quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Chama o James Bond


A equipe econômica de Bolsonaro, chefiada pelo Paulo Guedes, levou um balde de água fria nesta quarta-feira. As esperanças de aprovação de qualquer tipo de reforma da previdência ainda neste ano caíram significativamente após a rápida aprovação de uma pauta-bomba no Senado.

A medida pegou o mercado de surpresa, que até então sustentava um clima positivo, no sentido de que, agora sim, os ajustes nas contas públicas irão ocorrer de verdade. Diferente do lero lero praticado pelo governo Temer, que assistiu de camarote a elevação do endividamento brasileiro mesmo adotando um discurso ortodoxo.

Com um placar esmagador de 41 votos a favor e apenas 16 contra, o Senado aprovou reajuste de 16,38% ao salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A medida é mais um desastre para as contas públicas, pois vai criar efeito cascata em vários outros segmentos do funcionalismo público.

Segundo cálculo de consultorias, a proposta aprovada hoje implicará em gastos adicionais de 4 a 6 bilhões de reais em 2019, o que só reforça o cenário extremamente grave para as contas públicas a médio e longo prazo. A despesa com pessoal é o segundo maior gasto primário do governo federal, perdendo apenas para a Previdência, mas mesmo assim o Congresso não parece estar convencido da necessidade de cortar zeros nos cheques preenchidos pelo governo. Pelo contrário, os zeros à direita estão aumentando cada vez mais, mesmo com o cofre vazio.

O apelo de Bolsonaro e sua equipe econômica por responsabilidade fiscal no fim deste mandato surtiu efeito contrário. Numa jogada rápida, Eunício Oliveira, presidente do Senado, designou um novo relator (Fernando Bezerra) para a proposta de reajuste ao salário dos ministros do STF, que por sua vez concedeu parecer favorável. O relator antigo, senador Ricardo Ferraço (PSDB), havia emitido parecer contrário ao aumento.

Tudo parece ter sido muito bem articulado nos bastidores para votação e aprovação do projeto ainda nesta quarta-feira. A agilidade e eficácia dos parlamentares para aprovar medidas de impacto fiscal negativo continua impressionando o mercado, que por sua vez responde exigindo prêmio para emprestar dinheiro ao governo brasileiro.

Na situação em que se encontra o pensamento dominante em Brasília, aliado ao nível de endividamento do governo (75% PIB), combinado com as taxas de juros atuais (pós-fixadas e pré-fixadas), não precisa ser nenhum gênio da matemática para chegar a conclusão de que estamos caminhando para uma situação de insolvência no futuro. Para salvar as contas públicas, talvez só chamando um James Bond, pois a missão parece impossível.

Nos Estados Unidos, a imprensa local bem que tentou emplacar uma espécie de onda azul (onde candidatos democratas iriam alcançar ampla maioria no Congresso), mas não funcionou. Os analistas que previam a tal da onda azul são os mesmos que descartaram vitória de Trump na última eleição presidencial.

Os democratas não conquistaram maioria no Senado. Na Câmara, os democratas conseguiram maioria apertada, sem margem de folga para travar a agenda de Trump, já que alguns candidatos possuem perfil neutro. A situação no Congresso para o presidente norte-americano deixa de ser muito favorável como no início de seu mandato, mas não muda drasticamente.

A líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, reafirmou sua intenção de aumentar os projetos de infraestrutura, por exemplo, em linha com a agenda de incentivo ao crescimento de Donald Trump. A própria Nancy Pelosi afirmou ter conversado com o presidente, numa sinalização de que poderiam trabalhar juntos.

O desfecho das eleições legislativas nos Estados Unidos agradou Wall Street, que respondeu com mais uma alta expressiva de seus principais índices acionários, mantendo a trajetória de recuperação de preços observada desde o dia 29 de outubro, inclusive com reconquista da importante média móvel simples de 200 períodos diária.

No Brasil, o índice Bovespa, que até então estava descolado positivamente das demais praças financeiras mundiais, especialmente as de países emergentes, entregou os pontos nesta quarta-feira após iniciar rompimento da máxima histórica. O pregão fechou na mínima do dia, aos 87,7k, influenciado pela volta do circo político local.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Somos decoupling, a culpa não é do exterior


A unanimidade no mercado financeiro sempre foi um sentimento ou expressão muito perigoso. Os fatos recentes envolvendo os preços dos ativos de risco brasileiros, em especial as ações, deixaram muitos investidores confusos.

Na semana passada nenhum profissional sério de mercado (analistas, economistas, gestores de recursos, entre outros) ousava dizer que a eleição presidencial estava decidida. Muitos consideravam que a chance de vitória de Bolsonaro era elevada, mas ninguém ousava ter convicção, até porque Haddad vinha crescendo nas últimas pesquisas de intenção de votos, adicionando o peso da imprevisibilidade justamente na reta final.

Vários profissionais que trabalhavam com o cenário base de vitória de Bolsonaro no segundo turno afirmaram haver espaço para alta da bolsa e queda do dólar no primeiro pregão após o desfecho das eleições. Posto de outra forma, ninguém ousava prever forte queda da bolsa e elevação do dólar em caso de vitória do candidato Bolsonaro no dia seguinte após as eleições.

Foi o que aconteceu. A famosa lua de mel, ou o esperado rali, virou lenda. Surpresos com o tombo do Ibovespa, estes mesmos profissionais apontaram a culpa no exterior. A bolsa brasileira não subiu porque foi arrastada para baixo pelas demais praças financeiras mundiais. Essa tese é completamente furada pelo gráfico abaixo:


A linha vermelha mostra o desempenho do MSCI Emerging Market (ETF de mercados emergentes mais famoso do mundo) e a linha preta mostra o desempenho do Ibovespa. Pode-se notar claramente um decoupling (descolamento) iniciado em junho de 2018 favorável ao Ibovespa.

Enquanto o MSCI Emerging Market segue dentro de uma tendência expressiva de correção neste ano, o Ibovespa, por outro lado, interrompeu a trajetória de queda no mês de junho e voltou a subir forte, se aproximando novamente da máxima histórica. A distância entre o final da linha preta versus final da linha vermelha mostra a relevância do decoupling.

Não é um simples ruído de curto prazo, provocado por um soluço pró-Ibovespa, mas sim um descolamento de tendência de mais de 4 meses. Em junho deste ano, o mercado tinha alguma esperança de que Geraldo Alckmin poderia ser eleito. O candidato do PSDB, intitulado queridinho do mercado, teve um desempenho decepcionante desde as primeiras pesquisas eleitorais, não chegou, sequer, ter chance de disputar o segundo turno, mas mesmo assim o decoupling continuou.

Enquanto nós, brasileiros, acompanhávamos de perto a injusta polarização entre petistas e anti-petistas inflada pela mídia, o mercado mirava no macro, na mudança do discurso, na onda da renovação, nos temos polêmicos que mal se podia comentar no passado, mas que hoje estão sobre a mesa para discussão aberta. Embora possa transparecer que o país estava divido entre dois extremos, as propostas dos candidatos, de forma geral, remetiam ao centro e refletiam o sentimento de que algo precisa ser feito democraticamente (com endosso do voto) para sairmos do atoleiro.

Esse algo será feito. O Brasil não iria virar uma Venezuela com Haddad nem vai se tornar uma Dinamarca com Bolsonaro. O Brasil vai continuar problemático e vulnerável, mas também vai tentar sair do atoleiro político, econômico e fiscal. A diferença está apenas na cor do rebocador. Medidas serão tomadas e os resultados surgirão no futuro.

Apesar de não se ouvir mais falar em lua de mel e/ou rali nos preços dos ativos depois do trauma desta segunda-feira, o Brasil, de fato, é o maior case de decoupling global neste momento e possui condições técnicas e macroeconômicas de continuar em terreno bullish.

O tombo desta segunda-feira é nada mais nada menos do que uma obra prima do senhor mercado, pouco admirada pela multidão. Os preços podem cair ou subir, contrariar a unanimidade, surpreender, com ou sem motivo, simplesmente porque o mercado é soberano.

As bolsas de valores recuaram nesta segunda-feira, mas esse é um movimento que começou, em especial sobre as praças emergentes, no início deste ano e não hoje. Se o Ibovespa estivesse sendo contaminado, na mesma intensidade, pelo movimento observado nas demais praças financeiras mundiais, estaria sendo negociado, neste momento, aos 65.000 pontos, em linha com o MSCI Emerging Market.

Portanto, não há razão para apontar o dedo enfurecido ao exterior. A foto de hoje saiu borrada, mas o filme continua bonito.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ponto de equilíbrio na Treasury derruba Wall Street


O pânico voltou a predominar na bolsa de valores de Nova York. Os principais índices acionários norte-americanos confirmaram perda da média móvel simples de 200 períodos diária nesta quarta-feira dramática.

Uma primeira tentativa de rompimento descendente ocorreu no início do mês de outubro, entretanto, na semana passada, houve contra ataque da força compradora atuando na defesa desta importante média, que por sinal é acompanhada de perto por vários investidores, operadores e gestoras de recursos no mundo inteiro, justamente por ser considerada uma linha (média) divisora de águas para determinação de uma tendência de mercado de médio prazo e importante guia para operações de swing trade e position trade.

O contra ataque dos touros surtiu efeito por alguns dias. A ponta compradora do mercado conseguiu manter os principais índices acionários dos Estados Unidos acima da média móvel simples de 200 períodos diária, caracterizando movimento clássico de bear trap, onde a média anteriormente perdida foi recuperada com rapidez.

No início desta semana a força vendedora começou aparecer novamente em Wall Street e a manutenção dos preços acima da referida média voltou a ser ameaçada. Um novo movimento de sell-off estava ganhando força e nesta quarta-feira a bola de neve se transformou numa avalanche, confirmando rompimento descendente da média móvel simples de 200 períodos diária.

Após sofrer bear trap na média móvel, os ursos revidaram armando uma armadilha com intensidade maior no pregão de hoje, caracterizando movimento de bull trap, acionando stops de posições compradas abertas recentemente. Muitos no mercado foram pegos desprevenidos com esta nova onda de sell-off, até porque não há sinal de recessão e a temporada de balanços está positiva. Das 140 empresas do S&P500 que já divulgaram seus números do terceiro trimestre deste ano, 81% registraram lucro por ação acima das expectativas dos analistas.

A própria imprensa internacional que faz a cobertura do mercado de capitais está meio perdida. Alguns citam que a correção atual no mercado é fruto de um erro de política monetária do FED (estaria elevando os juros rápido demais), outros dizem que é um reflexo da desaceleração do crescimento econômico global, fraqueza da China (PIB abaixo das expectativas divulgado semana passada), Brexit, orçamento na Itália, aproximação do fim dos estímulos monetários na Europa, preocupação com mercados emergentes vulneráveis (vide últimos acontecimentos na Argentina e Turquia), deterioração nas relações comerciais entre Estados Unidos e China e até mesmo implicações políticas do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Pode até ser que os investidores estão demonstrando certa ansiedade com todos estes temas delicados, mas parece que fator de decisão para o sell-off em Wall Street está na curva da Treasury.

A primeira onda vendedora, responsável por jogar os índices acionários para a média móvel simples de 200 períodos diária rapidamente, ocorreu no momento em que a taxa de juros da Treasury de 10 anos fechou de 3,23% para 3,14% ao ano. A tentativa de contra ataque da força compradora vista na semana passada ocorreu justamente por conta da última abertura de curto prazo da Treasury, saindo de 3,14% para 3,20%.

Agora, com a taxa de juros da Treasury recuando para 3,10% ao ano, pode-se notar claramente formação de um ponto de equilíbrio na região dos 3,20%. Isso significa que a curva, até então fortemente aberta, começou a fechar. Em mercado de curva aberta, perde-se dinheiro quando se posiciona em ponta comprada. Por outro lado, em mercado de curva fechada, ganha-se dinheiro quando se posiciona em ponta comprada.


É possível imaginar que alguns players de mercado estavam aguardando janela de entrada para se posicionarem comprados em Treasurys, até porque o prêmio atual está muito atrativo em relação ao praticado nos últimos anos. Bastou a Treasury sinalizar formação de um ponto de equilíbrio, revelando esgotamento no movimento de abertura de curto prazo, para a renda fixa mais segura e líquida do mundo atrair capital de hedge funds.

O tombo de 0,10 p.p. em apenas dois dias denuncia compras volumosas recentes. Com o mercado comprador em Treasurys, os ativos de risco tendem a sofrer. Afinal de contas, o fluxo comprador em Treasurys não brota do chão. O dinheiro tem de sair de alguma outra classe de ativo e, neste momento, os players estão dando preferência para desmonte de posições de risco, afetando, consequentemente, o mercado de ações de várias praças financeiras mundiais.

No Brasil, a contaminação do movimento de sell-off global tem sido muito pequena, em função das expectativas otimistas criadas a partir de uma possível vitória do candidato Jair Bolsonaro no segundo turno.

Entretanto, a blindagem brasileira enfraqueceu nesta quarta-feira, com o Ibovespa recuando para os 83k, principal ponto de sustentação de curto prazo. A perda deste patamar de sustentação poderá fragilizar a força amortecedora da média móvel simples de 200 períodos diária atualmente na região dos 80,5k, deixando a praça brasileira vendida novamente.

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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Trégua em Wall Street


O forte movimento de sell-off observado nas últimas semanas em Wall Street parece ter chegado ao fim nesta terça-feira. Os principais índices acionários subiram forte, mostrando contra ataque da força compradora num ponto técnico extremamente relevante.

A média móvel simples de 200 períodos diária, inicialmente perdida na semana passada, foi recuperada nesta terça-feira através de um candle de força relevante, caracterizando movimento clássico de bear trap.

Investidores/operadores que abriram venda com o rompimento descendente do S&P500 sobre a referida média móvel tiveram de estopar suas posições às pressas em função da forte reação da força compradora. Os touros haviam demonstrado intenção de defesa da média longa mais famosa e acompanhada pelo mercado já na última sexta-feira, interrompendo a forte sequência de queda de curto prazo, porém o contra ataque com ordens volumosas de compras surgiu apenas nesta terça-feira com um importante driver fundamentalista de momento.

Os balanços trimestrais das potências financeiras Goldman Sachs e Morgan Stanley vieram bem robustos, superando as expectativas dos analistas, criando, assim, o driver que faltava para disparada das ordens de compra.

O Goldman Sachs reportou lucro de 6,28 dólares por ação no 3 TRI/2018, bem acima da previsão de 5,38 dólares por ação, representando aumento de 20,5% em comparação com o resultado do mesmo período do ano anterior. O Morgan Stanley relatou lucro de 1,17 dólares por ação, também muito acima da expectativa dos analistas de 1,01 por ação, refletindo uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ambas as empresas estavam shorteadas na bolsa de Nova York. As ações do Goldman Sachs, que chegaram a ser negociadas aos 270 dólares em março deste ano, fecharam semana passada aos 210 dólares. Nesta terça-feira, os preços saltaram para 221 dólares, numa possível virada de mão. As ações do Morgan Stanley, que chegaram a ser negociadas aos 57 dólares em março deste ano, fecharam semana passada aos 42 dólares. Nesta terça-feira, os preços saltaram para 46 dólares, num movimento semelhante ao observado nos papéis do Goldman Sachs.

A reação das ações dos bancos de investimento mais tradicionais de Wall Street foi forte o suficiente para puxar (contaminar) todo o mercado para cima, numa virada bull rápida e forte, mantendo os índices acionários acima da importante média móvel simples de 200 períodos diária.

Este movimento não tem sido tão atípico. Desde junho de 2016, em todas as ocasiões que o S&P500 tombou para a média móvel simples de 200 períodos diária, houve forte reação da força compradora, mantendo o ciclo bullish. Desta vez, não foi diferente.


A sinalização de trégua em Wall Street empurrou várias outras praças financeiras mundiais para a ponta compradora. DAX, na Alemanha, subiu de 11.500 pontos para 11.776 nesta terça-feira. A bolsa de Paris, na França, subiu de 5.050 pontos na mínima de ontem para 5.173 no fechamento de hoje. No Japão, o Nikkei saiu de 22.250 pontos ontem para 22.550, também mostrando bear trap sobre a média móvel simples de 200 períodos diária.

Bombay, na Índia, que chegou a cair para 34.000 pontos na semana passada, fechou esta terça-feira aos 35.100. Na Rússia, após tocar 1.100 pontos na semana passada, a bolsa volta para os 1.165 pontos nesta terça-feira. México subiu de 200 para 206 pontos, parece pouco, mas não é (para um movimento de curto prazo). Até a bolsa de Istambul, na Turquia, se valorizou nos últimos dias (de 94.000 para 98.400 pontos).

No Brasil, o índice Bovespa interrompeu a sequência de correções observada nos últimos dias, formando piso ascendente aos 82.600 pontos, já sinalizando ataque sobre a resistência formada aos 87.300 pontos, por sinal, apenas 1.000 pontos abaixo da máxima histórica. Isso significa que se o Ibovespa recuperar 87.300 pontos, a resistência formada pelo topo histórico será fragilizada.

O mercado de câmbio e juros futuros está ainda mais eufórico do que o segmento de bolsa, já que os investidores e players locais começam incorporar nos preços da moeda e dos contratos de juros futuros (por sinal, altamente expostos à agenda econômica) um cenário não somente de vitória do candidato Bolsonaro no segundo turno, mas, também, detecção de espaço para uma agenda de reformas estruturantes avançar neste novo Congresso.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Trump quebra respeito à independência do FED


Cerca de uma semana atrás o índice S&P500 era negociado na faixa dos 2.900 pontos, oscilando próximo à máxima histórica, mantendo um ciclo de médio prazo positivo observado desde fevereiro/2018. Nesta quinta-feira, o índice S&P500 fechou aos 2.728 pontos, revelando um forte movimento de sell-off nos últimos dias.

Evento semelhante ocorreu no final do mês de janeiro deste ano. Na época, o S&P500 perdeu cerca de 300 pontos de forma agressiva, em apenas duas semanas. O tombo no final de janeiro foi motivado por receio de que a política monetária do FED (com aumentos graduais da taxa básica de juros) poderia provocar realocações de portfólio em função do aumento no prêmio de risco pago pelas Treasurys.

O racional do temor criado na época estava correto. Entretanto, uma troque de choque apareceu para defender o viés bullish assim que Wall Street começou a derreter. Vários players de mercado, analistas e economias emitiram relatórios e comentários com objetivo de acalmar os ânimos dos investidores. A derrocada do mercado na época foi minimizada, justificada por fatores técnicos, pontuais e, principalmente, descasados com os fundamentos das empresas e da própria economia.

Com tantos bombeiros em ação, o incêndio no mercado durou pouco e foi apagado rapidamente no início de fevereiro. Tudo parecia estar sob controle até o rendimento da Treasury de 10 voltar a subir e realizar novo contato com a red line dos 3% ao ano. Semana passada, a taxa de juros do título soberano norte-americano com vencimento em 10 anos alcançou impressionantes 3,23% ao ano, o maior patamar registrado nos últimos 7 anos.

Mais uma vez Wall Street entrou em pânico. Os índices acionários começaram a ceder, reagindo ao prêmio mais elevado (atrativo) na Treasury, que não somente pode “roubar” fluxo dos ativos de risco, como também encarecer o custo de captação de recursos das empresas no mercado, reduzindo margens de lucro.

O recuo de Wall Street poderia ser encarado como algo natural, até porque o mercado acionário norte-americano estava subindo de forma regular, não tão eufórico e com pouca volatilidade nos últimos 7 meses. Porém, uma declaração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, adicionou elemento explosivo, causando pânico não somente em Wall Street, mas no mundo inteiro.

Quebrando uma tradição de longa data, Trump atacou a independência do FED de forma estúpida. A autoridade monetária norte-americana é nada mais nada menos do que a melhor referência no mundo (e case de sucesso) para que outras sociedades possam lutar pela independência de seus respectivos banqueiros centrais.

Nesta última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos disse publicamente que o FED enlouqueceu, referindo-se ao aumento da taxa básica de juros para o intervalo entre 2% a 2,25% ao ano. Nesta quinta-feira, ao invés de tentar contornar mais um estrago provocado por suas declarações polêmicas, Trump reforçou o que disse no dia anterior afirmando que o FED está cometendo um grande erro ao elevar a taxa básica de juros.

As duras críticas de Trump à condução da política monetária do FED criam risco de interferência/influência política até então inexistente e impensável para uma economia de país desenvolvido. Não é incomum observar comentários de presidente ou primeiro-ministro em relação à política monetária de seu banqueiro central, mas as declarações de Trump fogem do comentário habitualmente aceitável e entram num terreno de ataque frontal.

Christine Lagarde, chefe do FMI, agiu rapidamente defendendo a independência da política monetária contra influência de líderes políticos, ponto fundamental para uma governança econômica eficaz e principal barreira disciplinadora de políticos (evitar criar dinheiro barato para interesses de curto prazo).

Jerome Powell, chair do FED, agora conhecido como líder dos loucos, precisa contra-atacar as declarações de Donald Trump com um discurso firme, defendendo a manutenção da independência do Banco Central, além de ratificar a estratégia de política monetária. A partir do momento em que o FED reagir, o clima no mercado pode até se acalmar, mas o atrito não deixará de existir, o que poderá prejudicar a própria estratégia de política monetária.

Nos momentos em que o FED subir os juros, o mercado pode encarar como uma sinalização de firmeza da independência da autoridade monetária e manutenção do cronograma de longo prazo (elevações graduais e desalavancagem do balanço). Porém, em momentos de parada/manutenção da taxa básica de juros (os aumentos não ocorrem em todas as reuniões de Comitê), o mercado pode encarar como uma sinalização de que houve interferência política na decisão do FED.

A reunião de Comitê a ser realizada em dezembro deste ano será a primeira prova de teste do pós-ataque de Donald Trump. Se o FED anunciar mais uma alta de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, conforme amplamente antecipado, uma sinalização positiva de firmeza e independência será enviada ao mercado, mas vai deixar o presidente dos Estados Unidos ainda mais furioso. O outro caminho (manutenção dos juros) é impensável neste momento, mesmo em situação de tensão nos mercados ou desaceleração da economia, já que o que está em jogo, ao menos por enquanto, é a força do FED contra a Casa Branca e não o cenário base de política monetária.

A taxa da Treasury de 10 anos recuou de 3,23% para 3,14% nesta sexta-feira, mostrando que o mercado começa calcular o fator da influência política sobre a taxa básica de juros. As compras sinalizam que o mercado, neste momento, não acredita que a taxa básica de juros possa ir longe demais, conforme projeções divulgadas na última reunião do FED.


Além de criar atrito desnecessário e quebrar uma tradição de boa vizinhança, Trump colocou o FED numa tremenda saia justa.

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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Nebulosidade aumenta no crescimento global


Apesar de não existir, neste momento, ameaça de recessão, o crescimento econômico global pode estar perdendo a pujança do passado recente. As novas e importantes projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o PIB não são animadoras.

A instituição anunciou redução de 3,9% para 3,7% na sua projeção de crescimento da economia global, tanto para 2018, quanto para 2019. O motivo da revisão negativa começa pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, onde os impactos começarão a ser mais nítidos a partir do ano que vem.

O PIB dos Estados Unidos tende alcançar 2,9% este ano, mas deve recuar para 2,5% em 2019. Na China, o PIB deve alcançar 6,6% este ano, ritmo muito abaixo dos velhos tempos de 10% ao ano, por sinal uma das principais válvulas de impulso ao crescimento de grandes economias exportadoras de commodities, como a nossa. Em 2019 os chineses devem crescer 6,2%, registrando mais um pequeno e preocupante mergulho.

Além da disputa comercial entre Estados Unidos e China, afetam o crescimento global desempenhos abaixo do esperado alcançados por economias como Japão e Reino Unido. Especialmente sobre os mercados emergentes desarrumados (como Turquia, Argentina, Indonésia, México, África do Sul e, sim, Brasil) existe pressão negativa adicional por conta das crescentes taxas de juros em títulos de renda fixa de baixo risco.

Na Turquia, por exemplo, o PIB vai praticamente zerar este ano (projeção de 0,4%), muito abaixo do crescimento de 3,5% alcançado em 2017. Na Argentina, importante parceiro comercial do Brasil, o caso é ainda mais dramático. Após registrar crescimento de 2,9% no ano passado, a economia argentina deve fechar este ano com recessão de 2,6%.

Outra situação delicada na Argentina está com o crescente endividamento do BCRA (autoridade monetária local). Numa tentativa desesperadora de conter a inflação e frear a fuga de capitais, o Banco Central da Argentina está pagando pouco mais de 70% ao ano aos investidores que compram Leliqs (títulos da dívida de curto prazo).

A cada nova venda de Leliqs, os passivos do BCRA aumentam substancialmente e os economistas locais já começam a se incomodar com o custo da dívida contraída pelo BCRA e sua capacidade de honrar com os compromissos no futuro. Se a estratégia do BCRA não funcionar nos próximos meses (ou seja, se a taxa câmbio continuar subindo e o humor no mercado continuar ruim), uma bolha de Leliqs impagáveis poderá estourar a médio e longo prazo na Argentina.

A imprensa brasileira evita entrar muito a fundo sobre o desesperador cenário macroeconômico argentino no momento atual, até porque estamos em período eleitoral e não faz sentido desviar o foco de nossos problemas estruturais graves (apesar de pouco debatido na campanha). De qualquer forma, além de solucionar os nossos sérios problemas, principalmente da ordem fiscal, temos de torcer por um desfecho menos traumático possível na Argentina.

O Brasil não soube pegar devidamente a carona do fortalecimento da economia global. Enquanto o PIB mundial crescia ao ritmo de 4% ao ano, patinávamos para sair de um longo período recessivo. Agora, com revisões negativas no global, resolvemos surfar a mesma onda.

Continuamos expert em cenários de desaceleração. Nesta série não perdemos nenhuma onda. A projeção do PIB brasileiro para este ano recuou para miseráveis 1,4%, razoavelmente inferior a última projeção do FMI de 1,8% para 2018. A projeção para 2019 está em 2,4%, também inferior ao levantamento anterior. Considerando o nosso longo histórico de frustrações negativas de crescimento, temos de comemorar muito se o FMI acertar a projeção para 2019.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Mercado vende mergulho do payroll, por enquanto


O payroll, relatório de emprego do governo norte-americano (o mais acompanhado e mais famoso do mundo), divulgado nesta sexta-feira, desafiou, mais uma vez, as leis da física do capitalismo.

Segundo dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, a taxa de desemprego recuou para incríveis 3,7%, o menor patamar dos últimos 49 anos. Mesmo criando apenas 134.000 novos empregos no mês passado, o número foi suficiente para provocar um recuo da taxa de desemprego de 3,9% para 3,7%.

A mediana das expectativas do mercado (superávit de 168.000 vagas), foi frustrada em função dos impactos do furacão Florence. Isso significa que, talvez, se nenhum furacão tivesse atingido os Estados Unidos no mês passado, a taxa de desemprego poderia ser ainda menor.

Na última ocasião em que a taxa de desemprego recuou fortemente nos Estados Unidos, o homem tinha pisado na Lua pela primeira vez na história. Sem dúvida não deixa de ser uma grande façanha para administração Trump, mas o mercado tem se mostrado receoso com tamanha força da economia norte-americana.

O primeiro e importante indicador está na própria taxa de desemprego. Nunca na história dos Estados Unidos a taxa de desemprego se manteve abaixo dos 4% por um longo período de tempo. No pós-guerra da década de 1950 a economia conseguiu sustentar um desemprego abaixo de 4% por alguns anos. Em todos os demais períodos, houve forte repique de alta do desemprego sempre quando a taxa caía demais.


A atual trajetória de recuo da taxa de desemprego também é considerada a mais agressiva da história para um período inferior a 10 anos. A taxa de desemprego recuou 6,3 p. p. em apenas 8 anos.

A economia norte-americana está claramente aquecida e operando ao pleno emprego. Não por acaso os ganhos médios por hora trabalhada seguem aumentando em cerca de 2,8% ao ano, o índice de confiança está no patamar mais elevado dos últimos 20 anos (próximo do nível recorde) e o PIB está perto de alcançar 3% neste ano (primeira vez em 13 anos).

Entretanto, muitos economistas ainda não conseguem explicar como isso tudo pode acontecer sem a inflação, sequer, ameaçar romper o centro da meta de 2% ao ano, mesmo depois de o balanço do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) ter subido significativamente de 900 bilhões de dólares em 2008 para 4,5 trilhões de dólares em 2014 (atualmente em 4,1 trilhões) e, ainda, com a reforma tributária de Trump aumentando ainda mais o dinheiro circulando na economia.


As últimas declarações de Jerome Powell, presidente do FED, dão a entender que a perspectiva para a economia segue muito positiva para os próximos anos, sem risco de recessão no radar, além de acreditar na possibilidade da manutenção de um quadro raro para a economia norte-americana, onde a inflação continuaria comportada em torno do centro da meta e a taxa de desemprego permaneceria ultrabaixa por um longo período.

O chair do FED está otimista e não demonstra preocupação com um possível cenário de superaquecimento da economia para os próximos anos. O mercado, por outro lado, tem adotado um tom mais cauteloso, se mantendo distante da Treasurys em partes por acreditar que, no futuro, o FED pode ser forçado a subir os juros repentinamente para conter o superaquecimento e, ainda, ter de limpar um balanço abarrotado de Treausyrs, títulos hipotecários, entre outros ativos, algo sem precedentes na história.

A famosa red line de 3% na Treasury de 10 anos foi simplesmente atropelada com violência pelo mercado nestes últimos dias, jogando o rendimento do título para 3,23% ao ano, o maior patamar dos últimos 7 anos. A superação deste importante patamar marca uma nova abertura na curva de juros futuros norte-americana, mantendo o mercado vendedor.


Perde dinheiro, neste momento, na marcação a mercado, quem está posicionado na ponta comprada em Treasury, já que as taxas estão em forte ascendência. Portanto, investidores e players de mercado, que especulam a favor da curva, estão sendo forçados a operar na ponta vendida para fazer dinheiro com as Treasurys (as mais líquidas do mundo).

Não há sinalização de interrupção nesta nova fase de abertura nas taxas de juros futuros, mas no momento em que a curva parar de abrir e/ou voltar a fechar nos Estados Unidos, as Treasurys poderão atrair forte demanda compradora, afetando fluxo em mercados desajustados ou vulneráveis, como o nosso.

Inegavelmente, o prêmio do bond norte-americano está ficando muito atrativo, tanto para o investidor/player local, quanto para o investidor/player estrangeiro. No futuro, o que será melhor, comprar título soberano mais seguro do mundo recebendo prêmio de cerca de 3,5% ao ano (taxa bem superior a inflação e acima do nível neutro estabelecido pelo FED) ou comprar título soberano brasileiro para receber prêmio de 6,5% na troca de dólares por reais?

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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

FED mira gordura para queimar


O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiu nesta última quarta-feira elevar a FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros) em 0,25 p.p., para o intervalo entre 2% a 2,25% ao ano. O mercado, cautelosamente preparado pela autoridade monetária, reagiu bem a decisão.

Sem surpresas, o FED está seguindo um caminho traçado há mais de três anos, antes mesmo de iniciar o ciclo de aumento na FFR. O destaque da reunião desta última quarta-feira ficou por conta da retirada do trecho do comunicado que mencionava o viés da política monetária.

Até ontem, o FED considerava que a política monetária operava em terreno expansionista. A partir de agora, a autoridade monetária considera que a política monetária deixou de ser expansionista, mas não mencionou no texto uma mudança para política restritiva. Entretanto, é algo que está no script para começar acontecer a partir de 2019.

O gráfico de pontos abaixo mostra a mediana de projeção para a FFR de cada um dos membros do Banco Central dos Estados Unidos. Pode-se notar que mediana está em ascendência para os próximos 3 anos. Em 2019 a FFR tende a se deslocar para 3,1% ao ano. Em 2020, a FFR tende alcançar máxima histórica desde a crise do sub-prime, aos 3,4% ao ano. Este patamar tende a se manter em 2021.


Entretanto, a projeção de longer run para a FFR recua para 3% ao ano, atualmente considerada a taxa de juro neutra (na qual o nível de juros mantém a inflação ancorada, não provocando estímulo e nem restrição ao crescimento econômico).

O fato de os membros do Comitê projetar taxa de juros neutra de 3% ao ano no longo prazo, porém, ao mesmo tempo, estimar um patamar superior ao ponto neutro em 2019, 2020 e 2021 (0,4 p.p. acima do juro neutro na máxima deste período) pode demonstrar um desejo por gordura na FFR.

Isso significa que o FED está muito confortável com o ritmo de crescimento da economia para os próximos anos, ao ponto de trabalhar uma política monetária levemente restritiva. A lógica em buscar gordura na FFR para os próximos anos é bastante simples: acumular bala/cartucho para ser utilizado/queimado no futuro.

A economia norte-americana acumula longa trajetória de crescimento sem passar por período de recessão. É improvável que o PIB continue em trajetória de crescimento ininterrupto durante toda a próxima década, apesar de não ser algo impossível. Independente do motivo, em algum momento poderá surgir uma pausa no crescimento norte-americano.

Quando este momento chegar, o FED terá bala/cartucho para utilizar/queimar, o que, entre outras palavras, significa cortar a FFR sem necessariamente provocar efeito colateral de aceleração da inflação, justamente porque existe gordura na taxa.

O fato de o FED sinalizar busca por uma FFR acima do patamar neutro para os próximos 3 anos não assustou o mercado, mas alguns banqueiros centrais de países emergentes agiram com precaução em resposta ao movimento do FED (Filipinas e Indonésia subiram suas respectivas taxas básicas de juros nesta quinta-feira).

A reação dos preços dos ativos de risco nas praças financeiras globais, a princípio, transmitiu sentimento positivo/serene nesta quinta-feira. Por mais que o cenário de longo prazo apresenta-se desafiador, a FFR tende a se manter abaixo do patamar de juro neutro até meados de 2019, o que pode gerar certo alívio temporário ou servir de pretexto para o mercado comprar mais tempo na tentativa de sustentar o ciclo da bonança.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Por que investir com a XP?


Cerca de um ano atrás a minha jornada de disseminação da cultura financeira no Brasil havia atingido um novo e importante patamar. Com a experiência adquirida pela longa trajetória de trabalho em bancos tradicionais brasileiros, aliado à curiosidade sobre o mercado de capitais, que por sua vez incentivaram estudos por conta própria por mais de uma década, este blog foi alimentado com alguns artigos sobre diversos assuntos relacionados ao mercado. Também escrevi um livro focado na dinâmica do mercado de capitais e expandi as minhas humildes escritas para outras fronteiras, atendendo convites do Jornal ADVFN e Investing.com Brasil.

Essa foi uma importante fase para ajudar propagar conhecimento, mas ainda sentia que pecava na eficácia e viabilidade de um auxílio mais próximo aos investidores e amigos(as) leitores do blog. A internet passou a conter muita informação de baixa qualidade ou mesmo indevida, o que me desagrada profundamente. Era o momento de me render ao bombardeamento de informações tóxicas ou dobrar a aposta e investir para viabilizar algo mais próximo e eficaz. O investidor precisa saber filtrar informações, se adaptar a dinâmica de mercado e estar preparado para realizar bons negócios. Não é uma questão de simplesmente trabalhar o emocional, mas sim de construir uma estratégia operacional fruto do perfil, estudo, treinamento e ganho de experiência. A melhoria de resultado surge com naturalidade ao longo dos anos.

A rápida compra do Itaú por metade da XP Investimentos foi o sinal verde para me ingressar nesse modelo de negócio diferente, inovador, justo, transparente e altamente eficaz. Foi nesse momento em que me tornei assessor de investimentos na JB3 Investimentos, escritório credenciado a XP Investimentos, e pude notar, desde então, o quão rápido a XP está se tornando numa gigante da indústria de investimentos brasileira. A quantidade de clientes que contam com a minha assessoria atualmente, por exemplo, também superou as expectativas que já eram otimistas.

Acredito que um bom assessor, sério, transparente e imparcial, não somente auxilia seus clientes a encontrar boas oportunidades de investimento, como também contribui para o crescimento e evolução do investidor no mercado de capitais. Essa é a minha proposta de trabalho e não tenho dúvida que posso ajudar ainda mais pessoas a investirem melhor suas merecidas e suadas economias, em busca de um futuro melhor e mais tranquilo.

Nada mais prudente do que fazer tudo isso sem cobrar nenhum centavo de nossos investidores. As assessorias de investimentos são gratuitas e a instituição financeira pratica política de taxa zero (custódia, retirada, entre outros), graças ao brilhante modelo de negócio criado pela XP.

Convido todos a conhecerem o mundo XP Investimentos e caso tenham interesse em contar com a minha assessoria, basta enviar e-mail manifestando interesse ( robson@jb3assessoria.com.br ) ou agendar uma conversa clicando aqui. Você vai receber uma ligação minha, sem compromisso, no dia e horário previamente agendado. 

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Por fim, termino este texto com uma mensagem de Luciano Huck:


Esse é o nosso espírito!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Banco Central abre a porta para subida da taxa Selic


Apesar de demonstrar apreensão com os riscos do cenário interno e externo, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta última quarta-feira manter inalterada a taxa básica de juros em 6,50%.

A decisão era amplamente esperada pelo mercado, que embora esteja exigindo mais prêmio no câmbio e juros futuros, sinalizando há algum tempo perspectiva de deterioração macroeconômica, reconhece as dificuldades de alteração na estratégia de política monetária nas vésperas das eleições presidenciais.

A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 30 e 31 de outubro, pouco tempo depois da possível realização de um segundo turno presidencial muito polarizado. O Banco Central pode estar postergando o início de um necessário ciclo defensivo de aperto monetário, o que não parece ser uma boa jogada, tanto do ponto de vista das condições de mercado (o receio com as praças emergentes é fato de momento e não uma perspectiva de risco para o futuro), quanto do ponto de vista político (ambiente doméstico com nervos à flor da pele após o desfecho eleitoral).

Este trecho logo abaixo extraído do comunicado divulgado após a reunião de Comitê deixa claro o desconforto da autoridade monetária com os aumentos dos riscos para o cenário base: "...por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos se elevaram".

Na verdade, o Banco Central está um pouco atrasado para reconhecer o impacto da frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas. Desde o momento em que o governo Temer desistiu de avançar com a reforma da previdência, o dólar tem se valorizado contra o real e os contratos de juros futuros voltaram abrir fortemente (proporcionando aumento das taxas futuras), criando uma diferença significativa sobre a taxa básica de juros, numa magnitude nunca antes vista nesta década.

Os prêmios de risco já estão afetados (elevados) quando comparado ao praticado no início deste ano e não há sinalização de reversão. Também não se esperava manutenção da trajetória de desaceleração da inflação, mesmo no horizonte relevante para a política monetária, seja pela retomada do crescimento, seja pelo impacto do dólar sobre as importações. Pelo contrário, a perspectiva é de aceleração da inflação. Além disso, a deterioração do cenário externo está mal explicada no comunicado, pois o foco de tensão global paira apenas sobre economias emergentes altamente endividadas em moeda estrangeira e/ou desajustadas.

Independente disso, o Banco Central sinalizou que a porta está aberta para uma elevação da taxa Selic no horizonte próximo, reforçado por este trecho do comunicado: “O Copom reitera que a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora.”

A projeção atual do mercado para inflação de 2019 não está tão baixa quanto o vagaroso ritmo de crescimento e já se próxima da meta de 4,25% a ser perseguida pelo Banco Central. Quando o impacto do recente fortalecimento do dólar começar a desembarcar na economia brasileira, as projeções dos agentes para a inflação tendem a subir ainda mais. Além da piora nas projeções de inflação, o balaço de risco (preços dos ativos, reformas não aprovadas, entre outros) também se agravou.

Portanto, a piora de cenário traçado pelo Banco Central, que poderia exigir uma resposta de aperto gradual na política monetária, não é um risco para o futuro como aparenta ser no comunicado, mas sim um fato consumado. A taxa Selic, atualmente em 6,50%, pode estar com os dias contados.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Alarme de flattening nas treasurys é acionado


Poucas semanas depois de um discurso muito otimista de Jerome Powell, presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), as taxas de juros das Treasurys voltaram abrir com força. Este novo movimento chama atenção por surgir num momento delicado.

O clima no mercado financeiro global já está mais pesado por conta do sell-off na bolsa de Xangai, além do recente nocaute sofrido pela Turquia e Argentina. Os banqueiros centrais que não estão em alerta máximo, deveriam estar.

Powell foi pego no contrapé. Durante o importante simpósio anual de política monetária do FED, realizado em Jackson Hole, o chair da autoridade monetária norte-americana passou impressão de estar com o mercado sob controle, com números de crescimento econômico, inflação e taxa de desemprego muito favoráveis na mão.

Entretanto, nesta semana, o mercado desarmou o diagnóstico otimista de Powell com o novo rali nas taxas de juros dos títulos do Tesouro norte-americano. Os números macro ainda podem ser positivos, mas os números dos negócios no mercado de bonds mostram perigo à vista.

A taxa de juros da Treasury de 2 anos, até então lateralizada e comportada, voltou abrir fortemente nos últimos dias, renovando novo recorde do ano. Até o final do mês passado, a taxa estava ancorada em 2,60% ao ano, patamar não muito confortável, porém sem apresentar risco de flattening.


Nos últimos dias, a taxa saltou 0,16 p.p. de forma rápida e agressiva, fechando o pregão desta última terça-feira aos 2,76% ao ano. A taxa de juros da Treasury de 10 anos também voltou a subir, se aproximando novamente da famosa red line dos 3% ao ano.

Gestores de Wall Street estão sempre de olho entre o spread da Treasury de 2 anos com a Treasury de 10 anos, simplesmente porque todas as recessões ocorridas desde 1960 foram precedidas por inversão clássica na curva, ou seja, taxa de juros de 2 anos em ascensão, superando a taxa de juros de 10 anos.

Prêmio mais elevado na ponta curta, comparado ao prêmio menor praticado na ponta longa, normalmente é considerado uma sinalização relevante de alerta. Tanto por um risco negativo iminente para o quadro macroeconômico, quanto por uma reação aos preços dos ativos supostamente desenquadrados dos fundamentos (na avaliação do mercado).

Pode ser mera influência do estresse na Argentina e Turquia, do pouco comentado sell-off na bolsa de Xangai, da disputa comercial entre Donald Trump e Xi Jinping, do BCE (Banco Central Europeu), que está preparando sua rota de desalavancagem, da própria expectativa para a economia norte-americana, onde alguns analistas suspeitam de superaquecimento, ou do conjunto de todos esses fatores.

Fato é que as curvas voltaram abrir, e forte, bem na espinha dorsal do sistema financeiro mundial. Com este novo movimento, o alarme de flattening nas treasurys está acionado, podendo acentuar o impacto generalizado já observado (taxas de juros mais elevadas, depreciação de moedas, mercados acionários mais voláteis) nas demais economias do planeta (tanto desenvolvidas, quanto emergentes).

O spread entre a Treasury de 2 anos (linha preta) verus Treasury de 10 anos (linha vermelha) está em apenas 0,22 p.p. A distância já foi menor no final do mês de julho, porém com a taxa de 2 anos lateralizada e a taxa de 10 anos recuando, apresentava pouco risco de flattening.


O cenário mudou drasticamente neste momento, com ambas as curvas abrindo fortemente. Além disso, a Treasury de 2 anos já consegue acumular dois meses de ganho mais forte, ratificando uma trajetória de curva consistentemente acima da Treasury de 10 anos, aumentando o risco de flattening, que se confirmado, poderá alterar a dinâmica de mercado que estávamos acostumados a observar nos últimos nove anos.

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

A novidade da renda fixa no primeiro ETF de renda fixa


O mercado financeiro nacional comemora, muito timidamente, e com razão, o lançamento do primeiro ETF de renda fixa no Brasil. Gerenciado pelo grupo Mirae Asset Global Investments, o ETF tem objetivo de replicar o desempenho do S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 Anos ER.

Os inegáveis pontos positivos deste primeiro ETF de renda fixa estão na razoável taxa de administração (mínimo de 0,30% ao ano e máximo de 0,40% ao ano), possibilidade de negociação no mercado secundário (pregão da B3) com apenas uma única cota (atualmente negociada em R$ 10,05) e, principalmente, benefício fiscal. Não haverá incidência de come-cotas, como ocorre nos fundos de renda fixa negociados nas prateleiras de bancos e corretoras. Além disso, não haverá aplicação da tabela regressiva. A alíquota de imposto de renda será de 15%, independente do período de investimento no ETF.

Existe grande potencial para o mercado de ETFs de renda fixa crescer no Brasil. Cerca dos 4,3 trilhões de reais pertencentes à indústria de fundos no país, 1,9 trilhão está alocado em fundos da classe de renda fixa. Grande parte deste capital alocado em fundos da classe de renda fixa está sob domínio de gestores que cobram elevada taxa de administração e, ao mesmo tempo, entregam rentabilidade inferior ao CDI.

O código BM&FBovespa deste primeiro ETF de renda fixa é pouco prático e difícil de ser lembrado: FIXA-ETF01L1. Se você quiser observar o book de ofertas, ver o gráfico ou mesmo negociar este ETF, precisará digitar esta “longa senha” para passar pela porta secreta do mercado de renda fixa criada nesta segunda-feira.

Bom seria se este fosse o único ponto negativo deste primeiro ETF. A metodologia do índice de referência não tem nada a ver com a oscilação de preços dos contratos de juros futuros, nem com os preços dos títulos do Tesouro Direto, nem com o mercado de renda fixa pós-fixado. Algo inédito para muitos investidores brasileiros.

Pelo que se observa nas matérias veiculadas nas mídias especializadas em mercado financeiro, entende-se que S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 Anos ER é uma espécie de réplica da oscilação de preço do contrato de juros futuros com vencimento em 3 anos, o que está completamente errado.

O índice, calculado pela S&P, mede o retorno de uma carteira de contratos de juros futuros corrigida pelo mecanismo de excesso de retorno. De forma bem resumida e grosseira, o excesso de retorno mostra o nível de um índice subtraído pelo custo de financiamento/empréstimo (CDI) que um investidor teria ao investir neste índice.

A novidade neste ETF de renda fixa é justamente fazer a réplica de um índice de renda fixa com metodologia de excesso de retorno, algo inicialmente de difícil entendimento. O índice vai medir o retorno do DI1 de 3 anos a 2 anos e 6 meses corrigido pela Taxa DI-Cetip (CDI). Isso significa que o ETF, que precisa seguir o deslocamento do índice de referência (S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 Anos ER), vai ter uma dinâmica diferente do pós-fixado, do pré-fixado Tesouro Direto (cai de preço quando a taxa sobe) e do pré-fixado contrato futuro - DI1 (sobe de preço quando a taxa sobe).

Utilizando como exemplo o gráfico do contrato de juros futuros com vencimento em 2021, pode-se observar que no dia 20/04/2018 a taxa foi negociada aos 7,85% ao ano. No dia 14/06/2018 a taxa foi negociada aos 10,50% ao ano. Um investidor que comprou DI1F21 no dia 20/04/2018 e vendeu (liquidou) DI1F21 no dia 14/06/2018 teria embolsado lucro de quase 35% na operação. Um investidor que comprou LTN 2021 no dia 20/04/2018 e vendeu (liquidou) LTN 2021 no dia 14/06/2018 teria assumido prejuízo de quase 35% na operação.


Já no S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 Anos ER a oscilação no período foi bem diferente, conforme pode-se notar nos gráficos abaixo. Pontuação do índice de referência no dia 20/04/2018:


Pontuação do índice de referência no dia 14/06/2018:
  

A variação deste ETF de renda fixa teria sido, portanto, de pouco menos de 5% negativo neste mesmo período, justamente por conta da complicada metodologia de cálculo diferenciada.

O primeiro ETF de renda fixa pode não ter sucesso por conta da metodologia que apresenta uma novidade de cálculo que o brasileiro não está acostumado a fazer. Entretanto, o próximo ETF de renda fixa pronto para sair do forno, com apoio do Tesouro Nacional e Banco Mundial, será mais prático e de fácil entendimento.

No primeiro semestre de 2019 o Itaú Asset Managment deverá lançar o ID ETF, com taxa de administração de 0,25% ao ano e objetivo de replicar o índice IMA-B, que por sua vez representa a oscilação de preço de uma carteira composta por NTNBs. Simples, objetivo e barato.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O mito vira mártir


Jair Bolsonaro, candidato à presidência de república, conhecido como o mito pelos seus apoiadores/seguidores, acaba de se transformar em um mártir brasileiro. De forma lamentável e inadmissível, Bolsonaro foi esfaqueado na tarde desta quarta-feira durante campanha na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

O profundo golpe de faca, lesionando o intestino grosso e delgado, além de uma veia abdominal, deixa o candidato à presidência em risco de vida e pode sinalizar uma tentativa de assassinato. O agressor, devidamente preso em flagrante, é um homem de 40 anos que foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014 e teve passagem pela polícia em 2013 por lesão corporal. O ataque teve motivações políticas e religiosas.

O evento ocorrido nesta quinta-feira gera impacto político relevante. A agressão covarde, de cunho ideológico, transforma Bolsonaro numa vítima da polarização no país. Muitos, que não admitiam pensar na hipótese de votar em Bolsonaro, provavelmente o farão por pura e simples comoção.

Diante de atentados ou atos covardes, o ser humano tende a se comover a favor da vítima e se revoltar contra o agressor. Bolsonaro entra para a história da política brasileira se tornando um mártir na eleição mais imprevisível desde o processo de redemocratização. O fato de a agressão ter partido de um ex-filiado do PSOL joga por terra o discurso de vitimização capitalizado pela esquerda.

A partir de agora, Bolsonaro terá motivos mais do que suficiente para roubar parte (ou boa parte) dos votos dos eleitores que se sentem indignados ou vitimizados, que até então pareciam refletir esse sentimento na candidatura folclórica de Lula. Além disso, os concorrentes de direita, como Geraldo Alckmin, João Amoedo e Henrique Meirelles, terão de moderar o discurso contra Bolsonaro em suas respectivas campanhas, ou focar ataques em outras figuras na tentativa de colher votos.

Nenhum político, aliás, se sentirá confortável para subir o tom ou atacar firmemente Bolsonaro após o evento desta quinta-feira, que pode ser encarado como um atentado à democracia ou um crime político. Pelo contrário, a chance de os opositores almejarem votos, neste momento, é se solidarizando com Bolsonaro.

Os cálculos de investidores e players de mercado, neste momento, não se referem à chance de Bolsonaro ir ao segundo turno, mas sim de o candidato alcançar uma vitória já em primeiro turno. Até alguns dias atrás, o risco de vitória em primeiro turno era da esquerda. Por conta disso houve uma mistura de moderação imediata após o evento e posterior alvoroço nos preços dos contratos futuros negociados após o fechamento do pregão à vista.

Eventos desta magnitude possuem elevado ganho de capital político. Muitos no mercado começam a traçar paralelo de Bolsonaro com a família Kennedy. Eleito presidente dos Estados Unidos em 1960, John Fitzgerald Kennedy (para muitos, John F. Kennedy), foi assassinado em 1963 em Dallas, no Texas, por disparos de um ex-fuzileiro naval. A disputa presidencial de 1960, contra Richard Nixon, foi considerada uma das mais disputadas da história.

O assassinato de John F. Kennedy gerou grande comoção nacional por um longo período, ao ponto de projetar seu irmão mais novo, Robert Francis Kennedy, a candidato para eleição presidencial de 1968. Robert F. Kennedy venceu as primárias do partido Democrata, se portando como forte candidato à eleição presidencial, mas não conseguiu concorrer ao pleito, pois foi assassinado por um imigrante palestino.

A tragédia da família Kennedy é um dos casos mais relevantes de comoção política no mundo. É diferente em alguns aspectos quando se compara com o caso de Bolsonaro, mas os elementos-chave são semelhantes. Cenário de polarização elevada, tentativa de assassinato, evento catalisador de sentimentos de boa parte da população e fato provocador de forte e longa exposição à mídia.

Pode transparecer muita frieza tratar sobre esses assuntos, mas é isso que os investidores e players de mercado estão estudando neste exato momento. As luzes estão acesas nos escritórios das assets. Por fim, fica o desejo de pronta recuperação a Jair Bolsonaro, o mito que virou mártir.

Esse texto não deve ser considerado uma intenção de voto pessoal, nem inclinação a determinado político ou partido, mas, talvez, um alerta para manutenção do Estado democrático de direito.

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