quarta-feira, 28 de março de 2018

O efeito da red line


Medidas protecionistas, tensões comerciais entre Estados Unidos e China, polêmica no Facebook, sell off nas ações FAANGs e techs, envenenamento de um ex-espião russo na Inglaterra e, mais recentemente, fortalecimento do PIB norte-americano. Esses são alguns dos principais motivos utilizados pela mídia especializada em mercado financeiro para justificar o clima negativo observado em várias praças financeiras mundiais.

Algumas notícias podem até não ser tão boas para o mercado de capitais, mas o noticiário visto nos últimos dias/semanas não está nada fora do comum. Fato é que a passagem de janeiro para fevereiro foi um marco no divisor de águas para o humor do mercado. Até janeiro, tudo estava indo muito bem, buy buy buy. Notícias com potencial de impacto negativo eram simplesmente irrelevantes para o mercado.

Entretanto, a partir do mês de fevereiro esse viés mudou nitidamente e as notícias com potencial de impacto negativo começaram a fazer preço no mercado. Não se observa mais aquele clima de euforia dominante presente nos últimos meses nas principais praças financeiras mundiais. Aos poucos, o otimismo foi desaparecendo. Muitos investidores comprados em ativos de risco estavam (estão) administrando lucros relevantes na mão, porém com o dedo no gatilho para liquidarem algumas posições.

O sinal veio em fevereiro. O noticiário (corporativo, macroeconômico ou geopolítico) não parece ser o principal driver para virada de mão no mercado. A razão central para o retorno do clima de aversão ao risco, após um longo período de festa, está no efeito da red line na Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano).

O mercado tem pavor das Treasurys em 3% ao ano. Nesta década, todas as ocasiões marcadas por retorno da taxa de juros do rendimento do título do tesouro norte-americano próximo deste patamar foram marcadas por aumento de volatilidade nas principais praças financeiras mundiais.

Desta vez não foi diferente. O rendimento da Treasury de 10 anos chegou aos 2,94% ao ano em meados do mês de fevereiro, sinalizando pico (ao menos de curto prazo) após uma longa trajetória ascendente na taxa.


Com a taxa atrativa no título soberano mais seguro do mundo, investidores e players de mercado começaram a fazer um movimento perfeitamente natural de realocação de portfólio: reduzir parte de posições em ativos de risco (por sinal, bem vencedoras nos últimos meses) para comprar Treasurys.

Com a curva abrindo (ascendente) o fluxo de curto prazo não costuma se posicionar comprado no título soberano. Investidores e players de mercado normalmente aguardam a sinalização de reversão na trajetória da curva para abrirem posições nos títulos da dívida soberana.

Obviamente, aqueles que arriscaram compras no escuro (sem ainda ter a sinalização de reversão na trajetória da curva), na casa de 2,90%, conseguiram um tiro certeiro. Agora, com a curva fechada (descendente), a massa entra com mais força, o que acelera o movimento comprador e provoca queda mais acentuada na taxa.

A taxa de juros da Treasury de 10 anos fechou aos 2,77% nesta quarta-feira. O fluxo comprador em Treasurys é basicamente orgiem do mercado de ações. No momento em que a força compradora passou a ser dominante nas Treasurys (revertendo a trajetória da taxa de juros), os principais índices acionários de Wall Street já estavam vendidos.

Atualmente, o movimento vendedor tem acelerado no mercado acionário, jogando o índice S&P500 novamente para teste sobre a importante média móvel simples de 200 períodos diária.

Visitas freqüentes à média de 200 períodos diária aumentam o risco de rompimento descendente, o que agravaria ainda mais o clima de aversão ao risco, além de reforçar a tendência de baixa iniciada no mês de fevereiro.

No Brasil, o índice Bovespa está muito distante da média móvel simples de 200 períodos diária, em função do forte upside verificado nos últimos meses. Ainda assim, o mercado luta pelos 84.000 pontos, a principal região de suporte de curto prazo e possivelmente último ponto de saída (stop loss) para posições compradas de curto prazo.

Aos 83.868 pontos, o mercado poderia estar sinalizando uma batalha praticamente vencida pelos ursos. Porém, o candle de fechamento desta quata-feira (martelo) não transmite ainda a necessária confiança para os ursos tomarem conta da praça e ainda impõe alguma esperança aos touros.

Importante ressaltar que a posição deste martelo (dentro de uma tendência de baixa ainda tímida) não transmite sinalização firme de reversão (tendência de baixa para tendência de alta). Normalmente, martelos costumam cravar reversões em tendências mais consolidadas, com maior durabilidade.

Independente das peculiaridades, fato é que as bolsas de valores alcançaram divisor de águas. Ou ratificam de vez um mercado firme vendedor, ou viram para compra.

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