quinta-feira, 8 de março de 2018

Pressionado, Trump dá um passo atrás


O imprevisível presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em sua polêmica estratégia de taxar as importações de aço e alumínio em 25% e 10%, respectivamente. Sinalizando uma postura mais suave do que a observada na semana passada, Trump afirmou que mostrará flexibilidade com aqueles (países) que são amigos sérios dos Estados Unidos.

No final da tarde de ontem, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, admitiu que alguns parceiros comerciais dos Estados Unidos poderiam ser poupados da medida protecionista.

Inicialmente, Canadá e México conseguiram se safar das tarifas de importações que serão impostas pelos norte-americanos dentro dos próximos 15 dias. A isenção temporária para estes dois países é uma jogada estratégia para Donald Trump conseguir avançar na renegociação do Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte).

Entretanto, já se ventila a possibilidade de a Austrália integrar a lista de países que não serão atingidos pela medida protecionista, possivelmente por conta do potencial de exportação de minério de ferro de alta qualidade. Um funcionário do alto escalão da Casa Branca também informou que existe abertura para negociações com outros países.

A princípio, os fatos mais recentes mostram que Donald Trump está fazendo um recuo tático, até porque a medida anunciada na semana passada gerou grande revolta entre vários aliados dos Estados Unidos, além de criar oposição dentro do próprio partido republicano.

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Paul Ryan, do partido republicano, tem se manifestado publicamente contra a imposição de tarifas de importações de aço e alumínio. Ryan quer que Trump volte atrás e afirma estar preocupado com as conseqüências irracionais provocadas pela medida.

Ainda nesta quinta-feira, ministros de 11 países da TPP (Parceria Transpacífico) trucaram a medida protecionista de Trump assinando uma nova versão do acordo comercial na capital chilena. A TPP, rejeitada por Donald Trump logo no início do seu mandato, está em curso e criará uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

BCE

O Comitê de Política Monetária do BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter inalterada sua política monetária extremamente frouxa. A autoridade monetária europeia voltou afirmar que pode prorrogar seu programa de compras mensais de ativos (30 bilhões de euros por mês), atualmente programado para encerrar no mês de setembro deste ano.

Por outro lado, pela primeira vez o BCE omitiu a promessa de longa data de aumentar a compra de ativos, se necessário. A retirada deste trecho do comunicado é mais um pequeno movimento em direção à redução dos programas de estímulos, deixando a porta aberta para encerramento do programa mensal de compras de ativos no final de 2018.

Para evitar propagação de uma mensagem menos dovish do que o esperado no mercado, o presidente do BCE, Mario Draghi, utilizou o gancho da mais recente medida protecionista de Donald Trump como justificativa de defesa do BCE contra um potencial risco para a economia europeia.

Já se especula no mercado que uma disputa comercial poderia atrapalhar o plano do BCE de retirada dos estímulos monetários para não prejudicar ainda mais a economia da zona do euro. Em entrevista coletiva concedida à imprensa, Draghi utilizou um discurso duro, chegando a afirmar que “se você adota tarifas contra os que são seus aliados, é de se perguntar quem são os inimigos”.

Mercado

A tensão maior no mercado brasileiro frente à ausência da inclusão do Brasil nos boatos em torno de países que estariam de fora das pesadas tarifações de importações de aço e alumínio dos Estados Unidos estão se refletindo mais no preço do câmbio do que na bolsa e no mercado de juros futuros.

O dólar contra real fechou em forte alta pelo segundo pregão consecutivo, aos R$ 3,27, distanciando-se da média móvel simples de 200 períodos diária, considerada divisor de águas para tendência no mercado de câmbio.

Já a bolsa de valores trabalha movimento corretivo relativamente tímido, conseguindo se manter acima da linha central de bollinger, região que tem formado suporte de curto prazo. Abaixo deste patamar de sustentação, o mercado poderá ficar mais pesado para venda. Acima deste patamar de sustentação, os riscos continuam baixos para a força compradora.

Os contratos de juros futuros seguem em tendência principal de baixa, com a ponta longa levemente abaixo da mínima registrada em setembro/2017, ainda sem emitir sinalização de interrupção ou reversão.

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