quinta-feira, 15 de março de 2018

Latin American First


Alicia Bárcena, diretora geral da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), foi o grande destaque do Fórum Econômico Mundial para a América Latina realizado em São Paulo nesta quinta-feira. Numa alusão ao “America First”, famoso tema da campanha de Donald Trump, calçado fortemente sob uma agenda protecionista, Bárcena cobrou uma espécie de retaliação aos Estados Unidos por parte das principais economias latino-americanas.

A chefe da Cepal afirmou que os líderes da América Latina precisam acompanhar as recentes mudanças no cenário macro e mostrar ao mundo algo como um Latin American First, o que poderia ser parecido com o America First de Trump.

Ao passo em que medidas protecionistas avançam nos Estados Unidos, países duramente afetados pelas mudanças tendem adotar posturas defensivas a fim de proteger seus respectivos interesses, o que pode provocar o início de um efeito dominó contra o movimento de globalização observado nas últimas décadas.

Pelo menos por parte do Brasil, o presidente Michel Temer tem evitado sinalizar retaliações, por enquanto aventando apenas uma ameaça de levar os Estados Unidos à OMC (Organização Mundial do Comércio), o que, convenhamos, seria pouco eficaz.

Com baixa popularidade e governabilidade, pouca coisa tende a ser feita neste resto de governo Temer. Já a OMC dificilmente peitaria a maior economia do planeta, serviria mais como lenço para a nossa choradeira. Considerando o nosso histórico, também não temos tanta credibilidade para criticar o protecionismo lá fora.

Além de ter de assumir uma bomba fiscal sem precedentes em 2019, o futuro presidente terá de gerenciar o estresse no comércio internacional e suportar a pressão dos empresários brasileiros, há muitos anos, por sinal, acomodados com as proteções e regalias concedidas pelo governo.

A relação comercial do Brasil com o resto do mundo será mais um ponto chave para o clareamento do cenário macro a partir de 2019. A única certeza é que se mantermos uma política de mais do mesmo, o fracasso será inevitável. O Brasil precisa rever toda sua estratégia e renovar ideias para enfrentar mais este desafio não estava no script para os próximos longos anos.

Um Latin American First não precisa, necessariamente, adotar uma retórica protecionista perigosa como a de Trump, mas sim proteger a indústria local com inteligência através da melhoria das condições de negócio, que poderiam surgir com força através da redução da burocracia, reforma da educação, investimentos em infra-estrutura, incentivo a pesquisa e inovação, redução de privilégios, privatização de empresas estatais e encolhimento do tamanho do Estado - este último sendo a única forma eficiente para quebrar a corrupção.

Qual político/partido possui essa agenda para Brasil com real chance de vitória neste ano? Se você ficou em dúvida, certamente não é um bom sinal. Tirando sensacionalismos, jogadas políticas, Congresso mais do mesmo e “fake plans” de lado, parece difícil torcer para que um vento seja capaz de tirar as nuvens do nosso horizonte.

BCE

Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), voltou acalmar os ânimos de alguns investidores na Europa, temerosos com uma interrupção rápida (leia-se neste ano) do programa mensal de compra de ativos. Draghi argumentou que a inflação ainda não está em uma trajetória sustentável e que precisa ver mais evidências de que a dinâmica está se locomovendo na direção correta (centro da meta).

O presidente do BCE foi muito claro ao afirmar que só vai encerrar o programa de compras mensais de ativos quando enxergar ajuste sustentável na trajetória da inflação em direção à meta.

Atualmente, o volume mensal de compras de ativos por parte do BCE vem sendo reduzido aos poucos, para não criar pânico no mercado e manter o viés dovish da política monetária, num movimento muito gradual. Caso haja mudança na dinâmica inflacionária nos próximos meses (ou seja, aceleração da inflação), o BCE deve preparar o mercado para a interrupção do programa de compras de ativos alterando, primeiramente, sua orientação de evolução da política monetária (na prática, trocar expressões “leves” por mais “pesadas”).

Mercado

A resiliência do mercado brasileiro perante aos desafios macroeconômicos internos e, mais recentemente, externos, parece estar perdendo força. As medidas protecionistas de Donald Trump abalaram ligeiramente algumas praças financeiras nos últimos dias, mas no Brasil o movimento vendedor começou a ganhar força.

O Ibovespa caiu 1,30% nesta quinta-feira, perdendo a linha central de bollinger, o que enfraquece a importante região de suporte localizada aos 84k. A referida linha pode ser um divisor de águas para a tendência de mercado a curto prazo e começa deixar alguns investidores e players locais muito expostos na ponta comprada receosos.

O dólar contra real segue impulsionado na compra desde a confirmação de suporte sobre a média móvel simples de 200 períodos diária, já se aproximando da máxima do ano, principal ponto de resistência de curto prazo.

Nos contratos de juros futuros, o clima ainda é positivo, influenciado pela grande torcida a favor de mais um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, mantendo a taxa futura da ponta longa próxima da mínima do ano, enquanto as taxas da ponta curta oscilam ao redor de 6,50%, apresentando prêmio nulo mesmo sob um cenário de novo corte da taxa Selic.

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2 comentários:

  1. Só oque faltava mesmo o Brasil reclamar de protecionismo, é rir para não chorar.

    Agora eu tenho é pavor desse "latina american first", pois isso aqui é um antro de bolivarianos fanáticos e esquerdistas.

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    1. Verdade rs... Nós definitivamente temos grande facilidade de copiar/adotar medidas fracassadas (várias vezes, por sinal) e descartar medidas comprovadamente eficazes.

      Abs,

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