quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Caiu o outsider brasileiro


Luciano Huck está fora da corrida eleitoral deste ano. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, na tarde desta quinta-feira, para a tristeza de alguns brasileiros que não suportam mais as figuras tradicionais da classe política.

Um dos outsiders mais bem cotados no Brasil pelas pesquisas de intenção de voto tomou a decisão após o surgimento de notícias com potencial de impacto negativo sobre a sua imagem. Na semana passada, circularam reportagens sobre um financiamento de jatinho através do programa do BNDES, com juros de apenas 3% ao ano.

Em novembro do ano passado, Luciano Huck havia afirmado, através de um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, que não estava pretendendo se candidatar à presidente em 2018. Entretanto, mesmo após o artigo publicado, Huck continuou mantendo conversas e ainda recebeu apoio de figuras importantes.

Huck estava fazendo sombra ao nome de Geraldo Alckmin, que muito possivelmente será candidato à presidente pelo PSDB. Huck vinha numa forte ascensão, ocupando o mesmo espaço pretendido por Alckmin: o de um candidato mais ao centro.

Com a desistência de Huck, Geraldo Alckmin volta a ser o nome mais cotado para representar o centro. Henrique Meirelles e Rodrigo Maia também tentam se posicionar como candidatos ao centro, porém, até o momento, ambos possuem pouco potencial de passarem por cima do PSDB de Geraldo Alckmin.

Banco Central dividido

Os membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil ficaram divididos entre sinalizar um possível fim do ciclo de corte na taxa básica de juros ou manter maior grau de liberdade para a próxima reunião (o que deixaria mais nitidamente a porta aberta para novo corte na taxa Selic).

Está explicado, portanto, motivo de o comunicado ter sido emitido com dupla sinalização na semana passada. Ou seja, o Banco Central sinalizou fim do ciclo de corte na taxa básica de juros, porém não quer descartar a possibilidade (atualmente remota) de mais um corte de 0,25 p.p, o que levaria a taxa Selic para 6,50%. Do ponto de vista prático, pouca diferença faz Selic de 6,75% ou 6,50%. A questão principal é não interromper abruptamente a festa no mercado de juros futuros, onde muitos ainda estão com perspectiva de ganho (ou seja, queda na taxa) nas posições das pontas mais longas.

O mercado apreciou a divisão (só que não) do Banco Central. O contrato de juros futuros com vencimento em 2019 fechou aos 6,65%. A curva de 2020 encerrou o pregão com taxa de 7,83%, enquanto o contrato para 2021 cedeu para 8,72%. Na ponta mais longa, o contrato de juros futuros com vencimento em 2023 fechou a quinta-feira aos 9,53%.

Fluxo IIF

O IIF (Instituto de Finanças Internacionais) espera que a entrada de capital nas economias emergentes vai passar de 1,195 trilhão de dólares em 2017 para 1,255 trilhão de dólares em 2018, incluindo investimento estrangeiro direto.

A projeção sobre os fluxos é considerada relativamente otimista frente aos desafios internos e externos, porém o IIF frisou que haverá maior seletividade dos investidores aos países-alvo, bem como seus títulos e ações, o que seria o primeiro reflexo sobre a esperada redução da liquidez global. Normalmente, em ambientes de redução da liquidez, o fluxo tende a se deslocar menos em formato de bloco e ser mais seletivo.

França

Bruno Le Maire, ministro de Finanças da França, declarou hoje que seu país redobrará esforços para pagar parcela de sua dívida. Isso porque, segundo Le Maire, a médio prazo, os juros devem subir. Qualquer receita tributária acima da expectativa de 2018 deve ser usada para abater na dívida e não para cobrir gastos extras.

A França possui um endividamento de 98,1% do PIB (Produto Interno Bruto), porém, a taxa de juros de seu título de 10 anos é de apenas 1,01%, respaldada pelo BCE (Banco Central Europeu), o que permite manutenção temporária de um nível de endividamento extremamente elevado.  

O governo tem objetivo de estabilizar o endividamento ao longo desse ano em torno de 96% do PIB. Por enquanto, é apenas isso que os políticos franceses conseguem fazer. Nesse cenário, um “simples” retorno da taxa de juros do título de 10 anos para a casa dos 3% poderia empurrar a França para um quadro de insolvência.

Retomada segue firme em Wall Street

A força compradora continua dominante na semana. Dow Jones subiu 1,23%, S&P avançou 1,21% e Nasdaq valorizou 1,58%. Todos os três índices fecharam colados em máxima do dia e da semana, já fazendo aproximação com a linha central de bollinger.

O rendimento da Treasury de 10 anos fechou aos 2,90%, ainda muito colado na red line de 3% ao ano, sem sinalizar interrupção na trajetória ascendente (o que tem evitado abertura de gatilho para compra). Embora o temor tenha desaparecido nesta semana, nunca se pode descartar retorno do clima de aversão ao risco com os rendimentos ficando atrativos nas Treasurys.

Brasil

O Ibovespa já opera acima da linha central de bollinger, confirmando superação no pregão desta quinta-feira. O mercado local segue em trajetória de recuperação de preços, desde o teste sobre a linha de suporte psicológico dos 80k, contando, por enquanto, com apenas uma resistência, localizada justamente na máxima histórica (86.350 pontos).

Já o dólar contra real ainda está na briga pela média móvel simples de 200 períodos diária, importante ponto de definição para manutenção de posições de curto e médio prazo. Enquanto os preços se manterem acima da referida média, o dólar opera com maior potencial na ponta comprada. Por outro lado, abaixo da média, o dólar opera com maior potencial de ganho na ponta vendida.

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2 comentários:

  1. Muito se fala que o Dória tinha 2% antes de começar a campanha, mas pouco se diz que, quando começou, ele teve 16 minutos de 30 do horário eleitoral. A saída do Huck evita a fragmentação do centro, faz o PPS se aliar ao Alckmin, que provavelmente levará o pleito devido à maior coalizão.

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