quinta-feira, 30 de junho de 2011

Bovespa fora de sintonia

Mais uma vez a Bovespa operou totalmente "desplugada" do mercado internacional, o descolamento com Wall Street e Europa é notório desde o final do ano passado, mas o que está acontecendo nos últimos dias chama a atenção. No curto prazo estamos descolando também dos mercados emergentes, Xangai (China) e Bombay (Índia) por exemplo (índices que normalmente tem a mesma movimentação do Ibovespa) estão em pleno rally de alta enquanto aqui no Brasil o único rally que estamos vendo no pregão são as disparadas dos micos (ações sem fundamentos e de baixa liquidez).

Este descolamento com os emergentes começa a preocupar, a Bovespa está se tornando o sell-off dos mercados, o paraíso das operações vendedoras. Motivos para "vender Brasil" é o que não faltam, foram tratados insistentemente aqui no Finanças Inteligentes nos meses anteriores, porém já são mais de 6 meses de queda. Se o mercado não mostrar alguma reação, o ânimo dos vendedores aumentará ainda mais e consequentemente o ânimo dos compradores se reduzirá, favorecendo assim a um cenário de queda mais prolongada.

O gráfico mensal do Ibovespa está simplesmente horroroso. Segundo candle de baixa consecutivo abaixo da média móvel simples de 20 períodos (reparem como esta média faz o papel de sustentação em uma tendência de alta) renovando mínima anterior. Não há qualquer sinal de fundo para o médio/longo prazo e a região dos 60k deverá ser defendida por unhas e dentes pelos compradores, isto porque esta é a linha mais importante para se evitar uma tendência de baixa mais prolongada. Por enquanto a tendência de baixa no médio prazo segue inalterada e mostrando força mês após mês.



Para se ter uma idéia da fraqueza no Índice Bovespa vamos observar o fechamento das principais bolsas mundiais nesta quinta-feira: Xangai (China) alta de 1,23%, Hang Seng (Hong Kong) subiu 1,53%, DAX (Alemanha) avançou 1,13%, FTSE (Inglaterra) ganhou 1,53%, CAC (França) subiu 1,48% e na "matriz" em Wall Street, Dow Jones teve alta de 1,25%, S&P500 avançou 1,01% e Nasdaq fechou com 1,21% de alta. Veja abaixo o rally de alta no Dow Jones, 4 candles consecutivos de forte alta rompendo resistências, LTBs, médias e tudo que aparece na frente do Dow Jones. Reparem como a banda de bollinger fez o movimento de abertura e mesmo assim o candle de hoje ficou pra fora da linha superior, por este motivo os preços devem corrigir um pouco para voltar pra dentro da banda e seguir a pernada.


Já no Ibovespa não há rally de alta, no gráfico diário logo abaixo podemos observar 2 dojis de indecisão abaixo da LTB indicando indecisão na continuação do repique. Comparando com o gráfico do Dow Jones podemos até supor que estamos fazendo papel de hedge no mundo, "compram lá e vendem aqui".


Outro fator preocupante é o câmbio, basta o dólar fechar abaixo de 1,58 para aparecer autoridades políticas dizendo que novas medidas de intervenção no mercado podem surgir, hoje foi a vez do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, dizer que "o sinal amarelo está aceso", em referência à queda do dólar. Essas atitudes acabam gerando incertezas no mercado e consequentemente espantando o investidor da bolsa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que está por trás da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour?

O estardalhaço criado na mídia focando a briga entre os sócios controladores do Pão de Açúcar e Carrefour está camuflando uma operação do governo para influenciar/intervir diretamente o setor de supermercados no Brasil. Lamentavelmente o governo está articulando nos bastidores mais uma intervenção direta na economia do país. Após a bilionária jogada feita no ano passado para aumentar sua participação na Petrobras por meio do BNDES utilizando dinheiro público, o governo agora quer interferir e influenciar as grandes redes de supermercados no Brasil através do BNDES utilizando novamente o dinheiro público.

A fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar só poderá acontecer com a intervenção do governo, que ficará a cargo de injetar o dinheiro via BNDESpar (braço direito do BNDES) para que a união se concretize. O governo passaria a ser o grande sócio desta nova empresa a ser criada aumentando sua influência sobre a economia do país. Nos últimos anos o governo tem viabilizado fusões e se tornando sócio de um número crescente de empresas no Brasil. No ramo de energia é indiscutível, "quem manda" na Petrobras é o governo. No ramo de mineração, o novo presidente da Vale (Murilo Ferreira) já deu sinais de que vai ceder aos interesses do governo, a Vale estuda atuar no ramo de siderurgia (um dos setores menos rentáveis da economia atualmente).

"Curiosamente" as empresas onde o governo tem forte participação societária fazem parte de setores monopolizados da economia, não há concorrentes a altura de uma Petrobras ou Vale e não vai haver concorrentes a altura de uma fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour. Isso é um perigo para qualquer economia do mundo, a história mostra que a forte presença do Estado não é saudável para o crescimento econômico sustentado.

A dura verdade é que o varejo brasileiro está para ser "estatizado" e as pessoas não tem conhecimento disso. Além disso, representantes de fornecedores de leite longa vida, trigo, carne bovina, café torrado e moído e entre outros consideram que a alta concentração do varejo é negativa em termos de negociação, por causa da perda do poder de barganha. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour dominarão 1/3 do mercado varejista nacional e os consumidores poderão ser prejudicados mais uma vez.

Os chineses compram o nosso minério, levam para a China e fazem o aço, voltam aqui e conseguem vender o aço mais barato do que o de nossas próprias siderúrgicas. A nossa gasolina é uma das mais caras do mundo para um país que é potência petrolífera. Estes são apenas alguns exemplos do que representa o verdadeiro poder do estado sobre a economia.

Voltando para o mercado de capitais, pode-se observar que o giro na Bovespa ficou concentrado nas siderúrgicas (estavam bastante sobrevendidas) que sustentaram a leve alta do índice, já que vários setores da Bovespa estavam operando na venda (o famoso rodízio no qual sempre comentamos aqui no Finanças Inteligentes). O índice bovespa deixou um doji de indecisão acima da linha central de bollinger, o que não é um bom sinal para o curtíssimo prazo, os trades não encerrados após a entrada de ontem devem estar com stops ajustados para evitar devolver o lucro pro mercado. O índice agora tem pela frente uma LTB a ser rompida.


No cenário internacional a aprovação do plano de austeridade fiscal pelo Parlamento grego não surpreendeu os mercados, já que o fato foi precificado anteriormente conforme análise explicativa feita pelo Finanças Inteligentes na terça-feira dia 28/06. O índice Dow Jones fechou em alta testando a sua LTB da tendência de baixa no curto prazo. Pode aparecer um movimento de realização de lucros em Wall Street a partir de amanhã.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mercado precifica aprovação do Parlamento grego

A expectativa de que o Parlamento grego irá aprovar amanhã o pacote de austeridade fiscal do governo animou os investidores no mundo inteiro puxados pela "matriz" em Wall Street. A bolsa de Nova York abriu em alta e arrastou os demais índices mundiais (que estavam bem sobrevendidos) para o campo positivo. Essas mudanças de humor no mercado aparecem rapidamente, Wall Street amanheceu com o pé direito e resolveu comprar o risco ao acreditar em que o Parlamento grego irá aprovar o pacote de arrocho do governo, que por sua vez impedirá que a Grécia declare moratória (mesmo que temporariamente).

A sinalização de que os bancos alemães irão se reunir para discutir a idéia do "Plano Brady" (veja como funciona) francês também ajudou a injetar ânimo nos mercados. Os bancos alemães, juntamente com os franceses, estão entre os maiores credores privados da dívida soberana grega.

Vale ressaltar que o investidor deve tomar cuidado com o que está sendo divulgado na mídia, alguns veículos de comunicação estão anunciando que a Grécia pode estar perto de "encontrar" uma solução definitiva para a sua dívida, o que está completamente errado. Esta é uma solução temporária, mesmo que a dívida seja rolada pelos credores privados e/ou novos pacotes de ajuda sejam aprovados, a dívida do país continuará existindo e cada vez mais atingindo níveis impossíveis de liquidação.

Dow Jones fechou o pregão na máxima rompendo a famosa barreira dos 12.1k e linha central de bollinger e deverá testar a LTB (linha de tendência de baixa) nos próximos pregões. O volume negociado ficou abaixo da média e merece atenção pois na queda ele aumenta consideravelmente.


A Bovespa não ficou de fora do otimismo dos mercados e fechou o pregão colado na máxima do dia. O rompimento dos 61.7k acionou pivot de alta e deu sinal para abertura de posições compradas conforme alerta emitido pelo twitter do Finanças Inteligentes após a abertura do pregão. O índice agora deverá passar pela linha central de bollinger para fazer o teste na LTB que passa atualmente na região dos 62.5k. Lembrando que o spread da operação é pequeno, tiro curto, pois o movimento é contra a tendência principal.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A volta do Plano Brady

Banqueiros internacionais (a maioria franceses) se reuniram nesta segunda-feira com o Instituto Internacional de Finanças e a União Europeia para discutirem uma solução no mínimo radical para a dívida soberana na Grécia. O plano é francês e funcionará da seguinte forma: os bancos iriam reinvestir 70% dos recursos obtidos no vencimento de títulos gregos entre 2011 e 2014, e embolsariam os outros 30% restantes. Dos 70% reinvestidos, 50% iriam para novos títulos de 30 anos, e 20% iriam para títulos com a nota mais alta de grau de investimento (AAA) e juros pagos somente no resgate, sem cupons periódicos. Ou seja, os credores privados (em sua maioria composto por bancos franceses) aceitariam voluntariamente rolar boa parte de seus títulos gregos por mais 30 anos.

O plano francês parece ser uma cópia do Plano Brady, estruturado no final da década de 1980 para reestruturar a dívida de países em desenvolvimento (entre eles o Brasil) por meio da troca de dívida. Na ocasião, Treasuries foram adquiridos para dar garantias do pagamento dos novos bônus. O problema é que as agências de classificação de risco podem reconhecer esta rolagem "voluntária" da dívida grega como uma moratória disfarçada. Há claramente uma forte pressão do governo francês para que suas intituições financeiras aceitem rolar a dívida grega para se evitar um calote da Grécia no futuro.

De qualquer forma a dívida grega já passa dos 340 bilhões de euros, mesmo com uma rolagem de 30 bilhões pelos credores privados (de acordo com o plano francês), não será suficiente para a Grécia honrar seus compromissos no futuro.

Os mercados europeus fecharam perto da estabilidade, a bolsa de Atenas assim como a de Frankfurt fecharam em leve baixa. Em Wall Street os índices fecharam mais animados, porém Dow Jones se manteve abaixo da famosa linha dos 12.1k que atua como resistência juntamente com a linha central de bollinger.


No Brasil o mercado operou em baixo volume oscilando pouco. O índice bovespa fechou em leve alta, porém nada que altere o cenário no curto prazo pois ainda está abaixo da linha de resistência nos 61.7k andando de lado há praticamente uma semana. Cenário de curtíssimo prazo segue indefinido inclusive para operações intraday, por este motivo o giro está sendo fraco no pregão.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A crise chegou na Itália

A crise da dívida soberana na Europa está ganhando proporções alarmantes ao mesmo tempo em que as autoridades europeias não conseguem apresentar um plano consistente para impedir uma quebra generalizada no sistema financeiro europeu. A gravidade da crise fiscal na Grécia está sendo subjugada pelo jogo político entre Alemanha, França e BCE (Banco Central Europeu), enquanto isso a crise se espalha pela periferia do continente e já estamos observando os primeiros sinais de desgaste no sistema financeiro italiano. A agência de classificação de risco Moody's colocou em revisão para possível rebaixamento o rating de nada mais nada menos que 16 bancos italianos. Os bancos podem ter seus ratings rebaixados em consequência da colocação em revisão para possível rebaixamento do rating soberano da própria Itália. É bem provável que o governo italiano não tenha condições de dar um suporte as empresas financeiras do país em uma eventual falta de liquidez no sistema.

E já tivemos uma demonstração de que as coisas não estão indo bem no sistema financeiro italiano. No pregão de hoje as negociações com ações de bancos como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo, foram temporariamente suspensas no começo da sessão, depois de uma queda de mais de 5%. A interrupção dos negócios não foi suficiente para impedir uma derretida nos papéis, as ações do UniCredit fecharam em queda de 5,3% e as do Intesa cederam 5%. A bolsa de Milão (Itália) fechou a semana em forte baixa de 4,69%. Reparem no gráfico abaixo que o FTSE MIB (índice da bolsa de Milão) está derretendo desde o mês de fevereiro deste ano quando operava na casa dos 23k, hoje a bolsa opera na casa dos 19.1k em queda brusca nos últimos meses.


Na Grécia, apesar do acordo fechado pelo governo com a UE (União Europeia) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre um pacote de austeridade para se pagar em cinco anos (o que não vai tirar o país da situação endividada), o mercado não reagiu positivamente a este anúncio. Este acordo pavimentou o caminho para que o país receba um segundo empréstimo de emergência (extremamente necessário para a Grécia continuar pagando suas contas), mas antes o parlamento grego precisa aprovar as duras medidas de austeridade fiscais impostas pela UE e FMI como condições para recebimento do socorro financeiro.

Ao que tudo indica o parlamento da Grécia deverá votar o plano de austeridade fiscal (que inclui também aumento de impostos e privatizações) já na próxima semana, dia 29/06/2011,quarta-feira. Se o parlamento grego não aprovar o plano de austeridade a Grécia deverá entrar em default em menos de 30 dias. Reparem no gráfico abaixo como a bolsa de Atenas estava "prevendo" este colapso fiscal há muito tempo, o índice está caindo desde outubro de 2009 e já perdeu o último fundo da crise do subprime onde as bolsas foram arrasadas no mundo inteiro. Para efeito de comparação o nosso fundo da crise do subprime está na região dos 29k.


Em Wall Street os índices continuam respirando numa tentativa de se evitar a continuação da tendência de baixa que chegou com bastante força desde o topo em 12.8k no Dow Jones. A LTA (linha de tendência de alta) está sendo respeitada, agora com o segundo doji de indecisão na semana indicando exatamente essas incertezas do mercado. Apesar de tudo o MACD continuou soltando sinais de continuação da tendência de baixa, por este indicador o movimento de queda no Dow Jones pode estar apenas começando.


Na China a bolsa de Xangai fez um belo movimento de reversão de tendência no curto prazo, respeitando a região de suporte nos 2.6k e rompendo uma LTB (linha de tendência de baixa) mais rápida dentro do canal de baixa maior. Este repique de curto prazo pode jogar o índice de encontro à linha central de bollinger na região dos 2.8k. A declaração das autoridades chinesas dizendo que a inflação no país pode estar controlada animaram os investidores.


No Brasil a semana na bolsa de valores de São Paulo foi marcada por baixo volume de negociações devido ao feriado desta quinta-feira. O Ibovespa deixou um doji de indecisão acima de região dos 60k emitindo sinais de "respiro temporário". O índice de sobrevenda está em uma boa região para a bolsa engatar um repique de alta mais consistente nas próximas semanas, porém a fraqueza da parte compradora está cada vez maior, está difícil até para testar a LTB mais rápida na região dos 62.5k.


O MACD do semanal no Ibovespa está chamando a atenção. É de conhecimento de todos os leitores do Finanças Inteligentes que a Bovespa está trabalhando em uma região de congestão no longo prazo, a base mais importante desta zona de congestão está na região dos 60k. Olhando para o gráfico podemos observar que todas as vezes que a base da congestão foi testada, o MACD soltou uma divergência de baixa que foi aumentando a medida que os testes iam sendo feitos. Neste último teste recente da zona de congestão pode-se observar que o MACD além de soltar mais uma divergência de baixa entrou em região de bear market (abaixo do eixo 0) com as duas médias cortadas para venda na região bear.

Apesar de tudo não significa que o Ibovespa irá romper para baixo esta zona de congestão tão importante. Esse é apenas mais um indicador de que a situação da Bovespa não está nada boa para o médio prazo e ainda não há nenhum sinal de reversão desta tendência.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Efeito Bernanke

Basta o presidente do FED (banco central norte-americano) abrir a boca que o mercado começa a cair, é o que tem ocorrido durante as últimas declarações de Ben Barnanke. Hoje, durante uma entrevista coletiva, Bernanke afirmou que o risco de contágio é significativo, caso a moratória seja declarada na Grécia. As declarações do presidente do FED apenas confirmam o que á foi antecipado aqui no Finanças Inteligentes, um possível default na Grécia arrastaria uma crise para o sistema financeiro europeu. Como os mercados estão totalmente interligados, principalmente o interbancário, a crise não iria afetar apenas a União Europeia e sim o mundo inteiro. Por isso é importante que as autoridades europeias consigam manter a Grécia respirando e prorroguem este calote para os anos seguintes dando mais tempo para o sistema financeiro tentar reduzir sua exposição nos ativos gregos.

Bernanke também reforçou que a economia dos EUA está se recuperando num ritmo mais lento do que o previsto obrigando o FED a reduzir suas previsões de crescimento econômico para este ano (agora entre 2,7% e 2,9%). Os programas de estímulos monetários estão encerrados temporariamente, isto é, não vai haver quantitative easing 3 a não ser que a economia do país volte a demonstrar sinais de preocupação.

Os mercados operavam em alta até o momento da coletiva de Bernanke, após a entrevista os índices começaram a cair no mundo inteiro. Dow Jones fechou em baixa sentindo a pressão da linha central de bollinger, parece ser um movimento de realização de lucros decorrente do forte repique de alta nos últimos dias. O índice fechou acima da famosa linha dos 12.1k


No Brasil a Bovespa também inverteu  sua trajetória de alta após a fala de Bernanke e fechou o pregão em leve baixa. O índice não conseguiu passar pela famosa resistência de curto prazo nos 61.7k e soltou um doji de indecisão. A situação ficou um pouco complicada para o próximo pregão pois no intraday de 60 minutos a bolsa está operando vendida. O fato de não passar pela resistência dos 61.7k também demonstra fraqueza do mercado para engatar uma alta mais consistente mesmo estando em nível de sobrevenda.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Mercado segue no repique

O novo governo da Grécia, modificado pelo primeiro-ministro George Papandreou, conseguiu nesta terça-feira um voto de confiança do Parlamento animando o ânimo dos investidores nos mercados. O governo de Papandreou precisa rapidamente aprovar o plano de austeridade e as leis necessárias para sua implementação. Passando por esta fase a Grécia poderá receber o crédito da parcela referente ao pacote de ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e BCE (Banco Central Europeu) e assim evitar (momentanemante) que o Estado grego se torne o primeiro da zona do euro a declarar default.

Porém o que motivou a alta dos mercados no mundo inteiro foram os padrões técnicos. As bolsas caíram bastante nas semanas anteriores e os indicadores ficaram no chão, consequentemente os papéis ficaram baratos no curto prazo e o mercado entrou na onda do repique. Reparem no gráfico abaixo que o Dow Jones está com força neste repique, já são 4 dias de altas seguidas. O índice conseguiu furar a zona de resistência 12.1k e caminha para o teste na LTB amparado pelo MACD que está comprado, no entanto o movimento ainda não passa de um repique dentro da tendência de baixa maior.


A Bovespa também mantêm o cenário de repique, porém o movimento aqui está bem mais apático. O índice não consegue furar a sua principal zona de resistência no curto prazo em torno dos 61.7k mesmo com o MACD comprado e mostrando divergência de alta. É crucial o rompimento dos 61.7k para fazermos o teste na LTB mais rápida, o índice bovespa tem espaço para continuar no repique mas está faltando encaixar volume comprador mais forte para espantar as vendas de curto prazo.


Nos bastidores da indústria tivemos mais uma notícia ruim, a brasileira Vulcabrás (detentora das marcas Olympikus, Reebok e Azaleia) está transferindo boa parte de sua produção para a Índia, onde irá empregar 10 mil pessoas em 2 anos. A empresa tomou esta decisão para conseguir continuar competindo no mercado, já que o risco Brasil (carga tributária sufocante, baixo nível de educação, câmbio desfavorável, péssima infraestrutura, etc...) está degolando todo o setor.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Moody's eleva nota do Brasil mas a bolsa...

A agência de classificação de risco Moody's elevou nesta segunda-feira o rating do Brasil de Baa3 para Baa2 mantendo a perspectiva positiva diante de um cenário macroeconômico mais sustentável, além de uma perspectiva de melhora dos indicadores fiscais e de crescimento no médio prazo. O governo, como esperado, comemorou bastante esta elevação no rating do Brasil. De fato o aumento foi merecido, porém não podemos esquecer que estamos com o mesmo nível de classificação de países como o Cazaquistão por exemplo e abaixo da classificação de países emergentes como o México.

Outro ponto interessante é que este aumento no rating do Brasil não altera em nada a nossa classificação. A Moody's possui 3 categorias para o grau de qualidade boa de crédito, são elas: Baa3, Baa2 e Baa1. Nós apenas pulamos de Baa3 para Baa2, portanto o nível de classificação não foi alterado. No quadro geral, entre as 3 agências de classificação de risco (Moody's, S&P e Fitch), o Brasil possui o pior nível de grau de investimento, isto é, nós estamos apenas um nível acima do grau especulativo. Acima da nossa classificação de risco existem 3 níveis mais elevados onde se encontram a maioria dos países desenvolvidos e emergentes: A, AA e AAA (ou no caso da Moody's: A3, A2, A1, Aa3, Aa2, Aa1 e Aaa).

Por este motivo a bolsa de valores não engatou uma alta mais consistente no pregão, subimos apenas 0,18%. O exercício de contratos de opções girou 1,8 bilhões no pregão, com um giro total de 6,78 bilhões na Bovespa pode-se dizer que o dia foi de movimentação pífia no mercado à vista. Pelo gráfico podemos observar que foi deixado mais um doji de indecisão abaixo da resistência dos 61.7k, o repique só ganha força se passar por esta região.


No cenário internacional o dia foi também de repique técnico nos mercados, as notícias não influenciaram tanto assim nos pregões. A Grécia tomou um ultimato da Europa para receber a nova parcela de ajuda financeira e isto não é uma notícia boa. A Grécia tem 2 semanas para aprovar medidas de austeridade mais rígidas tais como corte de gastos, aumento de impostos e privatizações em troca de "míseros" 12 bilhões de euros. Pelo visto a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro não foi muito boa, o povo grego vai ter que se sacrificar (e muito) para o país continuar recebendo as parcelas de ajuda financeira, que no final das contas não irá resolver em nada a questão da dívida soberana grega.

Dow Jones fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo mantendo o movimento de repique e retestando a região dos 12.1k ao mesmo tempo em que alivia os indicadores que estavam bastante sobrevendidos. O repique chegou no target, se não passar da região dos 12.1k poderá confirmar mais um topo descendente.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tempo é dinheiro ou tempo é calote?

Os mercados no mundo inteiro acordam respirando Grécia e dormem sonhando com a Grécia. A onda de protestos contra as duras medidas de austeridade fiscal reflete bem a situação do país, a Grécia precisa cumprir com suas medidas de contenção de gastos (tais como: congelamento dos salários do setor público, aumento de impostos, redução de investimentos, etc) para receber a próxima parcela do pacote de ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e BCE (Banco Central Europeu). Esta situação poderia ser contornada caso o país tivesse uma moeda própria (utilizar o poder da impressora para "literalmente fazer dinheiro") e um câmbio próprio (desvalorizando a moeda para ganhar mercado externo). Mas como a Grécia pertence a União Europeia essas boas opções estão descartadas.

Lamentavelmente as autoridades europeias estão mais uma vez demonstrando falta de agilidade para resolução da dívida soberana na periferia do bloco europeu. Nos últimos dias a Alemanha começou a bater de frente com o BCE deixando a França no meio de toda essa encruzilhada pois os seus 3 grandes bancos estão fortemente expostos à dívida soberana grega. O tempo vai passando e as autoridades políticas não decidem se vai pingar mais alguns bilhões na Grécia ou não. E nesse caso tempo não é dinheiro, tempo é calote, pois se Grécia não receber logo o socorro financeiro muito provavelmente terá que declarar moratória. O país não tem condições de saldar suas dívidas e não tem capacidade de captar a quantidade de recursos necessária no mercado comercial vendendo títulos da dívida pública.

A próxima parcela de 12 bilhões do pacote de ajuda aprovado entre FMI e União Européia em maio de 2010 certamente deverá ser creditada à Grécia, mas esta parcela não é mais suficiente, esta quantia sustenta o governo por algumas semanas e nada mais. O país precisa de mais um novo pacote de ajuda financeira pois não está conseguindo se capitalizar no mercado.

Uma moratória da Grécia é tudo que o mercado não quer ver nesse momento. Além de estimular Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, os juros de empréstimos para os países menores da União Européia iriam disparar a subir e o sistema financeiro europeu seria duramente abatido pela falta de liquidez e contaminação dos ativos podres da dívida grega.

O mercado aguarda por boas notícias neste domingo após a reunião dos ministros das Finanças do bloco europeu. A Grécia precisa respirar, caso contrário o país vai tombar e gerar um efeito dominó em toda a periferia europeia. A esperança por uma solução temporária no bloco europeu deu ânimo para o DAX (Alemanha) repicar na LTA (linha de tendência de alta) e fechar a semana marcando fundo no gráfico semanal.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também conseguiu testar e respeitar a sua LTA que vem desde o fundo da crise do subprime e linha inferior de bollinger. O índice marcou um doji de indecisão no semanal deixando a possibilidade de fundo temporário a ser confirmado na próxima semana.


Na China a bolsa de Xangai não conseguiu se sustentar acima da linha de suporte nos 2.661 pontos. O índice fechou levemente abaixo desta linha renovando mínima mostrando força na tendência de baixa no curto/médio prazo. As bandas de bollinger continuam se abrindo dando espaço para mais quedas e não há médias móveis relevantes para sustentação do índice nos próximos meses. Já são mais de 3 anos de bear market na China e sem perspectivas de melhoras.


No Brasil a Bovespa continua em tendência de queda no médio prazo dentro do seu canal de baixa no semanal onde já fez o seu primeiro teste na base zona de congestão de longo prazo. O candle de baixa desta semana acionou mais um pivot de baixa com as bandas de bollinger mantendo movimento de abertura dando espaço para tendência de baixa continuar. A esperança para os comprados nas próximas semanas é que esta região dos 60k seja respeitada soltando um candle de fundo no semanal para puxar um repique de alta mais consistente no curto prazo. Para médio prazo a tendência de baixa permanece.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

10.000 pontos em 2 meses

O mercado vendedor na Bovespa já começa a fazer estragos a olho nú, o crash que estava disfarçado pelo rodízio de ações no índice já começa a aparecer na mídia que por sua vez colabora para o início de um movimento de eurofia no mercado. Os investidores simplesmente começam a vender suas ações porque os preços caíram demais. A bolsa de valores de São Paulo perdeu nada mais nada menos que 10.000 pontos em apenas dois meses de pregão. O clima de aversão à risco no cenário internacional aliada a desconfiança com a política econômica brasileira são fatores macro que corroboram as operações vendedoras na bolsa de valores.

Os temidos 60k foram atingidos e agora estamos trabalhando perto da base de uma grande zona de congestão, os suportes imediatos para se evitar uma derretida geral na Bovespa são os 60.000 pontos e 57.633 (última prega). Apesar de tudo, mesmo com essa quebradeira geral no mercado, ainda há espaço para operar em trades contra tendência (para quem não gosta de vender) em repiques de alta no intraday. Confimando as expectativas da análise de ontem o mercado abriu repicando para cima fazendo um pullback na resistência dos 62k, alertei para este alvo no twitter do Finanças Inteligentes. Após o teste nos 62k o mercado desabou.


O dia fechou sem relação boa de risco x retorno em trades comprados justamente por não haver linha de suporte para encaixar uma operação de compra, além disso segunda-feira é dia de vencimento de contratos de opções e a briga esquenta na Bovespa. Vale a pena frizar que deve-se utilizar os gráficos de 15 e 60 minutos para esse tipo de operação, tanto do índice bovespa, quanto do papel em questão. Para os vendidos o mercado está "mamão com açúcar".

Em Wall Street o dia foi bem diferente, os mercados estavam voláteis mas Dow Jones conseguiu fechar em alta (devido ao exercício de opções) numa tentativa de marcar fundo temporário na região dos 11.9k. Mesmo assim a ausência de um acordo para resolução temporária da crise fiscal na Grécia continua preocupando os investidores no mundo inteiro.


Hoje também tivemos ata do Copom que não trouxe novidades. O Banco Central praticamente confirmou que vai elevar mais uma vez a taxa selic na próxima reunião do Copom (provavelmente em mais 0,25 p.p.) tornando investimentos em renda fixa cada vez mais atrativos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Grécia tem que segurar o calote

Os ministros de finanças da zona do euro não chegaram a um acordo sobre a ajuda à Grécia e o primeiro-ministro grego, George Papandreou, decidiu anunciar a formação de um novo governo para tentar costurar uma solução. A população da Grécia continua protestando nas ruas, mas por enquanto esse plano do Papandreou não foi adiante. Já repetimos inúmeras vezes aqui no Finanças Inteligentes que um calote da dívida grega é inevitável, as duras medidas de austeridade fiscal não irão resolver o problema. Acontece que o mercado não está preparado para tomar um calote da Grécia nesse momento. A situação na Europa é bastante delicada, existem outros países na corda bamba como a Irlanda por exemplo, e se a Grécia declarar default poderá influenciar outros países a fazerem o mesmo, o que desencadearia uma quebradeira geral dentro do sistema financeiro europeu.

O sistema financeiro europeu também não está preparado para assumir um default da Grécia, grandes bancos franceses e alemães ainda possuem muita exposição nos títulos gregos. Hoje mesmo a agência de classificação de risco Moody's colocou em revisão para possível rebaixamento o rating de três grandes bancos franceses: BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole.

O desespero do mercado em relação à crise fiscal européia afetou até mesmo o preço do barril de petróleo que despencou mais uma vez em Nova York (ao estilo crash) conforme podemos observar no gráfico abaixo. O preço do barril do tipo light fechou cotado a 95,23 dólares, sendo que no mês passado ele estava  cotado a 113,00 dólares. Investidores estão pulando fora das commodities e correndo para aplicações mais seguras acreditando num rítimo moderado de crescimento da economia mundial para os próximos anos.


Nos Estados Unidos Dow Jones desceu a ladeira devolvendo toda a alta de ontem e renovando mínima no gráfico diário. A linha dos 12.1k pesou como resistência e o índice caminha firme em sua tendência de baixa iniciada no topo em 12.8k.


Na Bovespa tivemos o vencimento dos contratos futuros sobre o índice que simplesmente tomou conta do mercado à vista. Com a pressão vendedora muito forte, os estrangeiros que venderam índice estão sorrindo até as orelhas pois o movimento confirmou suas expectativas. No mercado à vista o dia foi de volume alto em cima da linha de suporte dos 61.6k. Volume alto em zona compradora com índice trabalhando em sobrevenda pode resultar em um repique de alta amanhã. Operação curta (contra tendência), com relação risco x retorno boa já que o stop está barato. Por outro lado, abaixo dos 61.6k podemos visitar os 60k mais rápido do que imaginava.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inadimplência dispara

Economia está longe de ser uma ciência exata mas uma coisa chamada taxa básica de juros funciona que é uma "beleza" em qualquer sistema capitalista no mundo inteiro. O segredo, que poucos sabem, é que ela deve ser cuidadosamente regulada para não desequilibrar todo o sistema. As medidas adotadas pelo ciclo de aperto monetário iniciado em janeiro deste ano  começaram a fazer efeito exatamente 6 meses depois (que é o tempo estimado para a calibragem na taxa de juros fazer efeito na economia). Infelizmente o reflexo na economia é negativo já que estamos lutando contra o monstro da inflação. Hoje a Serasa Experian divulgou que o índice de inadimplência dos consumidores avançou 21,7% no mês de maio comparando-se com o mesmo período do ano anterior. Somente da passagem de abril para maio deste ano a inadimplência cresceu 8,2%.

Estes números são consideravelmente altos mas infelizmente previsíveis. Com o aumento na taxa de juros o crédito fica mais caro, a inadimplência aumenta e as pessoas passam a consumir menos apertando o cinto. Apesar do mercado de trabalho brasileiro estar bem aquecido, a partir deste segundo semestre o rítimo de abertura de novos postos de trabalho tende a começar a cair.

No cenário internacional também não tivemos boas notícias. A mídia panfletou o crescimento da China como positivo porque Wall Street subiu forte no pregão de hoje, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Primeiro porque Wall Street subiu devido ao seu alto nível de sobrevenda (conforme podemos observar no gráfico abaixo), o índice estava castigado com tantas quedas e após um candle de indecisão deixado ontem o mercado entrou comprando para aproveitar a boa oportunidade de repique de alta conforme avisamos ontem aqui no Finanças Inteligentes. Segundo porque o grande problema dos países emergentes hoje em dia chama-se inflação. E a China passa por sérios problemas inflacionários, os preços ao consumidor atingiram o maior patamar em 34 meses e o Banco Central chinês teve que subir "inesperadamente" o compulsório mais uma vez, agora em 21,5%, recorde histórico.


A Bovespa fechou em alta mas o dia não foi bom para a parte compradora do mercado, justamente porque o índice reverteu o movimento de alta no final do pregão. Este movimento pode ser "uma dica" da pancadaria que poderá aparecer amanhã no vencimento dos contratos futuros, já que muitos investidores estrangeiros apostaram na queda do índice (e acertaram). Mercado totalmente indefinido e perigoso para amanhã, as bandas de bollinger voltaram a abrir e o MACD está esboçando corte para venda novamente.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Cada vez mais perto dos 60k

Pressionada pelas vendas no mercado futuro e pela ineficácia da política econômica nacional o índice Bovespa continua caminhando a passos largos ao encontro dos 60.000 pontos. Em novembro do ano passado a bolsa entrou em trajetória de queda e desde então todos os repiques de alta estão sendo apenas um motivo a mais para o mercado encaixar novas operações vendedoras. O rompimento dos 63k acelerou a tendência de baixa deixando o índice bovespa na corda bamba mais uma vez. Quem aposta no lado comprador tem que torcer para que a região dos 61.7k não seja perdida em hipótese alguma, mas as probabilidades não estão muito favoráveis. Pelo gráfico de fechamentos o índice já perdeu o último fundo anterior detonando mais um pivot de baixa com o MACD cortando para venda novamente.


O jornal The Wall Street Journal soltou uma matéria de capa reforçando um assunto já abordado aqui no Finanças Inteligentes anteriormente. Ou o governo brasileiro está batendo cabeça ou as autoridades políticas não tem noção do que estão fazendo. O jornal citou o exemplo da política de aperto monetário do BC que vai em desencontro com a estratégia do BNDES de continuar emprestando dinheiro no mercado via TJLP impulsionando a inflação. Isto é, enquanto a taxa de juros básica está em 12,25% a.a. o BNDES realiza empréstimos a 6,00% a.a. pela TJLP. Enquanto um tenta apagar o fogo o outro está jogando gasolina. Recomendamos ainda, reler o artigo: "A complexidade da economia em um mercado imprevisível".

Nos Estados Unidos o dia foi de calmaria total. Wall Street parou para respirar e Dow Jones conseguiu plotar um doji de indecisão em cima da linha inferior de bollinger bastante sobrevendido, dando boas oportunidades para início de um repique de alta nos próximos dias. Mesmo assim o temor quanto à uma nova desaceleração na economia mundial começa a voltar para os mercados e os investidores continuam com o pé atrás.

sábado, 11 de junho de 2011

A complexidade da economia em um mercado imprevisível

Os últimos dados econômicos observados nas últimas semanas referente à economia global não são nada animadores. Da Ásia, passando pela Europa e chegando nos Estados Unidos, de ponta a ponta do planeta os indicadores econômicos resolveram rolar ladeira abaixo. O velho problema da crise fiscal na periferia da Europa está ganhando força com a possibilidade concreta de default (calote) da dívida grega. Nas economias emergentes o crescimento está nitidamente perdendo força em relação ao ano anterior devido as pressões inflacionárias que obrigaram as autoridades monetárias a subirem a taxa de juros freando a expansão da economia.

Em especial, os países emergentes estão pagando a conta dobrada por estimular demais suas economias. Um bom exemplo podemos observar aqui no Brasil onde o governo combateu a crise financeira mundial através de estímulos econômicos (de certa forma exagerada) "forçando" o mercado interno a continuar consumindo como nunca. A taxa de juro baixa aliada ao poder máquina pública de jorrar dinheiro no mercado criou a sua própria bolha inflacionária. O crescimento robusto de 2009 estimulado pelo governo atraiu os olhos do capital especulativo mundial, nosso mercado passou a receber uma entrada maciça de dólares direcionados para compra de ativos em nossa bolsa de valores (a Bovespa fechou o ano de 2009 como a melhor aplicação do mundo) obrigando o governo a taxar o investimento estrangeiro em renda variável para evitar um estouro de uma bolha na Bovespa.

Além disso, os programas de quantitative easing dos Estados Unidos ajudaram a exportar ainda mais dólares para os países emergentes em operações de carry trade na intenção de pressionar a bolha inflacionária nesses países. O crescimento insustentável da economia brasileira jogou o nosso próprio mercado em uma sinuca de bico. A demanda interna aquecida pela máquina pública do governo desregulou o equilíbrio econômico pressionando demais os preços forçando o Banco Central a aumentar a taxa de juro. Com o aumento na taxa de juros viramos o paraíso da renda fixa mundial e mais uma vez recebemos uma enxurrada de dólares que rolaram o nosso câmbio ladeira abaixo fazendo o país perder competitividade no comércio internacional.

O efeito desastroso dos programas de estímulos econômicos inflaram também o mercado de commodities. No gráfico abaixo podemos observar a arrancada das commodities iniciada em novembro de 2008 aos 361,35 pontos batendo incríveis 1.133,37 pontos em janeiro deste ano. Esta explosão nos preços das commodities também criou uma bolha que já mostra sinais de correção de acordo. A análise técnica mostra perda da LTA média, perda da média móvel simples de 20 períodos e MACD extremamente sobrevendido cortado e confirmado para venda no longo prazo.


Mas então porque foram "criadas" tantas bolhas no mercado? Simplesmente porque os problemas da crise financeira em 2008 não foram resolvidos, ninguém pagou a conta e os grandes blocos econômicos tentam exportar a crise para outros mercados. Europa x Estados Unidos x Emergentes. Nesse embate a Europa está sendo a primeira a mostrar sinais de fraqueza obrigando os países do bloco europeu a entrarem em duros programas de austeridade fiscal. Acontece que os Estados Unidos estão com sérios problemas de défict fiscal e desemprego alto que aliados ao temor de deflação estão fazendo o FED a cometer os mesmos erros do passado durante a Grande Depressão.

Outro agravante está sistema bancário dos Estados Unidos. Há muita irregularidade na execução das hipotecas além de que o mercado imobiliário simplesmente quebrou e não consegue se reerguer. O sistema financeiro norte-americano continua o mesmo daquele de 2008, as operações com derivativos não são reguladas e o sistema não está sendo devidamente fiscalizado. A queda do índice Dow Jones US Banks (conforme pode ser observada logo abaixo) está chamando a atenção, o movimento de correção dentro do sistema financeiro norte-americano não parece ser uma irracionalidade do Sr. Mercado.


E os emergentes? Ficaram com a bomba da inflação na mão. A China luta bravamente para tentar frear o crescimento de sua forte demanda e impedir o estouro do mercado imobiliário. Reparem bem no gráfico da bolsa de Xangai. Um crescimento médio de 10% a.a. do PIB não era motivo para levantar as ações das empresas na bolsa de valores? A economia cresce forte, as empresas lucram mais, os múltiplos fundamentalistas ficam interessantes e a bolsa despenca? Como explicar essa "falta de lógica"? A resposta é bastante simples, quem manda na bolsa é o mercado. Ele pode ser racional ou irracional sobre diversos pontos de vista.


O topo histórico da bolsa de Xangai ocorreu no segundo semestre de 2007 na casa dos 6.000 pontos, meses antes do início das olimpíadas na China. Bolsa é expectativa futura, o mercado estava precificando a boa fase da economia chinesa aliada à proximidade dos jogos olímpicos. Quando a expectativa estava perto de se tornar uma realidade o mercado entrou em crash. A bolsa de Xangai praticamente quebrou ao sair da casa dos 6.000 pontos em 2007 para 1.750 pontos em 2008.

Mas será mesmo que o mercado chinês estava "errado" em derrubar a bolsa de Xangai? Quais são os atuais problemas da economia chinesa que eram apenas expectativas há 3 anos atrás? Será que o crescimento de 10% a.a. era saudável? O país tem a maior reserva de dólares do mundo por manipular descaradamente o câmbio favorecendo suas exportações (e o dólar está perdendo valor há mais de 3 anos), a inflação está desenfreada e existe uma bolha no mercado imobiliário. Ao contrário do que parece, a economia chinesa apresenta mais problemas do que soluções.

E a Bovespa, como fica no meio desse fogo cruzado? Infelizmente também não tenho boas notícias para o nosso mercado. Reparem que mesmo com um crescimento de 7,5% em 2010 a bolsa simplesmente "parou no tempo" e começou a cair. O gráfico abaixo representa o desempenho do Ibovespa mensal desde 1998 e mostra um agravante técnico. A média móvel simples de 20 períodos foi perdida. Esta é uma média de sustentação do índice e todas as vezes que ela foi perdida (indicado pelas setas brancas no gráfico) o mercado acelerou a correção.


Com isso voltamos aquela mesma pergunta, será que o mercado está sendo irracional? O governo insiste em dizer que somos uma "economia forte", mas eu trocaria essa palavra por mercado consumidor forte. O governo subestimou o poder da nossa demanda interna, conforme relatado nos parágrafos anteriores, e conseguiu a proeza de abrir a jaula de um "monstro" chamado inflação. Pelas declarações do Banco Central podemos perceber que a política de aperto monetário deverá se permanecer por um tempo suficientemente prolongado, justamente porque as pressões inflacionárias tendem a se manter ao longo de 2012.

Um cenário inflacionário benigno força o aumento da taxa de juros que acaba atraindo os investimentos para a renda fixa, deixando a renda variável de lado. O investidor brasileiro que se posiciona na renda fixa está jogando junto com o mercado. Porque aplicar na bolsa de valores se temos a maior taxa de juro real do mundo? Esta é a pergunta que há mais de 1 ano está fazendo o investidor pessoa física a reduzir sua exposição na bolsa de valores.

Os leitores do Finanças Inteligentes estão cansado de saber, mas não custa nada repetir que se tivéssemos uma infraestrutura melhor, uma carga tributária menor, uma política econômica constantemente séria e comprometida com o crescimento sustentado ao longo dos anos não estaríamos passando por tamanho desequilíbrio econômico entre oferta e demanda. Hoje temos muita demanda para pouca oferta e o pior de tudo é que estamos reduzindo o nosso processo produtivo (importando mais manufaturas) com a desindustrialização do país.

O cenário para investimentos em renda variável continua nebuloso, mas algum dia o sol irá voltar a aparecer e as bolsas de valores irão reverter a tendência de queda. Não podemos saber quando esse dia vai chegar, mas devemos estar preparados para mudar de barco e nadar junto com o mercado mais uma vez.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Fechamento da semana

Problemas de conexão na internet me impossibilitaram de postar a análise de quinta-feira e terei que ser bastante breve na análise de fechamento desta semana. Em geral o pessimismo generalizado tomou conta dos mercados internacionais esta semana (lembrando que ontem o Copom aumentou o juro em linha com o mercado) os motivos são sempre os mesmos relatados aqui no Finanças Inteligentes.

A notícia de que a China teve superávit comercial menor que o esperado em maio, em meio a fortes importações e menor demanda global por produtos do país aumentou ainda mais a onda de aversão à risco nos mercados do mundo inteiro.

Nos Estados Unidos temos Dow Jones confirmando a perda da linha central de bollinger, renovando mínima e acelerando ainda mais a tendência de baixa que não parece ser apenas uma correção técnica. A linha de tendência de alta que vem desde o fundo da crise deverá ser testada na próxima semana com o MACD cortando para venda, cenário complicado para Wall Street.


Na Europa temos o DAX (Alemanha) já realizando o teste em sua linha de tendência de alta, antecipando o movimento em relação ao Dow Jones. O MACD também está cortado para venda, o índice corre perigo de perder sua tendência de alta no médio/longo prazo.


A semana na bolsa brasileira não foi nada boa. Confirmou o doji de indecisão deixado no gráfico da semana anterior. O candle desta semana é de forte expressão e abriu as bandas de bollinger gerando espaço para mais quedas na próxima semana. Fora isso continuamos sem novidades, trabalhando em um canal de baixa no médio prazo dentro de uma congestão maior no longo prazo (entre 58k a 72k).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Em linha com o mercado, Copom aumenta juro

O Copom (Comitê de Política Monetária) confirmou as expectativas do mercado e também do Finanças Inteligentes e elevou por unanimidade mais uma vez a taxa selic em 0,25 p.p. passando agora para 12,25% a.a. O aumento faz parte de um processo de ajuste gradual das condições monetárias onde ainda se observa uma demanda aquecida no mercado interno. Ao que tudo indica na próxima reunião do Copom podemos ter um novo aumento na taxa selic de 0,25 p.p., esta expectativa se dá pelo seguinte comunicado da autoridade monetária: "o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012".

Na visão do Finanças Inteligentes a atuação do Banco Central está correta, não há espaço para manutenção e muito menos redução da taxa básica de juro, o rítimo de aperto monetário deverá prosseguir por mais uma ou duas reuniões do Copom. Apesar de tudo, ainda é cedo para acreditar que vamos fechar 2012 no centro da meta (que é de 4,5%), muito pelo contrário, a expectativa é de inflação forte para o ano que vem também.

No mercado de capitais o dia foi de poucas oscilações nas principais bolsas mundiais com investidores analisando o conteúdo do Livro Bege do FED (banco central norte-americano). "O livro" não trouxe novidades e apenas reforçou a avaliação pessimista sobre o crescimento econômico feita pelo Ben Bernanke no fim da tarde de ontem. Mesmo assim não há nenhum sinal de que os Estados Unidos irão oferecer uma terceira rodada de estímulos monetários para a economia (quantitative easing 3). O fato de Bob Rodrigues, gestor do fundo de ações americano com o maior rendimento nos últimos 25 anos, recomendar que os investidores deveriam começar a reduzir exposição em bolsa também pesou em Wall Street. Com isso Dow Jones fechou mais um dia em queda tentando achar desesperadamente um fundo no meio de tanta onda vendedora.


Na Bovespa o pregão foi de poucas novidades com o mercado aguardando a decisão do Copom sobre a elevação da taxa selic. O índice bovespa continua trabalhando dentro da zona de congestão de curto prazo (63k a 65k). Já é o terceiro pregão consecutivo que fechamos na região dos 63k e pelo que parece a força compradora continua fraca pois o mercado deu várias chances de se engatar um repique em cima desta linha de suporte (63k). Mas até o momento nada feito, se a força compradora não aparecer logo o índice vai ficar fácil pra socarem novamente que poderá levar a Bovespa para zona de suporte em 61.7k.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Palocci cai pela segunda vez

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, não conseguiu convencer a oposição (e também a todos os brasileiros) sobre suas atividades suspeitas e entregou hoje a tarde o seu "pedido de demissão" à presidente Dilma Roussef. Palocci vive novamente a experiência de deixar um posto no alto escalão do governo federal sob suspeita de irregularidades e corrupção. Desta vez as suspeitas caíram sobre sua evolução patrimonial no período em que foi deputado federal, antes de se tornar o principal auxiliar da presidente Dilma.

A situação de Palocci começou a complicar quando o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria provando que o ex-ministro multiplicou por 20 vezes o seu patrimônio no período em que ele foi deputado federal de 2007 a 2010. Palocci também está envolvido em um suposto tráfico de influência e os fatos que são de nosso conhecimento podem ser apenas a ponta do iceberg de um gigantesco esquema dentro do governo petista.

Com a saída de Palocci o governo começa a se enfraquecer confirmando a desconfiança no mercado refletida pela queda no índice bovespa desde o mês de novembro do ano passado. Com isso o governo perdeu o pouco de credibilidade que ainda restava dentro do mercado, pois havia afirmado várias vezes nas semanas anteriores que caso envolvendo o patrimônio de Palocci estava encerrado, numa tentativa de proteção ao ministro.

No mercado financeiro o índice bovespa devolveu quase toda a alta do dia no final do pregão mas respeitou a linha de suporte nos 63k. Reparem que existe uma nova zona de congestão de curto prazo demarcada com as linhas cinzas no gráfico entre 63k a 65k. O rompimento desta faixa de congestão deverá sinalizar o rumo do mercado para as próximas semanas.


Nos Estados Unidos o pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, jogou "água no chopp de Wall Street" que estava operando em alta até então. Bernanke disse que a recuperação da economia americana continua "frustradamente" lenta, mas que deverá se acelerar no segundo semestre deste ano (pra quem anda devagar qualquer 0,10% a mais no PIB é uma aceleração). Ele não sinalizou nenhuma nova medida de estímulo à economia e Wall Street fechou em baixa mais uma vez. Dow Jones está caindo em linha reta, não conseguiu se segurar no suporte dos 12.1k e o cenário para médio prazo não está ficando nada bom (para os comprados). A queda dos últimos dias foi tão forte que o nível de sobrevenda no Dow Jones já está alto demais.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Agora somos parceiros da... Venezuela !

Antes de começar a análise de hoje gostaria de fazer uma pergunta a você caro leitor do Finanças Inteligentes. Você investiria suas economias num determinado país chamado Venezuela? Pois é, o nosso "competente" governo acaba de estreitar os laços com este "respeitoso" e "credibilíssimo" país. Não faltaram elogios entre ambas as partes na visita de Hugo Chávez ao Brasil, inclusive o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, recebeu apoio do presidente da Venezuela desejando força. "Fuerza, fuerza” disse Chávez à Palocci.

A presidente brasileira disse que Brasil e Venezuela têm um papel fundamental na integração regional e acrescentou que os países da região já avançaram significativamente na criação de um ambiente de harmonia. Dilma também afirmou que ela e Chávez olham com muita esperança o futuro da região e que eles têm certeza de que construirão países desenvolvidos e democráticos. Espetacular não? Chávez está no poder da Venezuela desde 1999, viva a democracia! E viva o desenvolvimento, pois se não fosse a PDVSA (companhia petrolífera venezuelana) este país já estaria praticamente quebrado com grande parte da população vivendo na linha da pobreza.

E para fechar com chave de ouro, Dilma salientou que deseja aumentar as importações de produtos venezuelanos e investir mais na infraestrutura do país. É isso mesmo, você não está ficando doido, nem lendo errado, vamos investir na infraestrutura da Venezuela por meio da petroquímica Braskem com aproximadamente 4 bilhões de dólares no programa "Minha Casa, Minha Vida" da Venezuela (mais conhecido como "Misión Vivienda").

Hugo Chávez, o "presidente" que violou os princípios constitucionais venezuelanos, com restrições à liberdade de imprensa e fechamento de emissoras de TV que criticam o governo está sendo apoiado fortemente pelo governo populista do PT.

Infelizmente estas preocupações políticas estão tomando conta do humor dos negócios no mercado nacional. Hoje a Bovespa caiu quase 2% perdendo novamente a importante linha dos 64k e testando o suporte dos 63k no qual destacamos na semana passada. Este suporte não pode ser perdido, caso contrário poderemos testar o último fundo no curto prazo em 61.7k.


Nos Estados Unidos o dia foi de leve baixa com Dow Jones testando a região dos 12.1k conforme alertado na semana passada. O índice encontrou um bom ponto para tentar engatar um repique no curto prazo, mas a queda dos últimos dias está mais forte do que o normal inviabilizando abertura de posições compradas em Wall Street. Os investidores devem aguardar um sinal do mercado para voltar a comprar Dow Jones, apostar no suporte com este cenário é assumir um risco alto demais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A vergonha de ser o 20º colocado

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil referente ao 1ºTRI/2011, a expansão foi de 1,3% sobre o 4 ºTRI/2010 e de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números vieram em linha com as expectativas do mercado e agradaram o governo brasileiro. "É um crescimento satisfatório, mostrando que a economia continua tendo vitalidade, porém desacelerando em relação ao ano passado", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Diferentemente do governo, o Finanças Inteligentes não se limita em analisar a economia brasileira sem ao menos olhar o cenário macroeconômico antes. Para sabermos se estamos bem ou mau, nada mais justo que comparar a nossa economia com países de mesma relevância que a nossa. O economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, ajudou neste ponto e fez um levantamento entre o PIB de 41 países comparando o crescimento do 1ºTRI/2010 com o 1º TRI/2011. Adivinha em qual colocação nós ficamos? Vigésimo!

Mais vergonhoso que ficar em vigésimo colocado é saber que uma economia da América Latina está ocupando a primeira posição do ranking (desbancou até mesmo a toda poderosa economia chinesa) devido à sua competente política econômica que faz o país aproveitar o ótimo momento do mercado latino-americano perante a economia mundial. Um pais encolhido entre a Cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico esbanja um crescimento de 9,8%, simplesmente invejável. O Chile é um dos países mais  prósperos e estáveis da América do Sul, é o melhor em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, liberdade econômica, índices comparativamente baixos de pobreza e principalmente: baixa percepção de corrupção.

E o Brasil, o que pode esbanjar? PIB de 4,2%? Até o Vietnã está crescendo mais do que o Brasil. Quer mais? Letônia, Finlândia, Ucrânia, Venezuela, Indonésia, Lituânia, Malásia, Estônia... Todos esses países possuem uma coisa em comum: um crescimento superior ao nosso. Além é claro dos consagrados China, Índia, Hong Kong e Tawian que sempre estão "dando uma lavada" no nosso PIB.

Felizmente o Brasil tem um grande potencial de crescimento, somos a potência dos recursos naturais, energéticos e alimentícios do mundo, só não estamos sabendo aproveitar esta oportunidade. O Brasil simplesmente não consegue crescer mais do que 4,5% ao ano pois esbarra em problemas banais como infraestrutura precária, má gerência da política econômica, educação baixa, tributação alta, alfândega arcáica e principalmente: corrupção descarada.

Fazendo agora um giro pelos principais mercados mundiais, podemos perceber que mais uma vez os mercados emergentes estão fora de sintonia com os mercados desenvolvidos no curto prazo, o que não deixa de ser um bom sinal neste momento pois Wall Street e Europa estão caindo há 5 semanas consecutivas. Abaixo podemos observar o gráfico do Dow Jones perdendo a linha central de bollinger em um candle de forte expressão. O suporte dos 12.1k foi praticamente testado e pode gerar um respiro para a próxima semana.


Na Alemanha o DAX também continua caindo perdendo a linha central de bollinger tentando se manter acima do suporte dos 7k. Movimento idêntico ao de Wall Street.


Na China a bolsa de Xangai conseguiu respirar fechando a semana em leve alta após a derretida da semana passada. O suporte mais importante está na casa dos 2.6k com boas probabilidades de repique pois a bolsa de Xangai está sobrevendida.


No Brasil o Ibovespa fechou a semana marcando um doji, mostrando indefinição no mercado para a próxima semana. Não ficou bonito (para os comprados) este doji de indecisão após o candle de alta marcando fundo na semana passada, pois indica que o fundo no gráfico pode ser temporário (de curto prazo). Sendo assim na semana que vem a bolsa terá que subir novamente para anular esta possibilidade de retomada da tendência de baixa. O fato de estarmos dentro de um canal de baixa no médio prazo limita o aparecimento contínuo da força compradora.


Mas existe uma boa possibilidade da bolsa engatar uma tendência de alta mais consistente no curto prazo. Essa possibilidade está no encerramento/redução drástica das posições vendidas no índice futuro e/ou no encerramento/redução drástica nos aluguéis de ações. Ambos estão em níveis altos demais (apostando na queda do índice), portanto se a força compradora forçar a barra no curto prazo o mercado pode disparar a subir as custas do prejuízo de quem teve que encerrar essas posições vendidas.
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