segunda-feira, 16 de julho de 2018

Fim da farra nas commodities


Sumidos do mercados de ações, bonds e moedas, os ursos estão mais concentrados, recentemente, no mercado de commodities. O call macro para abertura de posições vendidas começou no mês passado quando os países membros da Opep e a Rússia concordaram em aumentar a produção de petróleo.

A produção estava artificialmente reduzida há mais de um ano, quando os maiores produtores de petróleo do mundo entraram em acordo para forçar o aumento do preço do barril. O esforço no corte de produção funcionou e foi potencializado pela redução mais pesada na produção da Venezuela, Líbia e Angola (por motivos políticos e econômicos locais).

O cenário ficou propício para uma alta significativa no preço do barril de petróleo. O barril do tipo Light, negociado nos Estados Unidos, saiu de 42,05 dólares em junho do ano passado para uma máxima de 75,27 dólares neste ano. O barril do tipo Brent, negociado no Reino Unido, saiu de 44,35 dólares para uma máxima de 79,56 neste ano.

  
A arrancada no preço do barril de petróleo beneficiou os grandes países exportadores, mas também criou desgaste no ambiente macro global, especialmente com os Estados Unidos. Os norte-americanos pressionavam por um aumento de produção na Opep, acusando a Organização de manter preços artificialmente altos.

A Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos e uma das maiores produtoras de petróleo, já estava “convencida” a aumentar a produção. Havia um impasse apenas com o Irã, que foi vencido na reunião do mês passado. Desde o início deste mês, os países membros da Opep estão autorizados a produzir mais um milhão de barris de petróleo por dia, o que equivale a 1% da produção mundial.

Além disso, surgiram relatos de que a Arábia Saudita estaria oferecendo petróleo extra a alguns países na Ásia, aumentando a percepção de um possível aumento brusco no nível de oferta de petróleo no mercado, que até alguns meses atrás operava com déficit de oferta.

Outro destaque está no fortalecimento do presidente russo, Vladimir Putin, no cenário geopolítico. Putin aproveitou a copa do mundo para se encontrar com o príncipe saudita Mohammed Bin Salman, onde possivelmente articulou estratégias para calibrar a oferta de petróleo no mercado, atendendo desejos de várias lideranças políticas mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ao assumir o papel de articuladora para o recente aumento da oferta de petróleo, a Rússia tenta retomar espaço, credibilidade e poder de influência, principalmente no mundo ocidental, onde a imagem estava mais desgastada.

Um forte gesto de retribuição foi emitido hoje por Donald Trump, ao afirmar que não vê motivo para acreditar mais em suas próprias agências de inteligência sobre uma suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas.

Putin e Trump se reuniram hoje em Helsinque, na Finlândia. Os dois líderes sinalizaram que podem trabalhar em conjunto para regular os mercados de petróleo e gás, reforçando o desejo das duas potências para redução dos preços do petróleo.

O gesto inesperado entre os dois líderes aumentou ainda mais a pressão vendedora sobre o barril de petróleo. Somente nesta segunda-feira, tanto o barril do Light, quanto o do Brent, tombaram mais de 4%.

A queda brusca no barril de petróleo está criando pânico no mercado de commodities e arrastando outras matérias-primas para baixo. O índice CRB Jefferies Reuters, uma das principais referências no segmento de commodities, perdeu a média móvel simples de 200 períodos diária.


A perda de uma importante média acompanhada por vários gestores e traders globais ratifica o cenário de mercado bearish para as commodities já constatado algumas semanas atrás através da perda de um importante canal de alta, com clássico movimento de pullback (círculo preto) no mesmo ponto da formação de um topo descendente dentro de um canal de baixa criado recentemente.

Com o movimento desta semana, o índice CRB detona mais um pivot de baixa com ausência de regiões de suporte relevante. Apesar de Putin já ter expressado conforto com o preço do barril do Brent em 60,00 dólares é impossível, neste momento, estimar ponto de equilíbrio no mercado de commodities.

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4 comentários:

  1. Interessante que na mídia só vejo gente criticando o Trump após a reunião com o Putin em Helsinque. Não entendo como a queda do preço do barril de petróleo pode ser ruim para a economia mundial, exceto talvez para a Venezuela e o Irã. Vejo muitas críticas à atitude do Trump em não reconhecer a interferência russa nas eleições de 2016, mas ninguém parece dar atenção ao fato de que, não fosse a "diplomacia" entre os dois presidentes, a Rússia dificilmente aceitaria o aumento da produção de petróleo (se ele agisse como queriam os democratas, o Putin provavelmente recusaria só de "birra"). Excelente análise, FI.

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    1. Para chegar neste ponto, talvez a postura da mídia seja por pura e simples antipatia. Trump está defendendo os interesses dos Estados Unidos nas relações comerciais (onde o déficit é gigante) e mesmo assim é fuzilado pela maior parte da imprensa. Vai entender rs...

      Abs,

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  2. pois é. uma curiosidade, a demanda da China por metais, como está? Parece que a China vai ter que "desalavancar" o crescimento puxado por obras gov tb. Um dia a conta chega.

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  3. B dia FI,

    Ótimo artigo como sempre. Deu uma luz sobre um assunto que não importasse p onde olhasse só via a grande mídia criticando Trump

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