflação rumo a meta de 2% e fortalecimento do mercado de trabalho.

Segundo a autoridade monetária canadense, a economia está operando próxima de sua capacidade total, portanto, o movimento na taxa de juros tem caráter preventivo. Ou seja, subir os juros gradualmente, antes que a inflação ultrapasse o centro da meta de 2%. Importante ressaltar que as incertezas em relação ao Nafta permitem dose de gradualismo na política de aperto monetário. Assim como outros banqueiros centrais, o BoC não está com tanta pressa para subir os juros.

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2 comentários:

  1. É isso ai, enquanto a musica estiver tocando e todos estiverem dançando todo mundo fica feliz, o grande problema vai ser quando a musica parar de tocar e as pessoas perceberem que não há cadeiras para todos.

    Mas enquanto a musica não para, que siga o baile.

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  2. Time to sell then! Quando todos estão eufóricos é hora de cair fora! O bull entrou no último estágio conforme disse Buffet ontem, o estado de euforia..todos sabem qual o próximo estágio!

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