quarta-feira, 28 de março de 2018

O efeito da red line


Medidas protecionistas, tensões comerciais entre Estados Unidos e China, polêmica no Facebook, sell off nas ações FAANGs e techs, envenenamento de um ex-espião russo na Inglaterra e, mais recentemente, fortalecimento do PIB norte-americano. Esses são alguns dos principais motivos utilizados pela mídia especializada em mercado financeiro para justificar o clima negativo observado em várias praças financeiras mundiais.

Algumas notícias podem até não ser tão boas para o mercado de capitais, mas o noticiário visto nos últimos dias/semanas não está nada fora do comum. Fato é que a passagem de janeiro para fevereiro foi um marco no divisor de águas para o humor do mercado. Até janeiro, tudo estava indo muito bem, buy buy buy. Notícias com potencial de impacto negativo eram simplesmente irrelevantes para o mercado.

Entretanto, a partir do mês de fevereiro esse viés mudou nitidamente e as notícias com potencial de impacto negativo começaram a fazer preço no mercado. Não se observa mais aquele clima de euforia dominante presente nos últimos meses nas principais praças financeiras mundiais. Aos poucos, o otimismo foi desaparecendo. Muitos investidores comprados em ativos de risco estavam (estão) administrando lucros relevantes na mão, porém com o dedo no gatilho para liquidarem algumas posições.

O sinal veio em fevereiro. O noticiário (corporativo, macroeconômico ou geopolítico) não parece ser o principal driver para virada de mão no mercado. A razão central para o retorno do clima de aversão ao risco, após um longo período de festa, está no efeito da red line na Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano).

O mercado tem pavor das Treasurys em 3% ao ano. Nesta década, todas as ocasiões marcadas por retorno da taxa de juros do rendimento do título do tesouro norte-americano próximo deste patamar foram marcadas por aumento de volatilidade nas principais praças financeiras mundiais.

Desta vez não foi diferente. O rendimento da Treasury de 10 anos chegou aos 2,94% ao ano em meados do mês de fevereiro, sinalizando pico (ao menos de curto prazo) após uma longa trajetória ascendente na taxa.


Com a taxa atrativa no título soberano mais seguro do mundo, investidores e players de mercado começaram a fazer um movimento perfeitamente natural de realocação de portfólio: reduzir parte de posições em ativos de risco (por sinal, bem vencedoras nos últimos meses) para comprar Treasurys.

Com a curva abrindo (ascendente) o fluxo de curto prazo não costuma se posicionar comprado no título soberano. Investidores e players de mercado normalmente aguardam a sinalização de reversão na trajetória da curva para abrirem posições nos títulos da dívida soberana.

Obviamente, aqueles que arriscaram compras no escuro (sem ainda ter a sinalização de reversão na trajetória da curva), na casa de 2,90%, conseguiram um tiro certeiro. Agora, com a curva fechada (descendente), a massa entra com mais força, o que acelera o movimento comprador e provoca queda mais acentuada na taxa.

A taxa de juros da Treasury de 10 anos fechou aos 2,77% nesta quarta-feira. O fluxo comprador em Treasurys é basicamente orgiem do mercado de ações. No momento em que a força compradora passou a ser dominante nas Treasurys (revertendo a trajetória da taxa de juros), os principais índices acionários de Wall Street já estavam vendidos.

Atualmente, o movimento vendedor tem acelerado no mercado acionário, jogando o índice S&P500 novamente para teste sobre a importante média móvel simples de 200 períodos diária.

Visitas freqüentes à média de 200 períodos diária aumentam o risco de rompimento descendente, o que agravaria ainda mais o clima de aversão ao risco, além de reforçar a tendência de baixa iniciada no mês de fevereiro.

No Brasil, o índice Bovespa está muito distante da média móvel simples de 200 períodos diária, em função do forte upside verificado nos últimos meses. Ainda assim, o mercado luta pelos 84.000 pontos, a principal região de suporte de curto prazo e possivelmente último ponto de saída (stop loss) para posições compradas de curto prazo.

Aos 83.868 pontos, o mercado poderia estar sinalizando uma batalha praticamente vencida pelos ursos. Porém, o candle de fechamento desta quata-feira (martelo) não transmite ainda a necessária confiança para os ursos tomarem conta da praça e ainda impõe alguma esperança aos touros.

Importante ressaltar que a posição deste martelo (dentro de uma tendência de baixa ainda tímida) não transmite sinalização firme de reversão (tendência de baixa para tendência de alta). Normalmente, martelos costumam cravar reversões em tendências mais consolidadas, com maior durabilidade.

Independente das peculiaridades, fato é que as bolsas de valores alcançaram divisor de águas. Ou ratificam de vez um mercado firme vendedor, ou viram para compra.

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Um tiro de fuzil de 3 bi contra uma bomba de 60 bi


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na semana passada a intenção de impor 60 bilhões de dólares em tarifas sobre importações chinesas. Mais uma vez, o gesto foi encarado com grande preocupação no mundo inteiro, pois apenas reforça o cenário desafiador para o comércio global a médio e longo prazo.

Em resposta aos Estados Unidos, a China alertou que não temia uma guerra comercial, ameaçando tarifar 3 bilhões de dólares em produtos americanos, ao mesmo tempo em que avançou as conversas nos bastidores com lideres norte-americanos para resolver o impasse.

A retaliação da China veio muito desproporcional frente ao ataque dos Estados Unidos. É como revidar com um tiro de fuzil após ser bombardeado por um F22 Raptor. Normalmente retaliações ocorrem em intensidade semelhante aos ataques e/ou provocações. Por qual motivo então a China está cautelosa e buscou paz nos bastidores?

Donald Trump tem histórico de cometer alguns equívocos, mas em se tratando de relações comerciais com a China, o magnata norte-americano tem razão. O déficit comercial dos Estados Unidos com a China é de cerca de 375 bilhões de dólares.

Parte deste gigantesco déficit comercial desfavorável aos norte-americanos não se deve exclusivamente à questões de justa competição de mercado, mas sim de práticas comerciais pouco éticas adotadas pela China há vários anos que prejudicam não somente a economia norte-americana, mas várias outras economias no planeta.

Os chineses defendem o livre comercio usando megafones em reuniões e encontros de cúpula de lideranças globais, mas estão longe de praticar em casa aquilo que pregam nos discursos. Querem que o mundo esteja de portas abertas para as empresas xing-ling, mas não deixam suas portas abertas para as empresas do resto do planeta.

Todo empresário de médio e grande porte ao redor do planeta sabe como é difícil acessar o mercado chinês para vender seus produtos, principalmente se não for uma commodity. Ainda assim, quando se consegue acesso ao mercado consumidor chinês, a porteira é aberta com uma dura condição de transferência forçada de tecnologia ou mesmo roubo de propriedade intelectual.

Os norte-americanos estão engolindo a desvantagem de fazer negócio com a China há muitos anos e Donald Trump não está errado em tentar reduzir o desequilíbrio. Para se ter uma ideia dos números absurdos em favor da China, o segundo maior déficit comercial dos Estados Unidos é de cerca de 70 bilhões de dólares com o México. Ou seja, o volume do déficit comercial com a China é cinco vezes maior do que o volume do déficit comercial com o México, segundo da lista de déficit na balança comercial norte-americana.

Não por acaso Donland Trump e Steve Mnuchin, Secretário do Tesouro americano, reafirmam não temer uma guerra comercial com a China, pois realmente não há o que temer. Obviamente as duas economias seriam afetadas a curto prazo, mas a China seria completamente devastada num cenário hipotético de interrupção das relações comerciais.

Além disso, a China não pode dar ao luxo de travar guerras comerciais, pois depende fortemente de importações de commodities (principalmente alimentos) que, ao contrário do que se diz por aí, não podem ser substituídas rapidamente por outros países fornecedores. O processo excessivo de forte industrialização da China nas décadas passadas causou uma catástrofe ambiental sem precedentes, reduzindo significativamente a parcela de solo produtivo em seu território.

As commodities, portanto, são o grande Calcanhar de Aquiles da China. Sem as commodities energéticas, a China sofre um apagão terminal. Sem as commodities minerais, muitas indústrias chinesas fecham as portas. Sem as commodities agrícolas, os chineses morrem de fome. Este último, em especial, com cada vez mais chineses de classe média demandando por alimentos do mundo ocidental, a China está condenada a comprar (muita) comida para alimentar seu povo por mais algumas boas décadas.

A estratégia de encarar a China parece estar dando certo e mais países poderiam fazer o mesmo. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse nesta segunda-feira que a China e os Estados Unidos devem manter negociações e prometeu facilitar o acesso ao seu mercado às empresas norte-americanas.

O primeiro-ministro chinês afirmou ainda que a China vai começar a tratar empresas estrangeiras e locais igualmente e, também, não forçará empresas estrangeiras a transferir tecnologia. A declaração, além de reconhecer práticas desleais do passado, por enquanto não passa de uma promessa que os norte-americanos estão dispostos a pagar para ver.

O gesto da China de cautela e busca pelo diálogo acalmou o clima negativo observado nos pregões das principais praças financeiras na semana passada. S&P500 testou novamente a média móvel simples de 200 períodos diária com candle de força relevante na setaxa-feira, porém, assim como ocorrido na última ocasião em fevereiro/2018, repicou forte para cima.

No Brasil, o índice Bovespa se mantem alheio à recente retomada da volatilidade global, fechando o pregão desta segunda-feira próximo aos 85.000 pontos, congestionado no curto prazo entre o importante suporte dos 84.000 pontos e a resistência dos 88.000 pontos.

O grande destaque desta segunda-feira no mercado local está na despedida do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com uma atuação apática diante do ministério da Fazenda, incapaz de conter o crescimento do endividamento, retomar os investimentos, reverter a elevada taxa de desemprego, fazer a economia crescer e acertar as contas públicas.

Ainda não há uma data definitiva para a saída de Meirelles na Fazenda, mas já se sabe o motivo oficial: Meirelles sonha em ser presidente do Brasil. Possivelmente a piada do dia, pois as pesquisas de intenção de voto o mostram sem a menor chance de concorrer à presidência. Talvez, Meirelles esteja querendo mesmo é sair de fininho para manter sua imagem, sem correr risco de a bomba fiscal estourar em suas mãos. 

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quarta-feira, 21 de março de 2018

Selic sem fundo


O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil cortou novamente a taxa básica de juros em 0,25 p.p. na reunião encerrada na noite desta quarta-feira. O deslocamento da Selic para 6,50% ao ano era amplamente esperado pelo mercado, saciando a fome das posições carregadas a favor da curva de juros futuros.

O Banco Central não somente correspondeu com as expectativas do mercado, como também aumentou o tamanho da aposta. Para a próxima reunião a ser realizada nos dias 15 e 16 de maio, por incrível que pareça, está praticamente cravado um novo corte de 0,25 p.p., o que, se confirmado, jogará a taxa Selic para apenas 6,25% ao ano.

O movimento da autoridade monetária brasileira é simplesmente impressionante, indo totalmente contra a própria linha traçada no comunicado emitido ao mercado no mês de fevereiro (quando a Selic caiu para 6,75%), onde o Banco Central considerou que, para a próxima reunião (deste mês), “caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como adequada à interrupção do processo de flexibilização monetária”.

Houve uma guinada na comunicação, dificilmente de ser explicada pelos números ou cenário macroeconômico. Os membros do Comitê se mostram surpresos com a inflação “baixa” neste ano, apesar de não haver mais sinais de desaceleração no acumulado do IPCA dos últimos 12 meses.

O Banco Central também afirma que o cenário externo tem se mostrado favorável, mesmo com o aumento da volatilidade nas bolsas de valores, retomada ascendente dos rendimentos das Treausurys e demais títulos da dívida soberana de países desenvolvidos e emergentes e fortalecimento do dólar. Não houve qualquer menção ao recente acirramento de medidas protecionistas com potencial de impacto relevante/efeito dominó para várias economias do planeta.

No cenário interno, também não houve alteração no texto relacionado à importância das reformas estruturais para manutenção dos juros baixos, o que mostra uma bela de uma desconsideração frente à toalha jogada para a reforma da previdência, que até então não estava no script do cenário traçado no mês de fevereiro. Também não há menção à situação fiscal caótica, visivelmente a caminho de um estouro em 2019, nem sequer preocupação com o ambiente propício para polarização política.

O Banco Central quer porque quer cortar a taxa Selic. A inflação abaixo da meta dos últimos 12 meses é comemorada como se fosse algo normal/aceitável para um país duramente afetado por uma recessão atípica, muito longe de recuperar o nível de força econômica registrado no passado.

Uma recuperação capenga de 1%, acompanhada por taxa de desemprego em nível recorde, está criando inflação de 3%. Os números estão invertidos. Considerando a base super fraca (impactada pela forte recessão), a economia tinha que estar crescendo 3% e a inflação 1%. Estamos apenas recuperando parte do que perdemos e mesmo assim criamos inflação.

Parece não haver espaço/relevância dentro do Banco Central para palavras como consideração, fundamentos, perspectivas, riscos, ambiente externo. O mercado endossa a iniciativa de tapar o sol com a peneira, pois, no momento, qualquer coisa que possa atrapalhar a festa nos juros futuros está sendo desconsiderada.

Não desagrada ao Banco Central, nem muito menos ao governo, a continuação do movimento de queda nas taxas de juros futuros. Primeiramente é importante considerar que quanto menor a taxa pós-fixada e pré-fixada, menor o custo da dívida. Se o Banco Central quer forçar um recuo da taxa pré-fixada e o mercado o acompanha, o país ganha mais um tempinho de sobrevida, pois com um custo menor, certamente os políticos farão o possível para prorrogar os ajustes.

Portanto, é possível que o país esteja aproveitando o GAP de oportunidade do mercado comprador e feliz. O contrato de juros futuros com vencimento em 2024 está pagando 9,30%. Considerando Selic de 6,25%, esse contrato, caso permanecesse inalterado, estaria embutindo um prêmio gordo de 3 p.p. Isso significa que se o mercado comprar a aposta do Banco Central e o prêmio cair pela metade na ponta longa, ainda restaria uma gordura de 1,5 p.p. sobre a taxa básica de juros.

Além disso, nossa história mostra que reduções da taxa básica de juros em ano eleitoral costumam render bons frutos nos palanques. Ninguém se atreve suspeitar de qualquer movimento desta equipe atual, pois os membros são considerados “ortodoxos” e/ou pró-mercado. Mas o fato é que a diferença regimental deste do Copom para a equipe anterior, acusada de se submeter a pressões políticas é... nenhuma.

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Gráfico de pontos mostra FED mais hawkish


O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiu na tarde desta quarta-feira elevar a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros norte-americana) em 0,25 p.p., para o intervalo de 1,5% a 1,75% ao ano.

A primeira reunião de Comitê sob o comando do novo chair, Jerome Powell, foi marcada por uma divisão acirrada para o cenário sobre a FFR neste ano, além de alterações relevantes sobre a avaliação da economia, taxa de juros neutra e ritmo do processo de aperto monetário.

O quadro de projeções do FED aponta que a mediana das projeções de seus membros para a FFR ficou em 2,1% em 2018, inalterada frente à projeção realizada em dezembro do ano passado. Havia grande temor no mercado de que a mediana para a FFR de 2018 fosse alterada para cima, o que a princípio causou alívio entre investidores e players de mercado no mundo inteiro.

Apesar de mantida a mediana em 2,1% para a FFR em 2018, os membros do Comitê estão, hoje, mais divididos do que há cerca de três meses atrás. Em dezembro/2017, apenas quatro membros apostavam numa FFR maior do que a mediana:


Na reunião encerrada nesta quarta-feira, seis membros do Comitê continuam apostando numa FFR em 2,1% em 2018, porém outros seis membros estão apostando agora num patamar maior para a FFR em 2018, a 2,4%:


A divisão está nítida e não há, portanto, consenso sobre a FFR no fechamento de 2018 (círculos vermelhos no gráfico acima). Um membro mais hawkish acredita em FFR aos 2,6% e outros dois membros super-dovish circulam fora de órbita com expectativa de 1,6% para a FFR em 2018 (seta verde no gráfico acima). Por apenas um ponto/voto de diferença, justamente do membro excessivamente dovish, a mediana para a FFR em 2018 fechou aos 2,1%.

Além de mostrar que o jogo está aberto para a FFR neste ano, o gráfico de pontos mostra que mais membros estão apostando em FFR mais elevada em 2019 e 2020 (basta observar o deslocamento da pontuação entre a projeção de dezembro/2017 e a projeção de março/2018). Isso significa que o FED está mais hawkish para os próximos 2 anos, algo que há muito tempo não acontecia no mercado e ainda será digerido ao longo do tempo.

O peso mais hawkish até 2019 pode ser o primeiro reflexo da autoridade monetária em relação ao pacote tributário aprovado no final do ano passado. O Banco Central norte-americano reconhece que a perspectiva econômica se fortaleceu e segue tomando ações preventivas e moderadas (elevações graduais na FFR) ainda com a inflação sem causar ameaça de rompimento do centro da meta.

Apesar de manter uma estratégia de normalização das condições monetárias gradual, o ritmo do processo de aperto monetário não será tão lento quanto se estimava até o final do ano passado. A consequência de um processo mais intenso (ou não tão devagar) está na elevação da mediana para a taxa neutra de longo prazo, que saiu de 2,8% para 2,9% ao ano. A taxa neutra é o nível de juros em que os membros do Comitê acreditam não impulsionar e nem desacelerar a economia.

O FED também elevou sua estimativa para o crescimento de curto e médio prazo. Para 2018, a expectativa para o PIB dos Estados Unidos subiu de 2,5% para 2,7%. Para 2019, a estimativa subiu de 2,1% para 2,4%. Em 2020, a projeção ficou inalterada em 2,0%.

Acompanhando o processo de aceleração no ritmo de crescimento, a estimativa para a taxa de desemprego voltou a recuar. Para 2018, a projeção foi revista de 3,9% para 3,8%. Para 2019, a estimativa é que a taxa de desemprego recue novamente para 3,6% (inferior aos 3,9% divulgados em dezembro/2017). Em 2020, a estimativa para a taxa de desemprego recuou de 4,0% para 3,6%.

Como de costume, apesar de esperar crescimento mais forte e mercado de trabalho mais aquecido (taxa de desemprego em nível muito baixo, inclusive para padrões históricos), a expectativa para a inflação continua não saindo do lugar. 

O FED espera que a inflação alcance 1,9% em 2018, 2,0% em 2019 e 2,1% em 2020, praticamente inalterada frente à última projeção. Para o núcleo de inflação, permanece o mesmo cenário, expectativa de 1,9% em 2018, 2,1% em 2019 e 2,1% em 2020, sem causar ameaça de distanciamento do centro da meta de 2,0% a ser perseguida.

As estimativas para a inflação continuam estranhamente descasadas com as revisões para o PIB e taxa de desemprego. Jerome Powell foi confrontado sobre esse ponto em entrevista coletiva concedida à imprensa logo após a reunião de Comitê, se limitando a afirmar que as pressões de preços tem sido fracas há anos e não há razões para acreditar que isso mudará em breve.

Talvez o FED não esteja querendo promover a impressão de que a política monetária está se deslocando a um ritmo mais rápido do que o observado no passado recente e, para isso, tem segurado as projeções de inflação, apesar de estimar FFR mais elevada nos próximos anos.

Inquestionavelmente o FED está tomando uma rota mais agressiva na política monetária. As declarações são feitas com muito cuidado e os números são revistos aos poucos, sem causar muito alarde, ao mesmo tempo em que se tenta transmitir mensagem de tranquilidade com a inflação (o que pode ser um indicativo de certa tolerância em relação à meta no futuro) e que um processo mais intenso de elevações na FFR é bom por mostrar que a economia está crescendo em ritmo mais intenso.

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terça-feira, 20 de março de 2018

Não há motivo para corte adicional na taxa Selic


Existe um grande clima de ansiedade no mercado local para o comunicado do Banco Central a ser divulgado na noite desta próxima quarta-feira. O mercado aposta todas as suas fichas numa queda de 0,25 p.p. na reunião de amanhã, o que jogaria a taxa Selic para 6,50% ao ano.

Apesar de a comunicação oficial do Banco Central não ter deixado claro esse movimento, (pelo contrário, no último comunicado pode-se notar pretensão de interrupção do ciclo de afrouxamento monetário) membros do Copom (Comitê de Política Monetária) não se deram ao trabalho de desmentir/quebrar as expectativas do mercado, o que pode ser um sinal de que a taxa Selic vá mesmo cair 0,25 p.p., saciando a fome de vários players no mercado de juros futuros.

Entretanto, para a próxima reunião a ser realizada nos dias 15 e 16 de maio, o mercado aguarda por sinalizações da autoridade monetária de que um novo corte de 0,25 p.p. poderá ocorrer. Com a curva de juros futuros em trajetória descendente, sempre haverá desejo por novos cortes na taxa básica de juros. O mercado está posicionado há muito tempo a favor da curva e tem ambição por maiores ganhos. Esse ciclo só será interrompido quando o Banco Central resolver acabar com a festa. É isso que provavelmente acontecerá amanhã.

Em primeiro lugar, do ponto de vista do horizonte de longo prazo para a política monetária, não há motivo para derrubar novamente a taxa Selic para 6,25% ao ano na reunião do Copom a ser realizada no mês de maio. Talvez não exista razão nem mesmo para derrubar a Selic a 6,50% ao ano amanhã, mas o Banco Central parece que vai ouvir este último desejo do mercado.

Ao contrário da lavagem cerebral pró-desaceleração da inflação vista nas últimas semanas, os números mostram que o IPCA no acumulado de 12 meses encerrou a trajetória de desaceleração, ancorando-se pouco abaixo de 3% ao ano, mesmo com a economia operando em lenta trajetória de recuperação.

Para isso, basta comparar o IPCA acumulado de 12 meses registrado no mês de fevereiro/2018 (2,84%) contra o IPCA de 12 meses registrado em janeiro/2018 (2,85%). A desaceleração da inflação atingiu pico em agosto/2017, quando o acumulado dos últimos 12 meses naquele mês fechou aos 2,45%. Desde agosto do ano passado, a inflação no acumulado de um ano voltou acelerar, atingindo 2,80% em novembro/2017, que por sinal passou a ser o novo patamar de ancoraragem. Portanto, não é possível notar mais um movimento de desaceleração da inflação.

Em segundo lugar o câmbio não está tão perto do piso registrado no passado recente. Quando a inflação atingiu pico de desaceleração no mês de agosto/2017, o dólar rondava R$ 3,15. Hoje, o dólar está em R$ 3,30, não tão alto comparado aos R$ 3,15, mas já adicionando pressão inflacionária superior a do passado recente.

Em terceiro lugar, não houve mudanças favoráveis na evolução do cenário básico e do balanço de riscos desde a última reunião do Copom. Bom lembrar que o Banco Central afirmou em fevereiro que uma flexibilização monetária adicional poderia ocorrer em caso de mudanças na evolução do cenário básico e balanço de riscos.

Desde a última reunião do Copom realizada em fevereiro, o clima no mercado internacional ficou mais azedo (ou menos otimista do que o observado nos últimos meses), os rendimentos das Treasurys subiram, a reforma da previdência foi oficialmente enterrada, mais despesas foram criadas (vide intervenção no Rio) e não se observa empenho do Congresso para desarmar a bomba fiscal programada para estourar em 2019. 

Importante ressaltar que os brasileiros precisam eleger 2/3 de um Congresso reformista e não somente um presidente reformista. A equação é bastante simples. Alckmin sem 2/3 do Congresso = Temer. Agenda pró-reforma que não avança. Levando em consideração nosso histórico eleitoral, as perspectivas para o novo Congresso dos próximos 4 anos não são nada boas.

Em quarto lugar, nossa taxa básica de juros já está levemente abaixo da taxa praticada em nossos pares emergentes. Na África do Sul, a taxa básica de juros está em 6,75% ao ano. Na Índia reformista, a taxa básica de juros está em 6,00% ao ano.  A taxa básica de juros na Rússia está em 7,50% ao ano, no mesmo patamar da taxa de juros da economia mexicana. Na Turquia, a taxa básica de juros está em 8,00% ao ano.

Não temos tantas qualidades macroeconômicas e fundamentos fiscais para distanciarmos deste pelotão. Selic de 6,75% ao ano já pode ser considerado um jeitinho brasileiro de escapar pelas beiradas. Selic de 6,50% é praticamente um flagrante de fuga, porém o mercado tem aceitado fazer vista grossa, até porque as posições majoritárias ainda são a favor da curva.

O Banco Central pode apresentar um comunicado amanhã fechando as portas para novos cortes na taxa básica de juros. Todavia, o fato de a Selic atingir piso não significa, necessariamente, que a festa chegará ao fim no mercado de juros futuros.

Se os analistas/economistas avaliarem que o Banco Central está “jogando duro” contra a inflação pelo simples fato de não sinalizar novos cortes na taxa Selic, e, principalmente, se os gestores de fundos de tesoureiros de bancos apostarem nessa lorota, os contratos de juros futuros da ponta longa podem continuar cedendo, pois será criado um clima no mercado de Banco Central “hawkish demais”, o que em tese impediria uma inflação alta no horizonte de longo prazo para a política monetária, abrindo espaço para cortes futuros na taxa Selic.

Finalizando, apesar de claramente não haver motivo para corte adicional na taxa Selic, o mercado pode tentar insistir manter a festa nos contratos de juros futuros da ponta longa por mais algum tempo. Tudo dependerá da (nova) conversa fiada que começará surgir a partir de amanhã para sustentar as posições a favor da queda das taxas futuras. Afinal de contas, por enquanto, ninguém parece estar preocupado com o dólar, fiscal, cenário macro, etc.

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segunda-feira, 19 de março de 2018

Quanto vale o Facebook?


O valor de mercado do Facebook caiu cerca de 36 bilhões de dólares somente nesta segunda-feira, refletindo o tombo de 6,8% das ações do Facebook na bolsa de valores Nasdaq, o maior recuo diário registrado desde março de 2014.

As ações do Facebook começaram a cair quando saíram as primeiras notícias de que uma empresa de pesquisa britânica (Cambridge Analytica), ligada à campanha de Donald Trump, utilizou, em 2016, dados de usuários do Facebook sem autorização.

Através de um aplicativo, alguns usuários eram convidados a responder perguntas com objetivo de traçar seu perfil. Porém, ao aceitarem participar da pesquisa, os usuários entregavam não somente seus dados pessoais à empresa, como também os de todos os seus amigos. Pelo menos 300 mil pessoas aceitaram participar da pesquisa espontaneamente, mas com acesso aos dados dos amigos na rede, a empresa conseguiu coletar dados de mais de 50 milhões de usuários.

Neste momento, Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, enfrenta pedidos de esclarecimentos por parte de parlamentares norte-americanos e europeus para explicar como uma empresa como a Cambridge Analytica conseguiu dados de uma quantidade gigantesca de usuários, supostamente sem autorização.

Além disso, paira outra preocupação no mercado sobre as reais receitas do Facebook e o impacto que uma regulação poderia causar para empresas do segmento de tecnologia. As ações do Facebook eram negociadas a 18 dólares em 2012.


Neste ano, as ações do Facebook alcançaram 195 dólares, revelando uma valorização significativa no período. Será que os anúncios publicados na rede social geraram tanta receita para as ações se valorizarem de forma tão acentuada? Talvez o grande valor do Facebook possa estar relacionado à gigantesca base de dados de seus usuários. Com esses dados valiosos, empresas podem descobrir o que vender e/ou formular estratégias para vender mais, políticos podem montar agendas para ganhar eleições, entre outros.

O que será que vale mais no Facebook? Dados dos usuários ou anúncios? Fato é que o simples receio de que regulações mais duras para proteger dados dos usuários possam surgir por conta deste último escândalo envolvendo o Facebook fizeram as ações da companhia encerrar o pregão desta segunda-feira aos 172,56 dólares, representando um tombo de mais de 10% frente à máxima alcançada este ano. A queda é considerada relevante, mas ainda deixa as ações muito acima e distante da média dos últimos 6 anos.

FAANG

O efeito Facebook abateu em cheio no conhecido grupo de ações FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google). Todas as ações FAANG caíram forte nesta segunda-feira. Twiitter e SnapChat, que estão fora do FAANG, também despencaram.

Muitos investidores norte-americanos gostam de especular nas ações FAANG e o tombo do Facebook azedou o clima no mercado, impulsionando venda nos demais ativos, acionando stops de posições compradas de curto prazo. A especulação em FAANG é relativamente comum e fácil de entender, já que essas empresas passaram (e ainda passam) por um longo período de valorização. O próprio Zuckerberg andou vendendo alguns milhões de ações do Facebook nos últimos dias.

A queda que começou no Facebook se espalhou rapidamente pelo FAANG, Twitter, SnapChat, posteriormente foram abatidas as ações da AMD, Alibaba, Microsoft, Nvidia e até a Tesla. Nesse momento, Wall Street já estava contaminada pelo ambiente pesado desta segunda-feira e os investidores começaram a vender ações de forma generalizada.

Ao final do dia, Dow Jones caiu 1,35%, S&P500 recuou 1,,42% e Nasdaq perdeu 1,84%. O movimento vendedor afetou as demais praças financeiras mundiais, incluindo o Brasil. O Ibovespa recuou 1,15%, aos 83.913 pontos, levemente abaixo da importante linha de suporte dos 84k.

A confirmação da perda deste patamar de sustentação pode acelerar o movimento vendedor na bolsa brasileira iniciado no final do mês de fevereiro, ainda de forma tímida. Abaixo de 84k, o mercado pode ficar mais pesado para venda, provocando receio ou estopadas de posições compradas de curto prazo.

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sexta-feira, 16 de março de 2018

Players globais aceleram o passo nas reformas


Reino Unido e Estados Unidos estão provocando um reordenamento estratégico em várias economias globais antenadas às mudanças no cenário de médio e longo prazo. Antes mesmo da surpresa com o Brexit, China e Índia já estavam iniciando reformas importantes em suas respectivas economias.

Agora, com o Brexit em curso, num caminho sem volta e Donald Trump avançando em sua agenda protecionista, economias que estavam no modo stand by começam a reagir. A chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniu com o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta sexta-feira para iniciar formalmente os trabalhos de reformar a zona do euro.

Merkel venceu as eleições em setembro do ano passado, mas a formação da maioria no Parlamento demorou cerca de seis meses, reflexo do aumento do extremismo em toda a Europa. Macron venceu com facilidade as eleições na França, mas vem enfrentando dura oposição no Congresso para avançar com sua agenda de reformas. Na Itália, terceira maior economia do bloco, partidos anti-União Europeia e anti-imigração cresceram de forma significativa nas últimas eleições.

Além de buscar uma agenda para frear o crescimento do extremismo na União Europeia, França e Alemanha devem avançar em medidas de melhoria da competitividade das empresas europeias no comércio global (já que o ambiente está ficando nitidamente mais desafiador), reforçar a resistência da união monetária e melhorar a capacidade de resistir às crises financeiras.

Os alemães estão longe de aceitar um único Orçamento e ministro das Finanças para toda a zona do euro, mas estão abertos para discutir a tão necessária União Bancária e transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade em uma espécie de Fundo Monetário Europeu. Um dos objetivos é fortalecer o sistema financeiro em toda a zona do euro e impedir que os contribuintes europeus sejam obrigados a resgatar os bancos em caso de falência.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin ordenou a criação de uma força tarefa para elaborar um programa sobre as prioridades nacionais até 2024, sendo o principal objetivo incluir o país no clube das cinco maiores economias do mundo.

O decreto assinado hoje por Putin, que certamente será reeleito no próximo domingo para um novo mandato de 6 anos, é reflexo de sua principal promessa de campanha eleitoral. Para alcançar o grupo das cinco maiores economias mundiais, a Rússia tem uma meta de crescer acima da média global, investir fortemente em tecnologia e elevar o nível de vida dos cidadãos, onde atualmente 30 milhões de pessoas vivem na linha da pobreza para os padrões russos.

No Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe, que desfruta de uma supermaioria no Parlamento, avança com sua agenda de reformas, apesar de pouco comentada no cenário global. Para o ano fiscal que começa em abril de 2018, Abe já conseguiu aprovar uma ampla reforma tributária, no qual concede isenções tributárias para empresas que elevarem salários em pelo menos 3% e aumentarem os investimentos na economia local. As empresas que permitirem seus empregados estudarem em universidades para crescimento profissional também pagarão menos impostos.

Na América Latina, exemplos de reformas importantes aprovadas e/ou em andamento podem ser observadas na Argentina, Peru e Chile. No Brasil, houve uma tentativa fracassada de melhoria da situação fiscal calamitosa e pouco se discutiu sobre a quebra da muralha ao crescimento sustentado formada pelo péssimo ambiente de negócios arrastada há anos, grandes problemas que precisarão ser encarados pelo próximo presidente.

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quinta-feira, 15 de março de 2018

Latin American First


Alicia Bárcena, diretora geral da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), foi o grande destaque do Fórum Econômico Mundial para a América Latina realizado em São Paulo nesta quinta-feira. Numa alusão ao “America First”, famoso tema da campanha de Donald Trump, calçado fortemente sob uma agenda protecionista, Bárcena cobrou uma espécie de retaliação aos Estados Unidos por parte das principais economias latino-americanas.

A chefe da Cepal afirmou que os líderes da América Latina precisam acompanhar as recentes mudanças no cenário macro e mostrar ao mundo algo como um Latin American First, o que poderia ser parecido com o America First de Trump.

Ao passo em que medidas protecionistas avançam nos Estados Unidos, países duramente afetados pelas mudanças tendem adotar posturas defensivas a fim de proteger seus respectivos interesses, o que pode provocar o início de um efeito dominó contra o movimento de globalização observado nas últimas décadas.

Pelo menos por parte do Brasil, o presidente Michel Temer tem evitado sinalizar retaliações, por enquanto aventando apenas uma ameaça de levar os Estados Unidos à OMC (Organização Mundial do Comércio), o que, convenhamos, seria pouco eficaz.

Com baixa popularidade e governabilidade, pouca coisa tende a ser feita neste resto de governo Temer. Já a OMC dificilmente peitaria a maior economia do planeta, serviria mais como lenço para a nossa choradeira. Considerando o nosso histórico, também não temos tanta credibilidade para criticar o protecionismo lá fora.

Além de ter de assumir uma bomba fiscal sem precedentes em 2019, o futuro presidente terá de gerenciar o estresse no comércio internacional e suportar a pressão dos empresários brasileiros, há muitos anos, por sinal, acomodados com as proteções e regalias concedidas pelo governo.

A relação comercial do Brasil com o resto do mundo será mais um ponto chave para o clareamento do cenário macro a partir de 2019. A única certeza é que se mantermos uma política de mais do mesmo, o fracasso será inevitável. O Brasil precisa rever toda sua estratégia e renovar ideias para enfrentar mais este desafio não estava no script para os próximos longos anos.

Um Latin American First não precisa, necessariamente, adotar uma retórica protecionista perigosa como a de Trump, mas sim proteger a indústria local com inteligência através da melhoria das condições de negócio, que poderiam surgir com força através da redução da burocracia, reforma da educação, investimentos em infra-estrutura, incentivo a pesquisa e inovação, redução de privilégios, privatização de empresas estatais e encolhimento do tamanho do Estado - este último sendo a única forma eficiente para quebrar a corrupção.

Qual político/partido possui essa agenda para Brasil com real chance de vitória neste ano? Se você ficou em dúvida, certamente não é um bom sinal. Tirando sensacionalismos, jogadas políticas, Congresso mais do mesmo e “fake plans” de lado, parece difícil torcer para que um vento seja capaz de tirar as nuvens do nosso horizonte.

BCE

Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), voltou acalmar os ânimos de alguns investidores na Europa, temerosos com uma interrupção rápida (leia-se neste ano) do programa mensal de compra de ativos. Draghi argumentou que a inflação ainda não está em uma trajetória sustentável e que precisa ver mais evidências de que a dinâmica está se locomovendo na direção correta (centro da meta).

O presidente do BCE foi muito claro ao afirmar que só vai encerrar o programa de compras mensais de ativos quando enxergar ajuste sustentável na trajetória da inflação em direção à meta.

Atualmente, o volume mensal de compras de ativos por parte do BCE vem sendo reduzido aos poucos, para não criar pânico no mercado e manter o viés dovish da política monetária, num movimento muito gradual. Caso haja mudança na dinâmica inflacionária nos próximos meses (ou seja, aceleração da inflação), o BCE deve preparar o mercado para a interrupção do programa de compras de ativos alterando, primeiramente, sua orientação de evolução da política monetária (na prática, trocar expressões “leves” por mais “pesadas”).

Mercado

A resiliência do mercado brasileiro perante aos desafios macroeconômicos internos e, mais recentemente, externos, parece estar perdendo força. As medidas protecionistas de Donald Trump abalaram ligeiramente algumas praças financeiras nos últimos dias, mas no Brasil o movimento vendedor começou a ganhar força.

O Ibovespa caiu 1,30% nesta quinta-feira, perdendo a linha central de bollinger, o que enfraquece a importante região de suporte localizada aos 84k. A referida linha pode ser um divisor de águas para a tendência de mercado a curto prazo e começa deixar alguns investidores e players locais muito expostos na ponta comprada receosos.

O dólar contra real segue impulsionado na compra desde a confirmação de suporte sobre a média móvel simples de 200 períodos diária, já se aproximando da máxima do ano, principal ponto de resistência de curto prazo.

Nos contratos de juros futuros, o clima ainda é positivo, influenciado pela grande torcida a favor de mais um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, mantendo a taxa futura da ponta longa próxima da mínima do ano, enquanto as taxas da ponta curta oscilam ao redor de 6,50%, apresentando prêmio nulo mesmo sob um cenário de novo corte da taxa Selic.

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terça-feira, 13 de março de 2018

Rota livre para gradualismo do FED


Dados divulgados pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos mostraram que o índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,20% em fevereiro, uma desaceleração frente aos 0,50% registrados no mês de janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice subiu 2,2%, praticamente em linha com a meta de inflação de 2% a ser perseguida.

O núcleo de inflação (exclui itens mais voláteis como energia e alimentos), que, por sua vez, tem mais peso na avaliação do balanço de riscos para a inflação por parte do FED, também avançou 0,20% no mês de fevereiro, após registrar 0,30% de alta em janeiro. Na base anual, o núcleo de inflação se manteve estável, aos 1,8%.

O fato de o núcleo de inflação (levemente abaixo da meta) e a inflação oficial (levemente acima da meta), terem mostrado desaceleração no mês de fevereiro tira a pressão por parte do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) rever sua estratégia extremamente gradual de normalização das condições monetárias.

Entre outras palavras, ao menos por enquanto, o FED está com rota livre para manter o plano atual (elevações muito graduais na taxa básica de juros e desalavancagem financeira em ritmo de conta-gotas), o que pode reduzir a pressão observada recentemente no mercado norte-americano de juros futuros (referência Treasury de 10 anos).

O relatório de inflação do Departamento de Trabalho desta terça-feira também reforçou o viés embutido nos dados divulgados na última sexta-feira favoráveis à manutenção do status quo no FED. A renda média por hora trabalhada cresceu 2,6% na base anual em fevereiro, inferior ao aumento de 2,8% registrado em janeiro.

A desaceleração da inflação e do crescimento dos salários, em meio ao quadro de economia operando próxima do pleno emprego (taxa de desemprego em 4,11%, na mínima dos últimos 17 anos), juntamente com os primeiros efeitos do pacote tributário aprovado no final do ano passado (o que cria impulso à demanda), são surpreendentes, o que reduz os riscos de curto prazo de uma política monetária menos dovish do que o esperado.

Trump demite Tillerson

Mais uma cabeça rolou na Casa Branca. Através do Twitter, Donald Trump anunciou a demissão de Rex Tillerson, Secretário de Estado dos Estados Unidos. A cadeira será ocupada por Mike Pompeo, atual diretor da CIA. O Secretário de Estado é um dos principais cargos da Casa Branca, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos.

O presidente norte-americano não justificou sua decisão. Entretanto, Tillerson e Trump vinham divergindo em vários pontos da política externa do país e relatos de estranhamentos entres os dois eram comuns. Em outubro do ano passado, vazou na imprensa que Tillerson havia chamado Trump de idiota.

Tillerson é um conhecido player do setor de petróleo e comandava a Exxon Mobil antes de assumir o Departamento de Estado. Foi um dos grandes responsáveis por conseguir abaixar o nível de tensão com a Coreia do Norte, ofuscando os tweets mais acalorados do presidente (vide promessa de Trump de agir com fogo e fúria contra a Coreia do Norte).

Pompeo tem uma carreira bem diferente. Estudou engenharia na Academia Militar de West Point e atuou como oficial do Exército durante cinco anos. Em 2011, entrou para a política como membro da Câmara dos Deputados pelo estado do Kansas.

O novo Secretário de Estado é considerado um republicano ultraconservador, ligado ao conhecido movimento Tea Party, extremamente leal ao presidente Trump. Pompeo tem viés de atuação mais agressivo em relação à Coreia do Norte e também já defendeu romper o acordo nuclear com o Irã. Por conta disso, a nomeação de Pompeo causa certo receio no quadro geopolítico.

Previsões da OCDE

A OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) emitiu um relatório nesta terça-feira informando que o ritmo de crescimento mundial entre 2018 e 2019 será maior do que o registrado em 2017.

O crescimento mundial foi de 3,7% em 2017. Para 2018 e 2019, a projeção foi revisada para cima, a 3,9% nos dois anos, o que representa 0,2 p.p. a mais em 2018 e 0,3 p.p. a mais em 2019 em relação ao último estudo divulgado no mercado. 

Para o Brasil, a OCDE estima crescimento de 2,2% em 2018 e 2,4% em 2019. Menos pior do que o quase vexame de 2017, porém abaixo do potencial de uma economia emergente em recuperação, após violenta recessão. México deve crescer 2,5% neste ano e Argentina 3,2%.

Mercado

A substituição de Rex Tillerson por Mike Pompeo ofuscou os dados positivos da inflação nos Estados Unidos e acabou criando clima de apreensão no mercado. Os principais índices de Wall Street cederam, realizando uma pausa no forte movimento de recuperação de preços iniciado em meados do mês de fevereiro.

No Brasil, o índice Bovespa também cedeu, mas ainda segue operando acima da linha central de bollinger, sem causar grandes ameaças à força compradora. O mercado acionário local ficaria mais pesado para a venda apenas abaixo do patamar de 84k.

No mercado de juros futuros local, movimento relevante de queda das taxas, principalmente na ponta longa, impulsionada pela expectativa de novo corte de 0,25 p.p. na taxa Selic e inflação fraca nos Estados Unidos.

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sexta-feira, 9 de março de 2018

O desejo se impondo aos fatos


Na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), pode-se notar que os membros do Comitê ficaram divididos entre sinalizar um possível fim do ciclo de corte na taxa básica de juros ou manter maior grau de liberdade para a próxima reunião (o que deixaria mais nitidamente aberta a porta para novo corte na taxa Selic).

Bom lembrar que em seu último comunicado, o Banco Central admitiu que “para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. Porém, a autoridade monetária também considerou que “essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização monetária moderada adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos”.

Considerando essas importantes ponderações, duas perguntas simples poderiam definir o rumo/patamar da taxa básica de juros daqui pra frente. O cenário básico evoluiu conforme o esperado desde a última reunião do Copom? Sim. Houve mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos? Não.

Considerando as respostas destas duas perguntas, o Banco Central não deveria cortar a taxa básica de juros nesta reunião do mês de março. Não houve movimentação relevante no mercado de câmbio, nem nos fluxos de capitais. Na inflação local, não houve surpresas positivas nem negativas, o IPCA de fevereiro (0,32%) veio praticamente em linha com as expectativas. O único fato relevante que surgiu entre a última reunião do Copom e o cenário atual está relacionado à reforma da previdência, que foi oficialmente para o brejo. Esse evento é considerado, inclusive, negativo para o horizonte de longo prazo para a política monetária.

Como estamos habituados a trabalhar erroneamente com excesso de peso no cenário de curto prazo, a não aprovação da reforma da previdência, com graves efeitos fiscais colaterais, simplesmente está sendo descartada/empurrada para uma resposta da autoridade monetária no futuro, talvez já sob uma nova administração.

Em suma, considerando os apontamentos da última reunião do Copom, não há motivo algum para novo corte na taxa básica de juros. Entretanto, existe a sensação de que ninguém no mercado acredita que a autoridade monetária deverá manter a taxa básica de juros inalterada em 6,75% ao ano.

Todos parecem desejar novo corte de 0,25 p.p., o que levaria a taxa Selic para 6,50% ao ano neste mês de março. Alguns já estão esperando Selic de 6,25% em maio. É possível que esse sentimento do mercado esteja sendo alimentado pelas apostas generalizadas a favor da continuação do movimento de queda das taxas de juros futuros, principalmente na ponta longa, onde ainda existe algum prêmio. Uma interrupção no ciclo de cortes da taxa básica de juros poderia colocar em risco as posições abertas nos futuros e, talvez, causar pânico no fechamento de posições as pressas.

Não há dúvida de que um novo corte de 0,25 p.p. agradaria o mercado, mas lamentavelmente sinalizaria um Banco Central rasgando a credibilidade de sua comunicação, pois o plano inicialmente traçado estaria simplesmente sendo descartado sem motivo. Além disso, um novo corte na taxa Selic poderia demonstrar uma autoridade monetária fazendo o jogo do mercado e não o seu.

Entrar no jogo do mercado pode criar risco desnecessário ao horizonte de longo prazo para a política monetária. Os argumentos defendidos a unhas e dentes em cada canto do mercado não se justificam. Desde novembro do ano passado, o acumulado dos últimos 12 meses da inflação não tem apresentado nenhuma surpresa positiva (ou, em outras palavras, desaceleração da inflação).

Com o IPCA de 0,32% em fevereiro, nos últimos 12 meses estamos com uma alta acumulada de 2,84%. Em novembro/2017, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses ficou em 2,80%. Entre novembro/2017 a fevereiro/2018, a inflação acumulada pouco se alterou. Está claro, portanto, que ao menos por enquanto, o movimento de desaceleração da inflação chegou ao fim, mesmo com a economia ainda em fraca trajetória de retomada.

Payroll

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira a criação de 313 mil postos de trabalho no mês passado, significativamente acima das expectativas de 205 mil novos empregos, registrando o maior aumento em mais de um ano e meio.

Entretanto, a renda média por hora trabalhada, dado que passou a ser acompanhado de perto pelo mercado por ser um importante indicativo para a inflação futura, aumentou apenas 0,1% em fevereiro. No mês de janeiro/2018, a renda média por hora trabalhada aumentou 0,3%. Com o número de fevereiro, o aumento na base anual da hora trabalhada recuou de 2,8% para 2,6%, aliviando temores (ao menos por enquanto) de uma aceleração no processo de normalização das condições monetárias por parte do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos).

China

O presidente do Banco Popular (autoridade monetária chinesa) afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira na cidade de Pequim que o modelo de crescimento do país vai contar com menos estímulo do Banco Central no futuro.

A declaração do presidente do Banco Popular reforça discursos recentes de autoridades do alto escalão do governo chinês, onde é esperado já para este ano uma política de corte de gastos e redução do elevado nível de endividamento, considerado um dos principais problemas da economia local.

A inflação na China também começa apresentar sinais de aceleração. No mês de fevereiro, o índice de preços ao consumidor subiu 2,9% na base anual, bem acima da alta de 1,5% registrada no mês passado. Parte desta discrepância pode ser explicada pelo momento de celebração do feriado do Ano Novo Lunar. Ainda assim, a inflação anualizada em fevereiro atingiu o maior nível desde novembro/2013.

BoJ

O Comitê de Política Monetária do BoJ (Bank of Japan) decidiu manter inalterada sua estratégia de política monetária nesta sexta-feira, com juros de curto prazo em -0,1% e meta de zero no rendimento do título do tesouro com vencimento em 10 anos.

Haruhiko Kuroda, presidente do BoJ, rechaçou novamente especulações de que os estímulos monetários possam ser reduzidos no futuro. Kuroda afirmou que o BoJ vai continuar mantendo seu forte programa mensal de compra de ativos até que a inflação alcance a meta de 2%, já admitindo que este objetivo pode não ser alcançado em 2020.

O presidente do BoJ também adotou um tom semelhante ao de Mario Draghi, presidente do BCE, aproveitando o gancho da medida protecionista de Trump para transmitir uma mensagem dovish ao mercado, afirmando que se uma disputa comercial global fizer a economia japonesa perder força, o BoJ vai considerar afrouxar ainda mais sua política monetária.

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quinta-feira, 8 de março de 2018

Pressionado, Trump dá um passo atrás


O imprevisível presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em sua polêmica estratégia de taxar as importações de aço e alumínio em 25% e 10%, respectivamente. Sinalizando uma postura mais suave do que a observada na semana passada, Trump afirmou que mostrará flexibilidade com aqueles (países) que são amigos sérios dos Estados Unidos.

No final da tarde de ontem, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, admitiu que alguns parceiros comerciais dos Estados Unidos poderiam ser poupados da medida protecionista.

Inicialmente, Canadá e México conseguiram se safar das tarifas de importações que serão impostas pelos norte-americanos dentro dos próximos 15 dias. A isenção temporária para estes dois países é uma jogada estratégia para Donald Trump conseguir avançar na renegociação do Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte).

Entretanto, já se ventila a possibilidade de a Austrália integrar a lista de países que não serão atingidos pela medida protecionista, possivelmente por conta do potencial de exportação de minério de ferro de alta qualidade. Um funcionário do alto escalão da Casa Branca também informou que existe abertura para negociações com outros países.

A princípio, os fatos mais recentes mostram que Donald Trump está fazendo um recuo tático, até porque a medida anunciada na semana passada gerou grande revolta entre vários aliados dos Estados Unidos, além de criar oposição dentro do próprio partido republicano.

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Paul Ryan, do partido republicano, tem se manifestado publicamente contra a imposição de tarifas de importações de aço e alumínio. Ryan quer que Trump volte atrás e afirma estar preocupado com as conseqüências irracionais provocadas pela medida.

Ainda nesta quinta-feira, ministros de 11 países da TPP (Parceria Transpacífico) trucaram a medida protecionista de Trump assinando uma nova versão do acordo comercial na capital chilena. A TPP, rejeitada por Donald Trump logo no início do seu mandato, está em curso e criará uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

BCE

O Comitê de Política Monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter inalterada sua política monetária extremamente frouxa. A autoridade monetária europeia voltou afirmar que pode prorrogar seu programa de compras mensais de ativos (30 bilhões de euros por mês), atualmente programado para encerrar no mês de setembro deste ano.

Por outro lado, pela primeira vez o BCE omitiu a promessa de longa data de aumentar a compra de ativos, se necessário. A retirada deste trecho do comunicado é mais um pequeno movimento em direção à redução dos programas de estímulos, deixando a porta aberta para encerramento do programa mensal de compras de ativos no final de 2018.

Para evitar propagação de uma mensagem menos dovish do que o esperado no mercado, o presidente do BCE, Mario Draghi, utilizou o gancho da mais recente medida protecionista de Donald Trump como justificativa de defesa do BCE contra um potencial risco para a economia europeia.

Já se especula no mercado que uma disputa comercial poderia atrapalhar o plano do BCE de retirada dos estímulos monetários para não prejudicar ainda mais a economia da zona do euro. Em entrevista coletiva concedida à imprensa, Draghi utilizou um discurso duro, chegando a afirmar que “se você adota tarifas contra os que são seus aliados, é de se perguntar quem são os inimigos”.

Mercado

A tensão maior no mercado brasileiro frente à ausência da inclusão do Brasil nos boatos em torno de países que estariam de fora das pesadas tarifações de importações de aço e alumínio dos Estados Unidos estão se refletindo mais no preço do câmbio do que na bolsa e no mercado de juros futuros.

O dólar contra real fechou em forte alta pelo segundo pregão consecutivo, aos R$ 3,27, distanciando-se da média móvel simples de 200 períodos diária, considerada divisor de águas para tendência no mercado de câmbio.

Já a bolsa de valores trabalha movimento corretivo relativamente tímido, conseguindo se manter acima da linha central de bollinger, região que tem formado suporte de curto prazo. Abaixo deste patamar de sustentação, o mercado poderá ficar mais pesado para venda. Acima deste patamar de sustentação, os riscos continuam baixos para a força compradora.

Os contratos de juros futuros seguem em tendência principal de baixa, com a ponta longa levemente abaixo da mínima registrada em setembro/2017, ainda sem emitir sinalização de interrupção ou reversão.

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