sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Trump atingido por fogo e fúria


É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos, enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu, disse Donald Trump na tarde do dia 8 de agosto de 2017, em seu clube de golf em Bedminster, Nova Jersey. Essas e outras declarações polêmicas marcaram o primeiro ano de uma conturbada administração Trump.

Até então, a Casa Branca estava conseguindo contornar razoavelmente o custo político das declarações polêmicas de Donald Trump, mas o inevitável aconteceu. O lançamento do livro Fire and Fury: Inside the Trump White House (Fogo e Fúria: por dentro da Casa Branca de Trump), de Michael Wolff, nesta sexta-feira, caiu como uma bomba em Washington.

Segundo relatos da mídia, o livro expõe os bastidores da campanha e do primeiro ano da presidência de Donald Trump de forma profundamente crítica. Michael Walff é pouco conhecido fora da mídia norte-americana, mas a tentativa de advogados de Trump de impedir a publicação do livro o acabou tornando muito famoso da noite para o dia, criando uma corrida alucinante de leitores às livrarias.

O livro esgotou rapidamente, sendo o mais vendido na Amazon nesta sexta-feira. Desdenhado pelo Trump, Michael Wolff se tornou o bitcoin do mercado editorial norte-americano. Wolff colabora com o jornal USA Today, já publicou outras obras polêmicas, como por exemplo a que descreve o perfil de Rupert Murdoch, e já chegou a ser alvo de críticas de próprios jornalistas, que questionaram sua fidelidade à verdade.

Em entrevista à emissora americana NBC, Wolff afirmou que os membros da equipe de Trump o vêem como uma criança e o chamam de idiota. O autor da obra também disse que sustenta a veracidade de todo o conteúdo mesmo com alegações da Casa Branca de que o livro está cheio de falsidades. Wolff também ressaltou que 100% dos assessores de Trump tem uma opinião negativa sobre sua figura como presidente, incluindo sua filha Ivanka e seu genro, Jared Kushner.

Wolff não demonstra ser nenhum Papa da credibilidade, mas está batendo em alguém que não desfruta de nenhuma fidúcia relevante, principalmente por parte da mídia norte-americana, onde a maioria dos veículos se posicionam de forma “anti-Trump” abertamente desde a campanha eleitoral.

O desgaste parece irreversível e pode pesar nas eleições legislativas deste ano, onde o partido Democrata concentra grande esforço para recuperar o controle do Congresso. Em novembro do ano passado, os Democratas derrotaram os Republicanos nas eleições de Virginia e Nova Jersey, consideradas termômetro para a disputa mais ampla de 2018.

Na agenda econômica, os dados de emprego do mês de dezembro/2017 revelaram criação de 148 mil postos de trabalho, com a taxa de desemprego se mantendo na mínima dos últimos 17 anos (4,1%). O número veio abaixo da expectativa do mercado (criação de 190 mil vagas de trabalho), embora a renda média por hora trabalhada tenha avançado 0,3%.

A desaceleração da criação de vagas, no mesmo momento em que os salários sobem, é mais um indicativo de que a economia está operando próxima do pleno emprego. Há risco de que o pacote de 1,5 trilhões de dólares em cortes de impostos possa superaquecer a economia norte-americana.

China

Pouco destacado pela mídia, o Ministério do Comércio da China afirmou nesta sexta-feira que limitará as exportações de petróleo, produtos refinados, aço e outros metais para a Coreia do Norte. A China está cumprindo o seu papel nas sanções aplicadas pela ONU, com forte pressão dos Estados Unidos.

Na sequência, foi anunciado acordo para a Coreia do Norte iniciar conversas oficiais com a vizinha do Sul já na próxima semana, numa primeira sinalização de vitória diplomática, o que não deixa de ser um bônus para a administração Trump, mas que acabou sendo atropelado pela publicação da obra Fogo e Fúria.

Zona do euro

A Eurostat (agência de estatísticas da Europa) informou nesta sexta-feira que a inflação na zona do euro desacelerou de 1,5% em novembro para 1,4% em dezembro, sem causar surpresas no mercado, ainda muito abaixo da meta de 2% a ser perseguida. Já o núcleo de inflação segue estável aos 1,1%, mantendo margem de folga relevante para manutenção da política monetária extremamente frouxa do BCE (Banco Central Europeu).

Brasil

Cresce a especulação no mercado de um novo corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros na reunião do Copom a ser realizada no mês de março deste ano. Para a reunião do mês de fevereiro, a expectativa de redução da taxa Selic de 7% para 6,75% está praticamente carimbada pela comunicação do Banco Central.

Um novo corte de 0,25 p.p. em março, o que se concretizado levará a taxa Selic para 6,50% ao ano, ganhou força nesta semana após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que existe a possibilidade de redução de juros sem aprovação da reforma da Previdência, desde que a inflação continue baixa e os riscos não se intensifiquem.

Joga a favor o tombo do dólar contra cesta de principais moedas globais nas últimas semanas, aproximando-se da mínima de 2017, movimento não replicado totalmente contra o real, mas suficiente para reverter a trajetória do fim de 2017.

Mercado

Mais um dia marcado por força compradora relevante nas principais praças financeiras mundiais. A taxa de juros da Treausry de 10 anos fechou a semana aos 2,47%, bem acima dos 2,05% registrados em setembro do ano passado.


O aumento no rendimento do título público norte-americano de 10 anos revela desmonte de posições nas Treasurys, com investidores buscando risco em ativos de outras classes.

Fortes candles de alta dominaram pregões em várias bolsas de valores nesta sexta-feira, tanto em economias desenvolvidas, como em economias emergentes. Ibovespa renovou nova máxima aos 79.071 pontos, mas a euforia entra em zona de atenção em função do aumento nos níveis de sobrecompra.

Em Wall Street, o S&P500 opera com IFR aos 85,27 no gráfico semanal e 78,31 no gráfico diário. A sobrecompra no semanal do S&P500 é uma constante verificada desde o fim de setembro/2017, alcançando nova máxima neste mês de janeiro.

Conte com a minha ajuda na hora de investir o seu dinheiro! Saiba mais clicando aqui.

2 comentários:

  1. E Trump segue fazendo a economia americana bombar... a esquerda americana late sem parar! O cachorrada invejosa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parece que esqueceram que o presidente representa uma instituição e não somente a figura de uma pessoa. Quanto mais cozinham Trump em banho maria, mais desgastada ficará a imagem dos Estados Unidos no mundo.

      Abs,

      Excluir