segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Donald Trump vence mais uma grande batalha


Está ficando cada vez mais difícil para a imprensa norte-americana sustentar argumentos políticos/econômicos contra o presidente Donald Trump. A Casa Branca surpreendeu o mundo novamente nesta segunda-feira ao anunciar um novo acordo comercial com o México, fruto de um movimento ousado e muito criticado no passado.

Cumprindo mais uma promessa de campanha, Trump anunciou cerca de um ano atrás a intenção de acabar com o Nafta e construir um novo acordo comercial mais favorável aos Estados Unidos. Um ano depois, após várias rodadas de negociações, os norte-americanos conseguiram chegar ao consenso com os mexicanos.

O novo pacto será conhecido como Acordo de Comércio Estados Unidos-México, substituindo o antigo Nafta. O acordo poderá ter a inclusão do Canadá, que não estava participando das rodadas de negociações. No entanto, o escritório da ministra canadense do Exterior, Chrystia Freeland, informou em nota após a notícia que sua ministra vai viajar a Washington amanhã para dar início às conversas.

Trump tem motivos de sobra para comemorar, pois o novo acordo parece ser mais favorável aos norte-americanos, além de fortalecer toda região. Entre os principais termos do novo pacto, destaque para obrigatoriedade de fabricação de 75% do conteúdo automotivo nos Estados Unidos ou México, superior aos atuais 62,50%.

O acordo também oferece mais direitos aos sindicatos mexicanos, além de exigir que 40% a 45% do conteúdo automotivo seja fabricado por trabalhadores que ganhem pelo menos 16 dólares por hora, ponto importante para frear o forte êxodo de indústrias dos Estados Unidos para o México observado nos últimos 20 anos.

Avanços também foram realizados a fim de melhorar o comércio agrícola na região. As novas regras manterão acesso livre de obrigações a bens agrícolas de ambos os lados da fronteira, eliminando barreiras não tarifárias para encorajar mais o comércio. O acordo tende a beneficiar fazendeiros norte-americanos, que operam com uma estrutura mais moderna, mecanizada e de maior escala. Por outro lado, não é tão prejudicial aos mexicanos, que vão apenas, aos poucos, fazer menos negócios com fornecedores de outros países, fora da região, para fazer mais negócios com fornecedores agrícolas norte-americanos.

Fechar acordo com os mexicanos foi importante, também, para pressionar o Canadá ainda mais, que atualmente é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos. Até então os canadenses estavam fazendo o possível para manter as condições do novo acordo semelhante ao "padrão Nafta".

Agora, com duas partes do bloco chegando ao consenso, os canadenses ficaram em desvantagem e podem sofrer uma negociação mais dura com os norte-americanos. Nas negociações que serão retomadas nesta semana, os Estados Unidos chegam para a mesa com um acordo selado na mão, restando ao Canadá fazer o possível para se manter dentro do bloco e transformá-lo numa espécie de Acordo de Comércio Estados Unidos-México-Canadá.

Apesar da necessidade de aprovação pelo Congresso dos Estados Unidos, o acordo não deixa de ser mais uma grande vitória de Donald Trump. Poucos acreditaram na possibilidade de renegociação do Nafta, concretizada hoje. Trump tinha as cartas na mão e precisou apenas pressionar para conseguir algo, a princípio, melhor para os norte-americanos.

Além disso, Trump quebra um pouco a imagem de protecionismo com o anúncio de um novo acordo comercial. Demonstra ao mundo que os Estados Unidos não querem fechar as portas para o comércio, mas sim reduzir seu enorme déficit na balança comercial e realizar transações mais justas para ambas as partes.

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3 comentários:

  1. Olá, F.I, como vai meu amigo?
    Rapaz, está ficando difícil entender os seus artigos sobre o Trump.
    a) Primeiramente, e procurei confirmar isso em várias fontes, o presidente Mexicano (que diga-se de passagem será substituído em poucos meses) disse repetidamente que o NAFTA continua e que o México quer negociações tri-laterais. Portanto, o acordo, mas se assemelha a um “protocolo de intenções”.
    b) Em segundo lugar, e obviamente não li o documento, mas citando o seu próprio texto, as grandes mudanças foram “Entre os principais termos do novo pacto, destaque para obrigatoriedade de fabricação de 75% do conteúdo automotivo nos Estados Unidos ou México, superior aos atuais 62,50%.” Certo, uma política de conteúdo nacional, qual a grande vitória aqui?
    c) Outra “O acordo também oferece mais direitos aos sindicatos mexicanos, além de exigir que 40% a 45% do conteúdo automotivo seja fabricado por trabalhadores que ganhem pelo menos 16 dólares por hora, ponto importante para frear o forte êxodo de indústrias dos Estados Unidos para o México observado nos últimos 20 anos” Qual é a diferença disso em relação ao desenvolvimentismo a la brasileira? Ora, ao estabelecer preço mínimo de salários (isso sim é uma grande intervenção estatal na economia) de uma cadeia produtiva, isso não pode artificialmente criar empregos nos EUA à custa de perda de produtividade dessas mesmas empresas? Aí é o que os austríacos gostam de falar “o que se vê, e o que não se vê” desse tipo de medida na economia. Mas o ponto nem é esse, já que os EUA são um país rico, eu gostaria de saber por qual motivo, se isso é uma vitória para o Trump, qual o motivo de frenesi no país quando se diz que os sindicatos devem ser fortalecidos, e que os patrões brasileiros devem pagar mais aos trabalhadores com carteira assinada (o que com certeza melhora a vida de quem tem carteira assinada e piora de quem não tem, que segundo a PNDA contínua é um número gigantesco https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/21943-pnad-continua-taxa-de-desocupacao-foi-de-12-4-no-trimestre-encerrado-em-junho), geralmente é taxado de um discurso “socialista” ou “de esquerda”. É preciso ter coerência aqui.
    d) Por fim, esse é o temível NAFTA que foi um dos piores acordos dos quais os americanos participaram? Se mexe em algumas condições, e isso é um novo acordo, e não apenas pequenos ajustes no anterior? Isso é bravata a La Trump, F.I.
    e) É como o “acordo” com a Coréia do Norte, bom para o ego do Trump, talvez para as câmeras, mas em essência basicamente inócuo, como qualquer analista sério já teria notado.

    O TRUMP na vedade está apenas “surfando” na recuperação econômica que vem desde 2009-2010, no começo da administração OBAMA. Os mesmos problemas do balanço do FED continuam, fazia tempo que não via o CAPE-SCHILLER está em inacreditáveis 33 (https://www.gurufocus.com/shiller-PE.php), a última vez que tinha visto tinha passado os 30, sendo que o P/E está acima de 25. Ou seja, a sobreprecificação continua avançando, assim como o Bull Market.

    Um abraço F.I.!

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    1. Fala meu amigo! Mais uma vez muito obrigado, sempre trazendo excelentes comentários! Não tenho menor dúvida que o Trump está aproveitando pontos positivos entregues pela administração anterior. Mas discordo da hipótese de que Trump estaria apenas surfando a recuperação econômica do governo Obama. Deve-se reconhecer três pontos de suma importância, na minha avaliação:

      (i) Trump soube administrar muito bem a passagem de bastão, superou o clima de pessimismo criado pela mídia local. Não só manteve a o nível de confiança do consumidor (indicador de extrema relevância para os Estados Unidos que depende muito do consumo interno), que já estava alto, como conseguiu aumentá-lo ainda mais. A última medição do Conference Board disponível no Investing.com está em 133,4 bem acima da média do governo Obama, máxima desde a crise de 2008 e muito próxima de alcançar o recorde histórico. Quando Trump tomou posse, o Conference Board estava em 111,6. Conseguir este feito é difícil para qualquer presidente, ainda mais num cenário onde a pressão negativa da mídia é muito intensa. Portanto, mérito para equipe econômica do governo atual.

      (ii) PIB versus Taxa de Juros versus Inflação. A taxa de crescimento do PIB acelerou no governo Trump, mostrando que o processo de recuperação da economia ganhou ainda mais força. Neste 2 TRI/18 a economia cresceu no ritmo mais rápido dos últimos quatro anos, o que pode ser um reflexo da agenda América Primeiro. É um crescimento orgânico, puxado tanto por aumento de consumo, quanto por aumento de investimento do setor privado. Tenho dúvida quanto à manutenção deste forte ritmo de crescimento para o futuro, mas mesmo considerando desaceleração de aproximadamente 0,5 p.p. no PIB, ainda estaria de ótimo tamanho para uma economia como a norte-americana, passando por um longo período sem recessão, o que não é trivial. Mais curioso é que a economia conseguiu se fortalecer mesmo com o início da desalavancagem financeira do FED (que ainda é muito lenta) e aumento da taxa básica de juros, que está em ritmo mais rápido do que os aumentos ocorridos no final da administração Obama, apesar de as doses ainda serem pequenas (acho que a dosagem não muda tão cedo). Com tudo isso, a inflação continua ancorada ao retor da meta, muito (e atipicamente) comportada, sem apresentar sinal de superação dos 2% a serem perseguidos pelo FED, mas também sem esboçar sinal de retorno para níveis muito baixos (que seria um ponto preocupante). A inflação, portanto, está no patamar perfeito, nem muito baixa, distante da meta, nem muito alta, acima da meta.

      (iii) Taxa de desemprego em torno de 4% ao ano, nível bem mais baixo do que o observado na administração Obama, colada na mínima da década de 1990, que está entre os níveis mais baixos da história.

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    2. Sobre o acordo, acho que o presidente mexicano menciona o Nafta por questões políticas. Na prática, o Nafta não existe mais, foi reformulado. Trump escolheu outro nome (além da questão política) talvez para dar mais ênfase de que a partir de agora vai predominar um novo acordo, que não é tão diferente do anterior, mas apresenta algumas mudanças relevantes, não por acaso precisa ser aprovado pelo Congresso.

      A política de conteúdo local, partindo de 62,5% para 75% vai criar mais impulso para a manufatura. A grande vitória será na redução das importações de peças de outros países. Não é uma guinada, nem um movimento brusco, a restrição já existia e funcionava perfeitamente, apenas houve redução na margem de tolerância.

      Certamente a exigência de 40% a 45% do conteúdo automotivo fabricado por trabalhadores que ganhem pelo menos 16 dólares por hora é uma forte intervenção estatal. Concordo plenamente e não difere da agenda do governo Dilma. Pode criar artificialmente empregos nos EUA, não necessariamente a custa de perda de produtividade dessas mesmas empresas, pois as condições de negócio nos Estados Unidos melhoraram com a redução da carga tributária e redução dos custos de energia. É um mercado de mão de obra qualificada e com boa infraestrutura. Isso não significa que a intervenção é bem vinda, mas é uma jogada que parece bem feita, planejada, diferente do movimento atabalhoado do governo Dilma.

      Concordo com o fator político da mudança do nome do acordo, poderia ser mantido o nome Nafta, porém com novas condições. Se o nome fosse mantido, seria mais difícil fazer a população entender que o acordo mudou. Ao mudar o nome, enfatiza que houve mudanças no acordo. São realmente ajustes em relação ao Nafta, porém não pequenos nem inexpressivos. São ajustes relevantes e que podem reduzir a desvantagem dos Estados Unidos na balança comercial.

      Sobre os problemas do balanço do FED e o P/E, tem o meu "double check" rs.. Tenho a impressão de que essa dinâmica de mercado muito líquido e comprador desde 2009 será diferente da que teremos na próxima década.

      Abs!

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