sexta-feira, 27 de julho de 2018

Soluço das techs se restringe a Wall Street


Os investidores norte-americanos estão assustados com mais uma forte onda vendedora abatendo algumas ações populares do setor de tecnologia e internet. Como na última ocasião, a nova crise começou com o carro-chefe das famosas FAANGs (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google).

Nesta última quinta-feira, as ações do Facebook mergulharam para os 174 dólares, após registrar máxima recorde aos 218 dólares no dia anterior. Em um único dia, o Facebook perdeu cerca de 120 bilhões de dólares em valor de mercado. Essa frase assustou muitos investidores norte-americanos que adoram operar FAANGs e também ajudou vários sites de notícias angariar page views ($$$) com um assunto a princípio chocante.

Curioso, mas não tanto, notar que, no resto do planeta, o ambiente predominante nas últimas semanas observado no mercado de capitais se manteve. Ou seja, clima otimista, fluxo comprador em ativos de risco. Mais uma semana positiva. Nada mudou com o novo soluço das techs.

Ao observar o histórico das ações do Facebook, pode-se notar que a perda de 120 bilhões de dólares em valor de mercado é considerada dinheiro de pinga, por incrível que pareça. O papel era negociado a 44 dólares cerca de 5 anos atrás.


Continua sendo um bom negócio até mesmo para os investidores que entraram atrasados na festa em 2018. Mesmo com a queda desta semana, as ações do Facebook continuam sendo negociadas acima da mínima registrada no mês de março deste ano.

As ações do Twitter, outra tech muito utilizada nas operações de curto prazo dos investidores norte-americanos, despencaram para 34 dólares nesta sexta-feira, após alcançar 44 dólares na última quarta-feira.

A forte queda das ações do Facebook e Twitter foi motivada por balanços trimestrais decepcionantes. Embora o mundo virtual possa estar passando por um mau momento, o mundo real da economia norte-americana segue de vento em popa.

O PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos cresceu à taxa anualizada de 4,1% no segundo trimestre de 2018, registrando o melhor ritmo de crescimento dos últimos quatro anos. Donald Trump, que completou um ano de mandato no mês de janeiro deste ano, tem motivo de sobra para comemorar. Triunfou sob o pessimismo da imprensa local, foi eficaz ao implementar uma agenda econômica polêmica e conseguiu manter o clima positivo na economia mesmo com movimentos ousados no campo geopolítico e, principalmente, nas relações comerciais com outros países.

Trump afirmou nesta sexta-feira, com razão, que os Estados Unidos são a inveja econômica do mundo. Taxa de desemprego em apenas 3,9% (mínima histórica), inflação ancorada na meta de 2% e PIB robusto. Os três principais elementos econômicos que afetam diretamente as vidas das famílias (e elegem presidentes) rodam, ao mesmo tempo, no melhor cenário possível.

Se existe algum ponto positivo de estar no grupo dos invejosos é que, ao menos, a robustez da maior economia do planeta tende a puxar para cima o crescimento de vários outros países. Não por acaso, o humor positivo prevaleceu em várias praças financeiras mundiais nesta semana, tanto as desenvolvidas, quanto as emergentes.

Wall Street sacudiu com as techs, pois são ações populares muito utilizadas por investidores locais. De qualquer forma, o soluço não tirou o brilho do movimento de recuperação do S&P500, iniciado no mês de abril deste ano. Já o mundo respira aliviado com os Estados Unidos, até porque a potência número 2 (China) tem se concentrado em apagar incêndios dentro de casa. Ao menos uma grande economia parece estar indo bem.

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10 comentários:

  1. Ué o homem não ia fazer a 3° guerra mundial kkk
    Vamos ver até onde esse ciclo vai... será que lá é como cá ,no segundo mandato vem os podres ?

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    1. Lá o macro é muito mais arrumado do que aqui. Vamos ver rs..

      Abs,

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  2. Excelente análise, como sempre. Keep it up!

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  3. O apogeu vem antes da queda?

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    1. Somente o Sr. Mercado tem essa resposta rs..

      Abs,

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  4. Ah se soubéssemos pegar carona com essa subida americana...

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    1. Exato, inclusive os norte-americanos já tentaram várias aproximações. Nós é que não fomos muito receptivos nas ocasiões. Talvez excesso da cultura "anti-americano".

      Abs,

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  5. Finanças, você acha que esses movimentos do Trump (que tem gerado resultados positivos até o momento) não podem ter algum paralelo com o que foi feito no início do mandato da Dilma (ações de curto prazo que vão apertar no calo mais à frente)?

    Como você mencionou em post anterior, quem bater de frente com os EUA provavelmente sairá perdendo, mas será que as consequências destes movimentos do Trump não serão pior no longo prazo?

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    1. Difere da estratégia adotada pela Dilma. Trump reduziu a carga tributária de forma generalizada. Dilma concedeu benefícios tributários a determinados grupos, o que acabou elevando o clima de insatisfação da parte que ficou de fora da festa. Sobre a estratégia protecionista de Trump, as consequências de longo prazo dependerão do nível de reversão do déficit comercial dos Estados Unidos. Precisamos avaliar os impactos na economia quando a balança estiver menos desfavorável aos Estados Unidos. Por enquanto, não há como traçar cenário de longo prazo, apesar de no momento não existir nada muito adverso.

      Abs,

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