quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O mito vira mártir


Jair Bolsonaro, candidato à presidência de república, conhecido como o mito pelos seus apoiadores/seguidores, acaba de se transformar em um mártir brasileiro. De forma lamentável e inadmissível, Bolsonaro foi esfaqueado na tarde desta quarta-feira durante campanha na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

O profundo golpe de faca, lesionando o intestino grosso e delgado, além de uma veia abdominal, deixa o candidato à presidência em risco de vida e pode sinalizar uma tentativa de assassinato. O agressor, devidamente preso em flagrante, é um homem de 40 anos que foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014 e teve passagem pela polícia em 2013 por lesão corporal. O ataque teve motivações políticas e religiosas.

O evento ocorrido nesta quinta-feira gera impacto político relevante. A agressão covarde, de cunho ideológico, transforma Bolsonaro numa vítima da polarização no país. Muitos, que não admitiam pensar na hipótese de votar em Bolsonaro, provavelmente o farão por pura e simples comoção.

Diante de atentados ou atos covardes, o ser humano tende a se comover a favor da vítima e se revoltar contra o agressor. Bolsonaro entra para a história da política brasileira se tornando um mártir na eleição mais imprevisível desde o processo de redemocratização. O fato de a agressão ter partido de um ex-filiado do PSOL joga por terra o discurso de vitimização capitalizado pela esquerda.

A partir de agora, Bolsonaro terá motivos mais do que suficiente para roubar parte (ou boa parte) dos votos dos eleitores que se sentem indignados ou vitimizados, que até então pareciam refletir esse sentimento na candidatura folclórica de Lula. Além disso, os concorrentes de direita, como Geraldo Alckmin, João Amoedo e Henrique Meirelles, terão de moderar o discurso contra Bolsonaro em suas respectivas campanhas, ou focar ataques em outras figuras na tentativa de colher votos.

Nenhum político, aliás, se sentirá confortável para subir o tom ou atacar firmemente Bolsonaro após o evento desta quinta-feira, que pode ser encarado como um atentado à democracia ou um crime político. Pelo contrário, a chance de os opositores almejarem votos, neste momento, é se solidarizando com Bolsonaro.

Os cálculos de investidores e players de mercado, neste momento, não se referem à chance de Bolsonaro ir ao segundo turno, mas sim de o candidato alcançar uma vitória já em primeiro turno. Até alguns dias atrás, o risco de vitória em primeiro turno era da esquerda. Por conta disso houve uma mistura de moderação imediata após o evento e posterior alvoroço nos preços dos contratos futuros negociados após o fechamento do pregão à vista.

Eventos desta magnitude possuem elevado ganho de capital político. Muitos no mercado começam a traçar paralelo de Bolsonaro com a família Kennedy. Eleito presidente dos Estados Unidos em 1960, John Fitzgerald Kennedy (para muitos, John F. Kennedy), foi assassinado em 1963 em Dallas, no Texas, por disparos de um ex-fuzileiro naval. A disputa presidencial de 1960, contra Richard Nixon, foi considerada uma das mais disputadas da história.

O assassinato de John F. Kennedy gerou grande comoção nacional por um longo período, ao ponto de projetar seu irmão mais novo, Robert Francis Kennedy, a candidato para eleição presidencial de 1968. Robert F. Kennedy venceu as primárias do partido Democrata, se portando como forte candidato à eleição presidencial, mas não conseguiu concorrer ao pleito, pois foi assassinado por um imigrante palestino.

A tragédia da família Kennedy é um dos casos mais relevantes de comoção política no mundo. É diferente em alguns aspectos quando se compara com o caso de Bolsonaro, mas os elementos-chave são semelhantes. Cenário de polarização elevada, tentativa de assassinato, evento catalisador de sentimentos de boa parte da população e fato provocador de forte e longa exposição à mídia.

Pode transparecer muita frieza tratar sobre esses assuntos, mas é isso que os investidores e players de mercado estão estudando neste exato momento. As luzes estão acesas nos escritórios das assets. Por fim, fica o desejo de pronta recuperação a Jair Bolsonaro, o mito que virou mártir.

Esse texto não deve ser considerado uma intenção de voto pessoal, nem inclinação a determinado político ou partido, mas, talvez, um alerta para manutenção do Estado democrático de direito.

Saiba mais sobre o meu trabalho de assessoria de investimentos clicando aqui.

4 comentários:

  1. FI, resta saber se ocorrerá com ele o que ocorreu com a Marina em 2014. Acho que se ele mesmo arrefecer o clima de polarização, conseguira diminuir sua rejeição e ganhar votos. Se ele dobrar a oposta, acho que será apenas "fogo de palha".

    ResponderExcluir
  2. Eu acho interessante a preocupação da população com relação a democracia, e preservação da liberdade disso e daquilo, sendo que o que vejo e vivo, é um povo sem cultura, sem voz, que é manipulado o tempo todo pela mídia e por poderosos que só visam os seus própios interesses, Nosso País, se afunda cada vez mais em um lamaçal sujo de negociatas, por isso fazem de tudo para que um candidato que quer promover ordem,( que é o que precisamos, porque ordem é progresso,) seja ridicularizado o tempo todo com meias verdades, com textos sem contextos.Que Deus e o povo brasileiro tenham misericódia do Brasil, que vai ficar para as gerações futuras. Abraços FI.

    ResponderExcluir
  3. O martírio (...) de Bolsonaro lembra também o martírio auto-imposto (...) de Vargas! Pouco antes de seu suicídio havia se tornado extremamente impopular entre os que o elegeram. Eu era adolescente na ocasião (14 anos), morava em bairro humilde e testemunhei isso: inflação elevada (custo de vida alto, como se dizia então). Com o tiro no coração tudo mudou. Kubitschek se elegeu, a direita ainda tentou dar um golpe, mas Lott deu um contra-golpe preventivo: a democracia continuou e Kubitscheck foi empossado!
    Se a incompetente da Dilma tivesse continuado e houvesse eleição agora, muito provavelmente a direita venceria. Porém, com o impopular do Temer e suas acusações de corrupção, o pêndulo virou sensívelmente para um equilíbrio direita/ esquerda, impossibilitando saber se o que prevaleceria seria a rejeição anti-Lula ou o saudosismo dos bons tempos do PT.
    Agora, pode ter se deslocado para a direita, embora o futuro a Deus pertence...

    ResponderExcluir
  4. Pra mim não existe mais direita e esquerda nesse país só existe agora uma corrida sangrenta, para ver quem coloca a mão no prêmio, o dinheiro dos imposto do povo massacrado. O que vc acha FI?

    ResponderExcluir