Os pedidos de análises, dúvidas ou demais solicitações estão sendo atendidos gratuitamente através do e-mail financasinteligentes@gmail.com. Envie sua solicitação e lhe responderei o mais breve possível. Abaixo segue um simplória análise do panorama atual para os mercados de renda fixa e renda variável.
Mercado de renda fixa
(atualizado dia 29/03/2013)
A recente queda na taxa Selic reduziu a atratividade de grande parte dos produtos conservadores do mercado financeiro, provocando, até mesmo, rentabilidade real negativa em alguns casos. Diante deste cenário restaram basicamente duas opções que ainda podem ser interessantes na renda fixa: LCI e Tesouro Direto. Usa-se LCIs para giro de curto prazo, aproveitando-se da isenção do imposto de renda e garantia do FGC (até R$ 70.000,00) para cobrir o risco de bancos pequenos (apresentam as melhores condições de negócio). Usa-se Tesouro Direto para especulações de médio prazo e/ou carregar o título até o vencimento.
O momento não é favorável para especulações de médio prazo com os títulos do tesouro, pois a curva dos juros futuros é ascendente e o cenário econômico indica possível elevação da taxa Selic ainda este ano. Quando os juros sobem (ou quando há esta expectativa), os títulos ficam mais baratos para comprar e os bônus sobem. É o que está acontecendo neste momento. A expectativa de elevação dos juros criada pelo mercado financeiro barateou o custo para compra de títulos pré-fixados e atrelados à inflação.
O bônus da NTNB 2020, por exemplo, começou a subir após um longo período de queda proporcionado pelo afrouxamento monetário agressivo do Banco Central. Hoje a política monetária é de manutenção na taxa básica de juros, com viés de alta a partir do segundo trimestre/ terceiro trimestre deste ano.
Apesar da melhora recente nos bônus da NTNB, o título ainda continua desinteressante devido ao prazo. O título mais curto, atrelado à inflação, oferecido pelo governo federal hoje é a NTNB Principal 2019. Remunera 3,76% + IPCA. É um rendimento muito pequeno para um prazo muito longo. Via de regra, títulos atrelados à inflação começam a ficar interessantes quando o bônus ultrapassa os 4%. Se projetarmos uma inflação em torno de 5,5% para os próximos anos (1 ponto percentual acima da meta), o rendimento de uma NTNB longa acaba empatando com os juros pré-fixados de uma LTN curta (2016, por exemplo).
Hoje o spread entre a LTN 2016 x taxa Selic está em 2 pontos percentuais. Ou seja, um título pré-fixado está oferecendo 9,25% de juros ao ano, caso o investidor carregue-o até o vencimento. Este spread irá subir ainda mais quando o Banco Central entrar no ciclo de aperto monetário. É neste momento que o mercado costuma exagerar no pessimismo e as taxas futuras sobem exageradamente, oferecendo excelentes oportunidades de compra para títulos pré-fixados.
Além disso, deve-se considerar a mudança na política monetária dos principais banqueiros centrais mundiais a partir de 2015. Hoje a política é de afrouxamento monetário agressiva, juntamente com os programas de injeção de capital no sistema financeiro (operações de open market). Com a retomada do crescimento econômico mundial nos próximos anos, os banqueiros centrais não poderão manter por muito tempo a política monetária frouxa demais, caso contrário poderão criar uma crise inflacionária sem precedentes a nível mundial. Por este motivo espera-se que a partir de 2015 as taxas de juros voltem a subir, portanto não é interessante para o investidor comprar títulos pré-fixados de longo prazo. Como não existem NTNBs de curto prazo, esta opção está totalmente descartada no momento.
Portanto as opções que restaram no Tesouro Direto são as LTNs 2016 e LFTs 2017. As LTNs estão interessantes devido ao spread de 2 pontos percentuais acima da taxa Selic (mesmo com um aperto monetário de curto prazo, o Banco Central dificilmente chegará aos 9,25%). As LFTs estão interessantes pois este título não apresenta rentabilidade negativa, é reajustado diariamente pela taxa Selic. Como existe uma expectativa de alta na taxa básica de juros, é interessante mesclar a compra com um pouco LFTs que serão beneficiadas pela elevação dos juros.
Recomenda-se compras parciais com uma alocação em torno de 50% em LTN 2016 e 50% em LFT 2017. Caso a LTN 2016 ultrapasse os 9,25%, recomenda-se aumentar a alocação para 60% no título pré-fixado e 40% para o título pós-fixado.
Mercado de renda variável
(atualizado dia 29/03/2013)
A política econômica do governo federal tem afetado o desempenho das ações que estão fora do círculo de blindagem da economia brasileira. Uma política baseada na liberação do crédito e incentivo ao consumo beneficiou empresas do setor de varejo, serviços, educação, saúde, entre outros. Boa parte destas empresas possuem participações irrelevantes no índice Bovespa (ou nula), subiram bastante nos últimos anos e por isso mesmo não estão mais atrativas para compra (muitas estão infladas e perigosas). Como esta política econômica já está mostrando sinais de esgotamento, recomenda-se ao investidor ficar longe destes setores.
A bolsa que não subiu está relacionada aos demais setores de maior peso no índice. Péssimas condições de negócio para o setor produtivo e intervenções excessivas do Estado sobre a economia (leia o artigo do dia 10/05/2012: "Brasil é um bull market.... político") impactaram em cheio várias empresas, inclusive as famosas blues chips brasileiras.
Esta tese pode ser confirmada pelo gráfico abaixo:
O gráfico mostra a diferença de desempenho entre o índice Bovespa e o índice MSCI de mercados emergentes. O spread está negativo há quase três anos, mostrando que o desempenho do nosso mercado está abaixo do desempenho da média dos mercados emergentes.
O nosso desempenho também é sensivelmente negativo quando comparado com um dos principais índices mundiais, o Dow Jones:
O índice Bovespa anda descolado do mercado de capitais mundial há muito tempo. Este descolamento é um reflexo dos nossos graves problemas internos. Por mais que a projeção futura de crescimento e condições de negócio esteja longe do ideal, esta, por sua vez, apresenta sinais de leve melhora para os próximos anos.
Basta apenas uma ligeira perspectiva de melhora para que o índice Bovespa volte a subir e reduzir parte do descolamento negativo com os demais índices mundiais.
Hoje o índice Bovespa está oscilando na casa dos 55k, o que pode apresentar uma oportunidade de entrada parcial para quem está de fora do mercado de renda variável. Nas condições de fundamentos atuais, a bolsa ao redor dos 65k (índice Bovespa, no geral) começa a ficar cara e desinteressante. Bolsa ao redor dos 55k, ou abaixo disso, começa a ficar relativamente barata e interessante para compras parciais.
Ao adotar uma estratégia de compras parciais o investidor precisa destinar a maior parte do capital para compras ao redor dos 50k, ou abaixo disso, caso vier acontecer. Haja vista que as melhores oportunidades de negócio no mercado de ações são ocasionadas pela queda vertiginosa dos preços.
Analisando o gráfico mensal do índice Bovespa podemos observar a zona de congestão delimitada pela região dos 48k aos 74k (retas mais fortes nas linhas psicológicas de 50k e 70k). Esta congestão representa um ciclo de correção do índice após a forte pernada de alta entre 2002 a 2008. Estima-se que já passamos da fase de maturação deste ciclo de correção, portanto compras de médio/longo prazo realizadas em proximidade com a região de base desta zona congestão de longo prazo podem ser interessantes e rentáveis.
A perda da LTA de 2008 culminou no rompimento de um triângulo simétrico, com target final abaixo dos 30k. Porém, deve-se considerar a baixa eficácia das figuras gráficas na análise técnica. As probabilidades de atingirmos os 30k novamente são mínimas e totalmente desencontrada com os fundamentos atuais. Apenas um evento de gravidade relevante no mercado de capitais internacional (como um crash generalizado) poderia concluir este objetivo. Possibilidade, por sua vez, totalmente descartada já que os bancos centrais estão atuando à favor da valorização dos ativos no mercado financeiro.
Sucesso a todos e bons investimentos!
Mercado de renda fixa
(atualizado dia 29/03/2013)
A recente queda na taxa Selic reduziu a atratividade de grande parte dos produtos conservadores do mercado financeiro, provocando, até mesmo, rentabilidade real negativa em alguns casos. Diante deste cenário restaram basicamente duas opções que ainda podem ser interessantes na renda fixa: LCI e Tesouro Direto. Usa-se LCIs para giro de curto prazo, aproveitando-se da isenção do imposto de renda e garantia do FGC (até R$ 70.000,00) para cobrir o risco de bancos pequenos (apresentam as melhores condições de negócio). Usa-se Tesouro Direto para especulações de médio prazo e/ou carregar o título até o vencimento.
O momento não é favorável para especulações de médio prazo com os títulos do tesouro, pois a curva dos juros futuros é ascendente e o cenário econômico indica possível elevação da taxa Selic ainda este ano. Quando os juros sobem (ou quando há esta expectativa), os títulos ficam mais baratos para comprar e os bônus sobem. É o que está acontecendo neste momento. A expectativa de elevação dos juros criada pelo mercado financeiro barateou o custo para compra de títulos pré-fixados e atrelados à inflação.
O bônus da NTNB 2020, por exemplo, começou a subir após um longo período de queda proporcionado pelo afrouxamento monetário agressivo do Banco Central. Hoje a política monetária é de manutenção na taxa básica de juros, com viés de alta a partir do segundo trimestre/ terceiro trimestre deste ano.
Apesar da melhora recente nos bônus da NTNB, o título ainda continua desinteressante devido ao prazo. O título mais curto, atrelado à inflação, oferecido pelo governo federal hoje é a NTNB Principal 2019. Remunera 3,76% + IPCA. É um rendimento muito pequeno para um prazo muito longo. Via de regra, títulos atrelados à inflação começam a ficar interessantes quando o bônus ultrapassa os 4%. Se projetarmos uma inflação em torno de 5,5% para os próximos anos (1 ponto percentual acima da meta), o rendimento de uma NTNB longa acaba empatando com os juros pré-fixados de uma LTN curta (2016, por exemplo).
Hoje o spread entre a LTN 2016 x taxa Selic está em 2 pontos percentuais. Ou seja, um título pré-fixado está oferecendo 9,25% de juros ao ano, caso o investidor carregue-o até o vencimento. Este spread irá subir ainda mais quando o Banco Central entrar no ciclo de aperto monetário. É neste momento que o mercado costuma exagerar no pessimismo e as taxas futuras sobem exageradamente, oferecendo excelentes oportunidades de compra para títulos pré-fixados.
Além disso, deve-se considerar a mudança na política monetária dos principais banqueiros centrais mundiais a partir de 2015. Hoje a política é de afrouxamento monetário agressiva, juntamente com os programas de injeção de capital no sistema financeiro (operações de open market). Com a retomada do crescimento econômico mundial nos próximos anos, os banqueiros centrais não poderão manter por muito tempo a política monetária frouxa demais, caso contrário poderão criar uma crise inflacionária sem precedentes a nível mundial. Por este motivo espera-se que a partir de 2015 as taxas de juros voltem a subir, portanto não é interessante para o investidor comprar títulos pré-fixados de longo prazo. Como não existem NTNBs de curto prazo, esta opção está totalmente descartada no momento.
Portanto as opções que restaram no Tesouro Direto são as LTNs 2016 e LFTs 2017. As LTNs estão interessantes devido ao spread de 2 pontos percentuais acima da taxa Selic (mesmo com um aperto monetário de curto prazo, o Banco Central dificilmente chegará aos 9,25%). As LFTs estão interessantes pois este título não apresenta rentabilidade negativa, é reajustado diariamente pela taxa Selic. Como existe uma expectativa de alta na taxa básica de juros, é interessante mesclar a compra com um pouco LFTs que serão beneficiadas pela elevação dos juros.
Recomenda-se compras parciais com uma alocação em torno de 50% em LTN 2016 e 50% em LFT 2017. Caso a LTN 2016 ultrapasse os 9,25%, recomenda-se aumentar a alocação para 60% no título pré-fixado e 40% para o título pós-fixado.
Mercado de renda variável
(atualizado dia 29/03/2013)
A política econômica do governo federal tem afetado o desempenho das ações que estão fora do círculo de blindagem da economia brasileira. Uma política baseada na liberação do crédito e incentivo ao consumo beneficiou empresas do setor de varejo, serviços, educação, saúde, entre outros. Boa parte destas empresas possuem participações irrelevantes no índice Bovespa (ou nula), subiram bastante nos últimos anos e por isso mesmo não estão mais atrativas para compra (muitas estão infladas e perigosas). Como esta política econômica já está mostrando sinais de esgotamento, recomenda-se ao investidor ficar longe destes setores.
A bolsa que não subiu está relacionada aos demais setores de maior peso no índice. Péssimas condições de negócio para o setor produtivo e intervenções excessivas do Estado sobre a economia (leia o artigo do dia 10/05/2012: "Brasil é um bull market.... político") impactaram em cheio várias empresas, inclusive as famosas blues chips brasileiras.
Esta tese pode ser confirmada pelo gráfico abaixo:
O gráfico mostra a diferença de desempenho entre o índice Bovespa e o índice MSCI de mercados emergentes. O spread está negativo há quase três anos, mostrando que o desempenho do nosso mercado está abaixo do desempenho da média dos mercados emergentes.
O nosso desempenho também é sensivelmente negativo quando comparado com um dos principais índices mundiais, o Dow Jones:
O índice Bovespa anda descolado do mercado de capitais mundial há muito tempo. Este descolamento é um reflexo dos nossos graves problemas internos. Por mais que a projeção futura de crescimento e condições de negócio esteja longe do ideal, esta, por sua vez, apresenta sinais de leve melhora para os próximos anos.
Basta apenas uma ligeira perspectiva de melhora para que o índice Bovespa volte a subir e reduzir parte do descolamento negativo com os demais índices mundiais.
Hoje o índice Bovespa está oscilando na casa dos 55k, o que pode apresentar uma oportunidade de entrada parcial para quem está de fora do mercado de renda variável. Nas condições de fundamentos atuais, a bolsa ao redor dos 65k (índice Bovespa, no geral) começa a ficar cara e desinteressante. Bolsa ao redor dos 55k, ou abaixo disso, começa a ficar relativamente barata e interessante para compras parciais.
Ao adotar uma estratégia de compras parciais o investidor precisa destinar a maior parte do capital para compras ao redor dos 50k, ou abaixo disso, caso vier acontecer. Haja vista que as melhores oportunidades de negócio no mercado de ações são ocasionadas pela queda vertiginosa dos preços.
Analisando o gráfico mensal do índice Bovespa podemos observar a zona de congestão delimitada pela região dos 48k aos 74k (retas mais fortes nas linhas psicológicas de 50k e 70k). Esta congestão representa um ciclo de correção do índice após a forte pernada de alta entre 2002 a 2008. Estima-se que já passamos da fase de maturação deste ciclo de correção, portanto compras de médio/longo prazo realizadas em proximidade com a região de base desta zona congestão de longo prazo podem ser interessantes e rentáveis.
A perda da LTA de 2008 culminou no rompimento de um triângulo simétrico, com target final abaixo dos 30k. Porém, deve-se considerar a baixa eficácia das figuras gráficas na análise técnica. As probabilidades de atingirmos os 30k novamente são mínimas e totalmente desencontrada com os fundamentos atuais. Apenas um evento de gravidade relevante no mercado de capitais internacional (como um crash generalizado) poderia concluir este objetivo. Possibilidade, por sua vez, totalmente descartada já que os bancos centrais estão atuando à favor da valorização dos ativos no mercado financeiro.
Sucesso a todos e bons investimentos!
As análises apresentadas são de caráter informativo, onde as opiniões pessoais do autor não representam recomendações de investimento financeiro de qualquer natureza. Portanto, o autor se isenta de qualquer responsabilidade com referência a ganhos ou perdas obtidas no mercado financeiro, baseadas ou não nas informações aqui fornecidas. Embora as informações aqui contidas foram obtidas através de fontes consideradas seguras e fidedignas, o autor responsável pela elaboração deste conteúdo não responde pela veracidade ou qualidade das informações.




