segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Xing lings shorteados


As atuais condições de mercado permanecem boas no mundo inteiro. O humor positivo predomina nos preços dos ativos de risco nas principais praças financeiras, mas existe uma exceção. Alguém ficou fora desta última festa.

Levando uma baita tapa, com “T” de Trump, Xangai sucumbe solitariamente ao bear market. Muitos sabem que a economia xing ling tem seus sérios problemas, mas ninguém ousava em atacar. Mr. Green, ou Luis Stuhlberger para os mais formais, o genial gestor do fundo Verde, foi um dos poucos corajosos no mundo a carregar o peso de apostar contra China no passado.

Stuhlberger apontava muito bem os problemas da China em suas cartas mensais, mas na época travou uma dura batalha contra as intervenções do Banco Popular e acabou anunciando sua rendição recentemente, talvez por certa pressão dos novos cotistas batizados (acostumados) na era da renda fixa ou do próprio mercado de hedge funds brasileiro que ficou mais competitivo e imediatista.

Muitos questionaram as posições contra China montadas pelo Mr. Green. Ao contrário do que se imagina, não eram tão arriscadas ao ponto de colocar em risco o patrimônio do fundo, porém permitiam ganho satisfatório caso o mercado se deslocasse conforme o racional. O simples fato de perder para o CDI durante algum tempo causou rebeldia em parte dos cotistas.

Inclusive, de forma geral, os gestores de multimercados macro estão sofrendo pressão para entregar o padrão de retorno que o órfão da renda fixa brasileira estava acostumado a receber no passado. O fundo Verde sofreu duras críticas por ter entregado 5,25% de retorno em 2017, diante de um CDI de 9,95%, embora o resultado não tenha feito diferença alguma ao retorno acumulado do fundo desde o início até o fim de 2017: 14.612,59% do Verde versus 1.904,99% do CDI.

Especula-se que o Mr. Green perdeu a mão, mas na verdade o gestor pode ter perdido a paciência. O mercado provou que a tese contra a China estava correta. A bolsa de Xangai alcançou 3.587 pontos no mês de janeiro deste ano e hoje opera aos 2.705 pontos, renovando mínima de 2016, completamente shorteada.


A imagem acima mostra que o bear market da China se destoa totalmente do bull market de Wall Street e do resto do mundo. A linha pontilhada revela o desempenho do S&P500, enquanto a linha preta mostra o desempenho da bolsa de Xangai.

Quem está levando a pior na guerra comercial? Quem tem menos a perder e mais a ganhar? Quem está mais vulnerável e com mais problemas internos? A discrepância entre as duas bolsas de valores responde essas perguntas.

Muito se discute na mídia sobre as armas que a China poderia utilizar para combater os ataques de Donald Trump. Porém existe pouca margem de manobra para um contra ataque de mesmo nível, até porque com tantas complexidades internas, Donald Trump é o menor dos problemas xing lings. Não por acaso, no mundo dos negócios, ao menos por enquanto, está claro quem está ganhando e quem está perdendo.

Saiba mais sobre o meu trabalho de assessoria de investimentos clicando aqui.

2 comentários:

  1. Maravilha, vc tinha que ter uma coluna em algum jornal.
    Só vejo histeria e pouco analise na nossa mídia.
    Gosto demais do seu blog.
    Abc

    ResponderExcluir