sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uau! Em pleno downgrade, bolsa renova máxima


Melhor sinalização de soberania do mercado, impossível. Se nos meses anteriores, marcados por valorizações das ações na bolsa, comentava-se que havia esperança no mercado pela aprovação da reforma da previdência como justificativa para os preços subirem em meio ao rotineiro e desastroso cenário macro local, o que dizer agora?

A reforma da previdência foi oficialmente enterrada na mesma semana em que o Brasil sofreu mais um rebaixamento por uma importante agência de classificação de risco. Á primeira vista, o cenário parece estarrecedor, mas não para o Sr. Mercado. O Ibovespa fechou a semana renovando recorde histórico, aos 87.293 pontos. Pode ser algo surpreendente, mas perfeitamente aceitável. Não foi a primeira vez e nem será a última em que os preços parecem se deslocar contra a direção mais “óbvia” do noticiário.

É de suma importância ao investidor entender esse movimento para, assim, realizar um filtro rigoroso sobre a chuva de informações de baixa qualidade que circulam o mercado diariamente, muitas delas, inclusive, partindo de “especialistas”.

Em primeiro lugar, parece estar mais do que provado que não havia esperança alguma no mercado em relação a aprovação da reforma da previdência. Também não havia temor de impacto dos rebaixamentos na nota de classificação de risco. O fluxo comprador no mercado local é simplesmente reflexo de um mundo comprador, influenciado pelo sistema financeiro global altamente líquido, que, por sua vez, é uma "obra-prima" dos principais banqueiros centrais mundiais.

Em função da escassez de prêmios e/ou ativos com boa relação risco x retorno nas praças menos arriscadas (não somente desenvolvidas, mas também emergentes), o Brasil, que estava no fim da fila entre as diversas opções para alocações de portfólio a nível global, começou a participar da onda compradora em 2016. Neste ano, muitas praças financeiras já estavam esticadas demais e os investidores convidaram o Brasil para participar da festa.

Nós não recusamos o convite e entramos de cabeça. Tudo continua subindo no mundo, mas, por conta do atraso, nós estamos avançando com mais força. O mercado está eufórico com o Brasil e não dá a mínima para os problemas que estão se acumulando para o futuro. Grande parte do fluxo sempre buscará horizonte de curto prazo, ou no máximo médio prazo.

O mercado não demonstra preocupação com o nosso cenário de médio e longo prazo. Considerando o que tem ocorrido em outras praças financeiras, realmente, não deveria haver preocupação com o Brasil.

É de conhecimento de muitos leitores que acompanham o blog a situação atual positiva observada em várias praças desenvolvidas e emergentes há vários anos. Neste post de hoje vamos descer um pouco o nível e buscar economias menores, com graves problemas estruturais ou consideradas bem mais arriscadas, que, em tese, deveriam ser temidas pelo fluxo de capitais.

Você gosta ou investiria seu dinheiro no Vietnam? Veja então o que aconteceu com a bolsa de Ho Chi Minh desde o início de 2016. O mercado saiu de cerca de 520 pontos e atingiu 1.102 nesta sexta-feira, colado na máxima:


Tailândia não é uma terra que faz alegria somente aos turistas em busca de praias paradisíacas. A bolsa de valores local também consegue proporcionar muita satisfação ao fluxo de capital:


A Indonésia, abarrotada de problemas que vão desde os de ordem social até a corrupção, opera com a bolsa de valores em pleno rali:


Você conhece algum produto exportado pelo Cazaquistão, o maior país sem costa marítima do mundo? A bolsa de valores local opera aos 2.391 pontos, significativamente superior aos 800 pontos registrados em 2016.

  
Quando você pensa na Nigéria, qual a primeira imagem que vai à sua mente? Rali no mercado de ações local?

  
Pensou em pirâmide? Olha a bolsa do Egito:


Namíbia:


Peru:


Jamaica:


Os movimentos são tão parecidos que, depois de um certo tempo analisando várias praças, perde a graça. Não há o que comentar. Há problemas de diferentes tipos e grau de intensidade em vários cantos do planeta, mas os preços dos ativos de risco continuam subindo.

O fluxo é simplesmente comprador. Obviamente em algum momento essa euforia vai acabar, pode ser amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, ou sabe-se lá quando. Não cabe ao investidor adivinhar o futuro, até porque o custo de oportunidade pode ser alto. Essa é uma função do Sr. Mercado, soberano para “decidir” em que momento a festa vai acabar. Investidores, para alcançarem eficiência/sucesso, devem aceitar a soberania do Sr. Mercado e seguir em frente, aproveitando as oportunidades dentro do possível com suas estratégias operacionais.

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7 comentários:

  1. Belo post.
    Poderia acrescentar a venezuela... q está um caos, mas o índice IBVC tá pior q bitcoin...
    Procurei mas não encontrei.. mas houve um ano q a o ibvc superou rentabilidade acima de 3 digitos e foi numa época q não havia essa hiperinflação de hj.... rs....
    Abraço

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    1. Obrigado!
      É verdade. IBVC em 2016 era cotado a 14.588 pontos. Hoje está em 4.912.012 pontos. Bitcoin é uma "Ambev" perto do IBVC rsrs.. Não acrescentei Venezuela na análise por conta da baixíssima credibilidade e confiabilidade da bolsa de valores local.

      Abs,

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    2. Sim, obviamente nem precisa explicar pq não acrescentou a Venezuela na análise. O leitor já imagina o motivo...
      Mas apenas exemplificando a título de curiosidade, e tempo tempo para isso, claro, quem sabe não seria interessante uma análise desse país (mostrando como esse tipo de política por acabar com um país)...
      Pelo seu trabalho acredito que essa análise não seja tão relevante... mas inegável que certamente seria uma análise pra lá de "curiosa"...
      Abração

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  2. História se repete! No próximo grau de investimento a gente vende tudo!

    Ass.: IT

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    1. Acho que vai demorar muito para chegarmos no próximo grau de investimento. O endividamento está muito elevado.

      Abs,

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  3. Pelo visto se o Brasil declara moratória na dívida ai que a bolsa vai pros 200 mil pontos.

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    1. Surreal, mas no mercado não podemos duvidar de nada rs..

      Abs,

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