terça-feira, 13 de março de 2018

Rota livre para gradualismo do FED


Dados divulgados pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos mostraram que o índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,20% em fevereiro, uma desaceleração frente aos 0,50% registrados no mês de janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice subiu 2,2%, praticamente em linha com a meta de inflação de 2% a ser perseguida.

O núcleo de inflação (exclui itens mais voláteis como energia e alimentos), que, por sua vez, tem mais peso na avaliação do balanço de riscos para a inflação por parte do FED, também avançou 0,20% no mês de fevereiro, após registrar 0,30% de alta em janeiro. Na base anual, o núcleo de inflação se manteve estável, aos 1,8%.

O fato de o núcleo de inflação (levemente abaixo da meta) e a inflação oficial (levemente acima da meta), terem mostrado desaceleração no mês de fevereiro tira a pressão por parte do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) rever sua estratégia extremamente gradual de normalização das condições monetárias.

Entre outras palavras, ao menos por enquanto, o FED está com rota livre para manter o plano atual (elevações muito graduais na taxa básica de juros e desalavancagem financeira em ritmo de conta-gotas), o que pode reduzir a pressão observada recentemente no mercado norte-americano de juros futuros (referência Treasury de 10 anos).

O relatório de inflação do Departamento de Trabalho desta terça-feira também reforçou o viés embutido nos dados divulgados na última sexta-feira favoráveis à manutenção do status quo no FED. A renda média por hora trabalhada cresceu 2,6% na base anual em fevereiro, inferior ao aumento de 2,8% registrado em janeiro.

A desaceleração da inflação e do crescimento dos salários, em meio ao quadro de economia operando próxima do pleno emprego (taxa de desemprego em 4,11%, na mínima dos últimos 17 anos), juntamente com os primeiros efeitos do pacote tributário aprovado no final do ano passado (o que cria impulso à demanda), são surpreendentes, o que reduz os riscos de curto prazo de uma política monetária menos dovish do que o esperado.

Trump demite Tillerson

Mais uma cabeça rolou na Casa Branca. Através do Twitter, Donald Trump anunciou a demissão de Rex Tillerson, Secretário de Estado dos Estados Unidos. A cadeira será ocupada por Mike Pompeo, atual diretor da CIA. O Secretário de Estado é um dos principais cargos da Casa Branca, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos.

O presidente norte-americano não justificou sua decisão. Entretanto, Tillerson e Trump vinham divergindo em vários pontos da política externa do país e relatos de estranhamentos entres os dois eram comuns. Em outubro do ano passado, vazou na imprensa que Tillerson havia chamado Trump de idiota.

Tillerson é um conhecido player do setor de petróleo e comandava a Exxon Mobil antes de assumir o Departamento de Estado. Foi um dos grandes responsáveis por conseguir abaixar o nível de tensão com a Coreia do Norte, ofuscando os tweets mais acalorados do presidente (vide promessa de Trump de agir com fogo e fúria contra a Coreia do Norte).

Pompeo tem uma carreira bem diferente. Estudou engenharia na Academia Militar de West Point e atuou como oficial do Exército durante cinco anos. Em 2011, entrou para a política como membro da Câmara dos Deputados pelo estado do Kansas.

O novo Secretário de Estado é considerado um republicano ultraconservador, ligado ao conhecido movimento Tea Party, extremamente leal ao presidente Trump. Pompeo tem viés de atuação mais agressivo em relação à Coreia do Norte e também já defendeu romper o acordo nuclear com o Irã. Por conta disso, a nomeação de Pompeo causa certo receio no quadro geopolítico.

Previsões da OCDE

A OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) emitiu um relatório nesta terça-feira informando que o ritmo de crescimento mundial entre 2018 e 2019 será maior do que o registrado em 2017.

O crescimento mundial foi de 3,7% em 2017. Para 2018 e 2019, a projeção foi revisada para cima, a 3,9% nos dois anos, o que representa 0,2 p.p. a mais em 2018 e 0,3 p.p. a mais em 2019 em relação ao último estudo divulgado no mercado. 

Para o Brasil, a OCDE estima crescimento de 2,2% em 2018 e 2,4% em 2019. Menos pior do que o quase vexame de 2017, porém abaixo do potencial de uma economia emergente em recuperação, após violenta recessão. México deve crescer 2,5% neste ano e Argentina 3,2%.

Mercado

A substituição de Rex Tillerson por Mike Pompeo ofuscou os dados positivos da inflação nos Estados Unidos e acabou criando clima de apreensão no mercado. Os principais índices de Wall Street cederam, realizando uma pausa no forte movimento de recuperação de preços iniciado em meados do mês de fevereiro.

No Brasil, o índice Bovespa também cedeu, mas ainda segue operando acima da linha central de bollinger, sem causar grandes ameaças à força compradora. O mercado acionário local ficaria mais pesado para a venda apenas abaixo do patamar de 84k.

No mercado de juros futuros local, movimento relevante de queda das taxas, principalmente na ponta longa, impulsionada pela expectativa de novo corte de 0,25 p.p. na taxa Selic e inflação fraca nos Estados Unidos.

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