sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Powell carimba nova máxima em Jackson Hole


O importante simpósio anual de política monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) realizado em Jackson Hole, no estado norte-americano de Wyoming, acompanhado por banqueiros centrais do mundo inteiro, transmitiu sinal de serenidade e controle para o mercado financeiro global.

O discurso mais importante, realizado por Jerome Powell, presidente da autoridade monetária norte-americana, endossou boas condições para manutenção da estratégia extremamente gradual de normalização das condições monetárias.

De imediato, Powell descartou o risco de superaquecimento da economia, mesmo com os efeitos da reforma tributária de Donald Trump sobre o mercado de trabalho já considerado aquecido. A taxa de desemprego nos Estados Unidos gira em torno de 4% ao ano, nível mais baixo em quase duas décadas.

Alguns analistas temem que o longo período de crescimento, juntamente com o recente impulso fiscal e taxa de desemprego muito baixa, poderia superaquecer a economia, o que forçaria o Banco Central dos Estados Unidos agir emergencialmente com medidas contracionistas.

O presidente do FED não parece concordar com essa hipótese, mas também não quer interromper ou reduzir a velocidade do processo de normalização das condições monetárias (via aumentos graduais da taxa básica de juros e lenta redução do balanço da autoridade monetária).

Powell afirma que a estratégia do banco central é a melhor forma de proteger a economia, manter o mercado de trabalho mais aquecido possível e inflação sob controle. Isso significa que nada deve mudar na política monetária. Mesmo com a inflação sob controle, ancorada na meta de 2% ao ano, sem perspectiva de superá-la, Powell quer manter os aumentos graduais da taxa básica de juros, o que pode ser enxergado como uma medida preventiva, até porque a atividade não apresenta sinais de fadiga.

A estratégia do FED diverge da visão de Donald Trump, que alguns dias atrás se mostrou contrário as altas de juros. Dificilmente, político de qualquer país defenderia aumento gradual de juros num cenário de inflação ancorada na meta. Powell utilizou o simpósio em Jackson Hole para mostrar ao mundo, mais uma vez, a importância de uma economia operar com o Banco Central independente.

Previsibilidade na política monetária, economia em boa fase de expansão, baixos riscos para o futuro, reafirmação de independência e força da autoridade monetária. Wall Street foi ao delírio nesta sexta-feira, fechando mais uma semana bem positiva.

O índice S&P500 renovou máxima histórica ao atingir 2.874 pontos, aumentando ainda mais a força do movimento de recuperação de preços, iniciado no mês de abril. Mercado segue em tendência principal de alta, sem sinalização de reversão.


O fluxo também segue comprador no mercado de bonds. A taxa da Treasury de 2 anos fechou a sexta-feira aos 2,63%, abaixo do pico registrado no mês passado aos 2,69%, interrompendo o movimento de abertura observado nos últimos meses, trabalhando, agora, movimento de lateralização.

A taxa de juros da Treasury de 10 anos recuou para 2,82%, inferior à máxima do ano registrada aos 3,11%. O movimento no título do tesouro norte-americano de 10 anos também é de lateralização, interrompendo um longo período de abertura.
  

Entretanto, o clima positivo de Wall Street não está sendo replicado integralmente de forma generalizada entre as praças financeiras mundiais. As praças europeias, por exemplo, não estão em bear market, mas ainda relativamente distante de renovar máxima histórica. O mesmo quadro pode ser observado no Japão.

A bolsa de Bombay, na Índia, continua se destacando, alcançando novo recorde histórico nesta semana, aos 38.251 pontos. Nas demais praças emergentes, o cenário é mais desafiador. A bolsa de Xangai, na China, opera em bear market aos 2.729 pontos, patamar bem inferior aos 3.587 registrados no mês de janeiro deste ano.

África do Sul sofreu um duro golpe nos últimos meses. Apesar da recuperação desta semana, o mercado segue bear. Coreia do Sul ainda não opera sob o status de bear market, mas segue relativamente distante de alcançar máxima do ano. A bolsa da Rússia tenta se manter acima da média móvel simples de 200 períodos semanal, congestionada desde 2017.

México segue em recuperação intensa de preços, porém ainda abaixo da média móvel simples de 200 períodos semanal. Desde 2015, o mercado tem mostrado fortes solavancos, tanto para baixo, quanto para cima. No Brasil, o índice Bovespa segue relativamente distante da máxima do ano, vendido a curto prazo, pressionado pela formação de topo descendente na região dos 81,8k.

A segunda semana consecutiva formada por candle de pavio longo superior e/ou inferior mostra disputa muito acirrada em função da importância do patamar de 76k/75k. Acima dessa região, players posicionados na ponta comprada defendem suas posições e o mercado volta criar chances de atacar novamente os 81,8k. Porém, abaixo dos 75k, um pivot de baixa seria acionado, adicionando força à perna de descendente iniciada neste mês de agosto, abrindo espaço para manutenção e/ou abertura de posições vendidas.

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6 comentários:

  1. Grato pelas análises!

    Para atual conjuntura no mercado financeiro encontrei uma metáfora apropriada:

    "Os rios profundos fluem lentamente".

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  2. Quero os 63 Robson .kkkk Grande abs

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  3. Grato ao leitor que apontou erro no texto, já corrigido.

    Jackson Hole fica no estado norte-americano de Wyoming

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  4. taxa de desemprego 4% a.a. a menor em duas décadas!!!

    Popularidade de Trump tende aumentar

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