terça-feira, 7 de agosto de 2018

Está aberta a temporada da boataria eleitoral


A terça-feira marcante deste dia 07 de agosto de 2018 abriu a temporada da boataria eleitoral. A praça brasileira amanheceu positiva, com bolsa em alta (voltando a se aproximar dos 82.000 pontos), dólar vendido (testando o piso de curto prazo dos R$ 3,70) e juros futuros colados na mínima do mês.

No cenário externo, o humor seguia positivo, sem nenhuma novidade relevante. Tudo parecia corroborar por mais um dia rotineiro, já que o mercado vem de uma sequência de seis semanas consecutivas de valorização nos preços dos ativos de risco locais.

Entretanto, a partir das 14h15 o cenário passou a mudar drasticamente. Em poucos minutos a bolsa despencou para 79.900 pontos, o dólar disparou para R$ 3,77 e os juros futuros inverteram fortemente o direcional, passando a abrir no intraday. Muitos investidores começaram correr atrás de notícias, pois algo pesado estava impactando o mercado. Foi neste momento que pode ser constatado o início da temporada da boataria eleitoral.

O que parece ter sido o primeiro boato a circular no mercado, talvez o mais forte, está relacionado ao resultado da pesquisa de intenção de voto da CNT/MDA desfavorável ao candidato de centro-direita (queridinho do mercado) Geraldo Alckmin. Os números serão divulgados amanhã e refletem apenas o universo de eleitores do estado de São Paulo. Portanto, se confirmado o boato, um desempenho negativo em seu próprio estado seria um grande revés para Alckmin, que até então vinha numa ascendente na avaliação do mercado, por conta das alianças com os partidos do Centrão (leia-se mais tempo de televisão).

Supostamente para reforçar o viés negativo do primeiro boato, passou a circular um novo boato no mercado sobre a possibilidade de homologação de delação premiada do ex-presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), Laurence Casagrande Lourenço, contra Alckmin. Há uma investigação em curso da Operação Pedra no Caminho, que mira fraudes em obras do Rodoanel Trecho Norte.

E já que a lógica parecia ser empurrar o mercado para baixo, começaram a circular até mesmo notícias sem lógica, como a possibilidade de o ex-presidente e candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ser liberado para fazer entrevista pela internet mesmo estando preso. WTF?

Em suma, fato é que o mercado brasileiro passou por forte volatilidade na tarde desta terça-feira e movimentos semelhantes poderão ocorrer nos próximos dias/semanas/meses, até que se defina quem subirá a rampa do Planalto, como se um simples nome fosse um divisor de águas para o nosso futuro.

Com discussões de tão baixo nível, até mesmo no ambiente de mercado, juntamente com uma população viciada no Estado grande, talvez a reforma que estará em jogo no próximo ano não será a da previdência, mas sim a reforma do Teto de Gastos, pronta para ser devorada pelo próximo Congresso se não conseguirmos eleger 308 heróis.

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11 comentários:

  1. "como se um simples nome fosse um divisor de águas para o nosso futuro." Infelizmente, é. Resultado do centralismo que nos assola. Mas concordo com você que o Congresso é muito mais importante, a presidência desperta paixão irracional.

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    1. Se colocar a Madre Teresa na presidência nossos problemas estarão resolvidos?
      Déficit vai acabar? Governo vai melhorar os gastos?
      Um presidente faz bastante coisa, mas quem manda mesmo é o pessoal do legislativo.

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  2. Excelente postagem! Duro é ver um mercado, que alguns dizem ser eficiente, acreditar tanto que pode prever os rumos dessa eleição. Será uma bagunça até outubro e ninguém sabe como será depois.

    Tudo é um chute. Apenas um chute.

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    1. Obrigado! Discordo quanto ao chute, para um bom operador/especulador esses picos volatilidades são um belo presente do Sr. Mercado.

      Abs,

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  3. FI, apenas um adendo: Alckmin é candidato de centro-esquerda.

    Na sua visão, por que o tucano é o candidato queridinho do mercado quando, pela lógica, deveria ser o João Amoedo? Ou o mercado não está interessado em desburocratização, entrada de novos players, menos impostos, menos barreiras de entrada, mais concorrência e... quer saber? Já respondi a minha própria pergunta.

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    1. Pelo debate horroroso de ontem, Alckmin parece mais centro-esquerda do que centro, ou talvez esteja perdido/desesperado em busca de votos. Infelizmente João Amoedo é uma carta fora do baralho, não tem menor chance na disputa. No Alckmin, o mercado enxerga alguma esperança, em função da força do partido, aliança, tempo de TV, etc.

      Abs,

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  4. Esse será o ponto chave mesmo, eleger 308 heróis.

    É Robson, essa do Lula não dá para engolir... WTF!!!

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  5. FI
    Só agora li seu post sobre os "Xing lings shorteados" e você me permita uma observação.
    Estaria errado um investidor que visse com maus olhos manter uma posição num fundo vendido na China durante todo o ano de 2017, ainda que o fundo viesse a mostrar-se certo no corrente ano se mantivesse a posição? Ele teria perdido uma oportunidade de ouro durante todo o ano passado e até a poupancinha da minha sogra rendeu mais. Mr. Green errou e errou feio! Ao invés de um gerenciamento macro da situação, não teria sido melhor um gerenciamento mais técnico, do ponto de vista do investidor? Aliás, já dizia Keynes que, a longo prazo ...

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    1. Sim, estaria errado. A essência de um fundo multimercado macro está na tese macroeconômica, não por acaso o horizonte de investimento para qualquer multimercado macro tem de ser longo prazo. Logo, analisar períodos curtos (1 ou 2 anos, por exemplo) é inadequado para essa classe de ativos, pois nem sempre os gestores acertam a mão e alguns casos as teses demoram para vingar. Portanto, é perfeitamente natural fundo multimercado da classe macro decepcionar a curto prazo, mas basta o gestor conseguir se aproveitar de um movimento de mercado para bater em poucos meses o CDI de alguns anos. É uma classe de fundos que requer paciência e muita confiança na equipe de gestão. Para foco mais curto (retornos imediatos), aliado à busca de risco, o ideal é buscar multimercados multiestratégia, multimercados long & short direcional ou multimercados quantitativo.

      Abs,

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