quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Parou, mas pode continuar


O Comitê de política monetária do Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para 6,75% ao ano. A magnitude do corte veio em linha com o que estava sendo amplamente esperado pelo mercado.

O ponto de maior ansiedade para o mercado nesta reunião do Copom não era, necessariamente, o corte na taxa básica de juros, mas sim o tom do comunicado divulgado após a decisão. Havia muita divisão entre grupo de participantes, economistas e analistas que acreditavam em novo corte de 0,25 p.p. na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de março e outro grupo que acreditava na manutenção da taxa básica de juros a partir deste mês.

Não deu nem um nem outro. O Banco Central admitiu que “para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. Esta parte do comunicado poderia creditar vitória às apostas do segundo grupo (manutenção da taxa básica de juros daqui pra frente).

Porém, logo em seguida, o Banco Central afirma que: “essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização monetária moderada adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos”. Este trecho pode ter sido utilizado estrategicamente não somente para evitar algum tipo de pânico no mercado local, em momento inoportuno (vide aumento da volatilidade em Wall Street), como também para suavizar um possível tom hawkish de definição de interrupção do ciclo de afrouxamento.

O Banco Central está inclinado a interromper o ciclo de cortes, mas optou por não descartar a possibilidade de corte moderado adicional na próxima reunião (ou seja, novo corte de 0,25 p.p.), também para não antecipar uma derrota do governo na reforma da previdência. Está claro no comunicado da autoridade monetária a importância das reformas estruturantes para manutenção de uma taxa de juros estrutural mais baixa.

Conforme avaliação dos membros do Comitê, “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes”.

Além do risco relacionado à reforma da previdência, o Banco Central chancelou sua preocupação com uma (possível) reversão do cenário externo favorável observado nos últimos anos. Talvez, pelo simples fato de que desde 2016 o clima tem sido muito positivo para as praças financeiras, especialmente as de países emergentes. Uma prolongação desse ciclo muito positivo para os próximos anos é historicamente atípica, apesar de não ser impeditiva.

Índia

Decisão de política monetária também ocorreu na Índia. Nesta quarta-feira, o Banco Central da Índia decidiu manter inalterada sua taxa básica de juros aos 6% ao ano, pela terceira reunião consecutiva, mantendo uma postura menos agressiva comparado aos seus pares.


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4 comentários:

  1. FI, com a taxa Selic chegando agora aos 6,75% porque os juros mais longos estão ai ao redor dos 9%/10%? Seria um sinal de que essa queda da Selic deve ser reverter num cenário próximo?

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    1. O preço nos juros futuros da ponta longa é justificado basicamente pela gigantesca bagunça fiscal. Não há milagre que resolva um endividamento ultrapassando 80% do PIB com taxas de juros nos níveis atuais.

      Abs,

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  2. Sou leitor assíduo de seus posts, mas nunca comento. Mesmo porque não me acho em condições de comentar em razão de meu pouco conhecimento na área de finanças. Mas, permita-me uma pergunta: com as taxas de juros caindo, não seria uma boa oportunidade investir em ações, com chances de valorização das mesmas (mais do que já está acontecendo) ? Abraços.

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    1. Historicamente a correlação entre taxas de juros e mercado de ações no Brasil não sinaliza momento ideal para compra/venda. É preciso ter uma estratégia de alocação de portfólio antes da tomada de decisão de investimento envolvendo ativos de risco. Não se acomode, sempre que tiver dúvidas, sinta-se a vontade para usar este espaço. Precisando de ajuda ou demais esclarecimentos, o meu e-mail está à disposição: robson@jb3assessoria.com.br

      Abs,

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