sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Análise e projeções para 2014


O Relatório Trimestral de Inflação divulgado hoje pelo Banco Central confirmou a expectativa decepcionante, traçada anteriormente pelo mercado, para o crescimento da economia brasileira no próximo ano, perdendo, mais uma vez, o pique de retomada da atividade global.

O quadro doméstico continua desanimador. A grande mudança em relação ao Relatório Trimestral de Inflação de setembro está justamente na revisão negativa para o desempenho da economia brasileira. Anteriormente os diretores de política monetária do Banco Central esperavam “ritmo de atividade doméstica mais intensa no próximo ano”. Agora a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro caiu para 2,3% em quatro trimestres até setembro de 2014. Isso significa que a autoridade monetária não acredita mais na possibilidade de aceleração do ritmo de crescimento.

O cenário é negativo e, talvez, até pior do que crescer mísero 1%, como ocorreu em 2012, período marcado pelo baixo desempenho/retração das principais economias desenvolvidas. Hoje, pode-se observar intensificação no ritmo de atividade global. As economias desenvolvidas estão em processo de recuperação econômica e impulsionarão o crescimento em 2014.

O fato de não acompanharmos a retomada do crescimento global constitui mais uma indicação negativa para economia doméstica e revela a persistência de uma série de restrições (principalmente estruturais), bem como o nível de nossa vulnerabilidade, responsáveis por barrar toda e qualquer tentativa de retomada da atividade doméstica, mesmo quando os impulsos são frutos do ambiente externo.

O ambiente de negócios no Brasil continua extremamente desfavorável. Os velhos problemas relacionados à infraestrutura deficitária, excesso de burocracia, carga tributária elevada e baixo nível de educação, somam-se às novas variáveis criadas pelo alto grau de intervenção do Estado na economia, dentre as quais pode-se destacar lamentavelmente a permanência da inflação em níveis elevados e distantes do centro da meta (4,5%), péssima gestão dos recursos públicos, estratégias equivocadas de política econômica e perda de confiança e credibilidade entre investidores e empresários. A ineficácia destas intervenções resultou em mais aumento do gasto público, alavancando o nosso endividamento, elevando o déficit fiscal e prejudicando as metas de superávit primário. Estes fatores, por sua vez, reduziram a demanda de investidores interessados em emprestar dinheiro ao governo brasileiro, provocando, consequentemente, aumento do custo de captação de recursos no mercado. Sob o olhar de menor interesse do mundo em relação aos ativos brasileiros, o real entrou num processo de depreciação, com menor fluxo de entrada de dólares e maior fluxo de saída, expondo mais uma vulnerabilidade da economia brasileira, dependente de financiamento externo, dentre as quais pode-se destacar o rombo nas transações correntes crescendo em ritmo insustentável no longo prazo. A segunda consequência provocada pelo deslocamento no câmbio contribuirá para manter a inflação pressionada no próximo ano, que se somarão às novas pressões provocadas pela alta inevitável dos preços administrados (tarifas de transporte público, energia elétrica, combustíveis, entre outros), obrigando o Banco Central a queimar reservas cambiais na tentativa de conter parte da pressão inflacionária insuficientemente combatida pela alta da taxa básica de juros. O tamanho relevante deste parágrafo foi construído propositalmente para observamos o efeito dominó provocado pela baixa capacidade de gestão do Estado.

O necessário ajuste fiscal, principal variável responsável por evitar uma queda no rating brasileiro, não virá em 2014. A reversão de algumas desonerações será a principal ferramenta do governo na tentativa de se aproximar da meta “fictícia” de superávit fiscal. O plano de reduzir despesas com o pagamento de seguro-desemprego e abono salarial (a partir da realização de um curso de qualificação profissional) mostra que não há real interesse do governo em fazer um ajuste fiscal minimamente digno/aceitável.

Consequentemente, a política fiscal expansionista seguirá exercendo pressão relevante sobre os índices de preços. Esta fonte continua sendo ignorada pelo Banco Central. A autoridade monetária trabalha com a hipótese de deslocamento do balanço do setor público para a zona de neutralidade, avaliação totalmente desencontrada do quadro atual.

As projeções de inflação observadas no Relatório divulgado hoje mostraram por que o Banco Central reconheceu, pela primeira vez, na ata da reunião do mês de novembro, a impossibilidade de garantir a trajetória descendente do índice de preços no próximo ano. A tabela abaixo revela que o Banco Central está muito longe de atingir o seu objetivo.


A projeção de inflação parte de 5,8% no quarto trimestre de 2013, recua ligeiramente para 5,5% até o segundo trimestres de 2014, mas volta a subir para 5,7% no terceiro trimestre e encerra o ano em 5,6%. Em 2015 a taxa de inflação abrirá perigosamente pressionada em 5,7%, apresentando um pequeno recuo nos próximos trimestres, encerrando o ano em 5,4%. As projeções foram traçadas levando em consideração a manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte de previsão em R$2,35 e a meta para a taxa Selic em 10% a.a.

Pode-se observar claramente nas projeções oficiais do próprio Banco Central a insuficiência de calibragem da taxa básica de juros para combater devidamente as pressões inflacionárias, oriundas de fontes distintas e complexas. A recente sinalização de redução do ritmo de aperto monetário mostra que a autoridade monetária vai correr o risco de manter a inflação acima e distante do centro da meta, mais uma vez, sustentando a atual complexidade do quadro doméstico para os próximos anos.

Estes entraves continuarão exercendo pressão negativa sobre o mercado de ações em 2014. Os lucros das empresas serão impactados pela recente alta da taxa básica de juros (maior custo de captação/financiamento), insustentabilidade do modelo econômico, manutenção do péssimo ambiente de negócios e crescente deterioração do cenário doméstico. Por outro lado haverá pressão positiva para um seleto grupo de empresas exportadoras de commodities, beneficiadas pelo deslocamento do câmbio e retomada da economia global. Estes ativos tendem a continuar atraindo fluxo dos fundos de ações. A atenção dos gestores seguirá voltada às boas empresas com receitas em dólar e despesas em reais.

O saldo final provocado pela atuação destas duas fontes distintas poderá resultar na permanência de um mercado travado no próximo ano, não se distorcendo da tendência ligeiramente baixista de longo prazo, apresentando alternâncias entre pernadas de curto prazo significativas de alta e de baixa. Portanto, a estratégia recomendada para 2014 continuará sendo praticamente a mesma utilizada neste e nos últimos anos: aproveitar, dentro do possível, o direcional dos movimentos técnicos de curto prazo. O ambiente interno desfavorável inviabiliza a manutenção de um movimento direcional ascendente no longo prazo e dificulta bastante o stock picking (seleção de ações) para investidores pessoa física.

No curto prazo o índice Bovespa trabalha dentro de um movimento de recuperação, apoiado pela perspectiva de manutenção da postura acomodatícia do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) por um período de tempo superior ao que se esperava anteriormente. A permanência da Federal Funds Rate (taxa básica de juros) em níveis historicamente baixos por mais dois anos, pelo menos, contribuirá para reduzir a volatilidade e o clima de aversão ao risco nos mercados globais, mas não constituiu fator de melhora na economia doméstica ou no valuation das empresas brasileiras.  Portanto, altas provocadas pelo affair do FED tendem a ser insustentáveis ao longo do tempo, por conta da distorção de deslocamento direcional entre preços e fundamentos, abrindo espaço, na sequência, para novas correções de preço.

O ponto de sustentação do atual movimento de recuperação do índice Bovespa está na região de suporte psicológico dos 50k, marcado por uma formação de fundo e possível reversão pelos candles no gráfico semanal, abrindo espaço para manutenção deste movimento no curto prazo.


No mercado de renda fixa podemos observar um pequeno movimento corretivo de curto prazo, influenciado, especialmente, pela expectativa de interrupção do ciclo de aperto monetário no primeiro trimestre de 2014. O target para a taxa Selic está mais visível, gira em torno de 10,5% e 10,75%. A digestão destes dados pelo mercado provoca um inevitável acerto dos excessos praticados nas curvas de juros futuros, principalmente nos contratos de curto prazo.

Entretanto, não há perspectiva de estabilidade na curva para o médio e longo prazo, tanto por fatores oriundos de pressões internas (fiscal, endividamento e inflação), quanto por fatores oriundos de pressões externas.

As pressões internas já foram detalhadas nesta análise. As pressões externas serão examinadas na sequência.

Embora as políticas monetárias dos principais banqueiros centrais mundiais permaneçam, ainda, altamente expansionistas, o mercado da dívida soberana já está adiantando um importante momento de transição: o início de um bull market das taxas de juros a nível global.


O gráfico acima mostra a movimentação da taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano. O movimento ascendente iniciado no final de 2012 ganhou força e rompeu a LTB de 1981, marcando, tecnicamente, o fim de uma era de três décadas de bear market dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano).

A inversão relevante na tendência de longo prazo das taxas de juros nos Estados Unidos respinga sobre os demais títulos da dívida soberana, especialmente em países emergentes, onde os ativos apresentam maior presença de fatores de risco. O aumento da remuneração dos títulos do Tesouro norte-americano provoca uma inevitável atração de capital, obrigando os demais países a subirem seus respectivos prêmios de risco (alta dos juros), a fim de manter a atratividade de seus ativos e impedir uma fuga em massa de capitais.

O bull market das taxas de juros globais ganhará mais consistência quando a Federal Funds Rate começar a subir nos Estados Unidos, marcando o início da fase crítica de desalavancagem do sistema. Por este motivo recomenda-se manter total distância de posicionamentos em títulos de médio e longo prazo.

As únicas opções continuam sendo a LTN 2016 (atualmente paga um juro pré-fixado de 11,88% ao ano) e LFT 2017 (título pós-fixado, atualizado diariamente). Não há título de curto prazo atrelado à inflação disponível para compra, portanto esta opção continua descartada. Priorizar posicionamentos parciais e crescentes no título pré-fixado de curto prazo somente nos momentos de tensão/disparada das taxas. Já a posição pretendente no título pós-fixado pode ser montada de imediato. O momento permite um balanceamento da carteira de renda fixa de, no mínimo, R$ 2,00 de pré-fixado para cada R$ 1,00 de pós-fixado.


Ao comprar LFT 2017 e LTN 2016, o investidor aproveitará o ciclo de alta dos juros por meio de um título pós-fixado (LFT 2017) e se beneficiará com os excessos do mercado por meio de um título pré-fixado (LTN 2016). O timming de compra do título pré-fixado é o que garantirá a boa rentabilidade da carteira de renda fixa.

No mercado de câmbio permanece a perspectiva de valorização do dólar para o próximo ano. A depreciação do real não é uma consequência única e exclusiva do tapering e/ou normalização futura das condições monetárias nos Estados Unidos. A reversão da trajetória da taxa de câmbio começou há dois anos, justamente quando surgiram os primeiros escorregões e sinais de esgotamento da atual política econômica.


A crescente deterioração do quadro doméstico é um dos principais fatores responsáveis por sustentar o movimento de valorização do dólar frente ao real. A inobservância de ações corretivas do Estado no sentido de mitigar este processo permite a manutenção da tendência de alta da taxa de câmbio.

No mercado de commodities pode-se observar relativa estabilidade dos preços nos últimos 12 meses, trabalhando dentro de uma congestão de médio prazo. Este movimento faz parte do ciclo de correção iniciado em 2011, consequência do super ciclo de alta das commodities constatado na década passada.


Não há perspectiva de retorno dos preços aos picos verificados em 2011, mesmo diante de um cenário de reaquecimento da economia global. Isso porque o excesso de oferta presenciado no ambiente global possui plenas condições de atender e/ou acompanhar o reaquecimento da demanda.

Especial atenção para o ouro. O estouro da bolha nas commodities metálicas jogou a cotação para os níveis mínimos atingidos na crise de 2008, conforme podemos observar no gráfico abaixo.


O movimento de pânico de baixa ainda não chegou ao fim, tende a ser sustentado pela decepção da manada, inflação abaixo da meta de 2% nos Estados Unidos e manutenção da política monetária expansionista por um período de tempo superior ao que se esperava anteriormente. Mas com os preços depreciados pelo estouro da bolha, o ouro se tornará a principal válvula de escape (mecanismo de fuga) em 2015/2016, quando o mercado provavelmente começará a precificar o choque provocado pela elevação da Federal Funds Rate.

O mercado continua exigindo alto grau de adaptabilidade do investidor perante as constantes e corriqueiras mudanças de temperatura. As opções são restritas e de curta duração. Hora o clima está positivo e ensolarado, abrindo espaço para todos descerem à praia. Hora o clima está frio e negativo, exigindo cautela dentro de casa. Mas aquela nuvem carregada no horizonte, mais conhecida como desalavancagem do sistema, se aproxima lentamente. A alternância constante de temperatura, provocada pelo choque de correntes de ar quente e frio, pode provocar uma tempestade.

Investidores precisam estar preparados para enfrentarem esta adversidade, que, diferente de 2008, será provocada pelos próprios banqueiros centrais. A primeira gota daquela nuvem carregada no horizonte cairá quando o FED sinalizar o aumento da taxa básica de juros. Entretanto, o clima de temor e incerteza pode e deve ser encarado de frente pelo investidor, com posicionamentos corretos e/ou defensivos. O mais importante é que estaremos aqui, faça chuva ou faça sol, ajudando no que for possível, o tempo todo. Contem conosco sempre que precisarem!

Desejo a todos um ótimo Natal e um ano novo repleto de saúde, felicidade, sucesso e bons negócios! Obrigado a todos vocês leitores e comentaristas, grandes responsáveis pela manutenção deste excelente espaço de discussões sobre o mercado financeiro nacional e internacional.

Encerramos por aqui as nossas atividades em 2013. Retornaremos no início de 2014 num ritmo reduzido de postagens durante este período de férias do mercado financeiro, priorizando as análises nos dias relevantes ou no surgimento de novidades técnicas ou macroeconômicas.

Grande abraço e até mais!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Bovespa dispara e sinaliza reversão


Refletindo o novo quadro macroeconômico traçado na análise de ontem, o índice Bovespa subiu 2,12% nesta quinta-feira, aumentando a força da tendência de alta de curtíssimo prazo.

O movimento técnico é relevante, pois sinaliza reversão da tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k. Resistências fortes e importantes foram superadas, tais como linha central de bollinger e o antigo ponto de pivot na região dos 51.3k. Estes rompimentos ocorreram com um candle de força expressiva (marubozu de alta), reforçando a sinalização de reversão.


O índice Bovespa caminhará para romper a LTB dos 56.7k nos próximos pregões, liberando espaço para manutenção da pernada de alta iniciada na região do suporte psicológico dos 50k. As linhas de resistências posicionadas mais acima (52.5k e 54.4k) serão enfraquecidas pelo provável rompimento da LTB principal.

A força compradora pode ser mais visível nos papéis de peso relevante do índice, beneficiados pela depreciação do câmbio e melhora no quadro econômico norte-americano.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou estável, colado na máxima histórica, sem apresentar oscilação relevante, mantendo a análise do último dia.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

FED muda o gatilho para elevar taxa básica de juros


O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) surpreendeu o mercado nesta quarta-feira ao anunciar o tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários).

A partir do mês de janeiro, a autoridade monetária vai aumentar sua carteira de títulos lastreados em hipotecas ao ritmo de 35 bilhões de dólares por mês (em vez de comprar 40 bilhões de dólares por mês), e sua carteira de títulos do Tesouro de longo prazo a um ritmo de 40 bilhões de dólares por mês (em vez de comprar 45 bilhões de dólares por mês). Com isso, o volume total dos programas de estímulos monetários (Operação Twist e Quantitative Easing 3, respectivamente) reduziu para 75 bilhões por mês.

A decisão foi justificada pela notável melhora dos indicadores econômicos norte-americanos, no qual foram destacados na análise do dia 06 de dezembro de 2013 “Economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering”.

Mesmo diante de uma sinalização significativa de avanço da economia, esperava-se pela manutenção temporária dos atuais programas de estímulos monetários do Banco Central por conta do nível elevado das taxas de juros futuros. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano continua muito próximo dos 3% ano e uma nova onda de volatilidade dos mercados (provocada pelo tapering, por exemplo), poderia alavancar ainda mais o rendimento dos títulos do tesouro, abortando a recuperação econômica.

Podia-se presumir que o Banco Central utilizaria esta reunião do mês de dezembro para preparar o mercado para o tapering, eliminando (quase totalmente), assim, a possibilidade de novas elevações nas taxas de juros futuros. Mas o FED decidiu correr o risco e fazer tudo de uma só vez: mudou o seu comunicado para acalmar o mercado e anunciou o tapering.

A estratégia é diferente daquilo que se imaginava, mostrando, portanto, que a minha análise estava errada. A surpresa é positiva e pode funcionar, já que os diretores do Comitê fizeram uma alteração extremamente relevante no comunicado, derrubando as especulações/incertezas de curto/médio prazo quanto ao futuro da taxa básica de juros.

Anteriormente o FED destacava em seus comunicados ao mercado o compromisso de manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros nos Estados Unidos) entre zero e 0,25% até a taxa de desemprego atingir os 6,5%, pelo menos. Este compromisso mudou. Agora o Banco Central pretende manter a Federal Funds Rate entre zero e 0,25% “bastante tempo depois" que o índice de desemprego chegar aos 6,5%.

A mudança é expressiva e tem objetivo claro de acalmar o mercado. Isso significa que a taxa básica de juros permanecerá na mínima história por um período de tempo suficientemente prolongado.

O Banco Central dos Estados Unidos projeta uma taxa de desemprego entre 7,0% e 7,1% neste ano, entre 6,3% e 6,6% em 2014, entre 5,8% e 6,1% em 2015 e entre 5,3% e 5,8% em 2016.

Caso as projeções do FED sejam confirmadas, a taxa de desemprego atingirá a marca psicológica dos 6,5% somente em 2015. A utilização da expressão “bastante tempo depois”, para sinalizar um aumento da Federal Funds Rate pelo gatilho da taxa de desemprego, acabou com a hipótese de aperto monetário nos Estados Unidos antes de 2016. Isso significa que o sistema permanecerá altamente alavancado por, pelo menos, mais dois anos.

É importante ressaltar que este quadro dependerá da estabilidade dos preços. O Banco Central dos Estados Unidos informou que deverá subir a Federal Funds Rate se a inflação superar o centro da meta (2,0%) em 0,5 p.p. Ou seja, caso a inflação chegue em 2,5%, a autoridade monetária deverá apertar a economia subindo os juros. Mas as projeções do FED para a taxa de inflação estão entre 0,9% e 1% para este ano, entre 1,4% e 1,6% em 2014 e entre 1,5% e 2% em 2016, permitindo, portanto, manutenção da Federal Funds Rate por um período suficientemente prolongado.

A notícia é extremamente positiva para o mercado acionário norte-americano, que além de colher os frutos da retomada econômica, permanecerá alavancado por mais um bom tempo. O índice S&P500 subiu 1,67% nesta quarta-feira. Nasdaq avançou 1,15%. Dow Jones disparou 1,85%, aproximando-se da máxima histórica.


A notícia é, também, positiva, embora em menor grau, para os mercados emergentes. A torneira vai jorrar menos dólares e fechar no ano que vem, reduzindo o fluxo de capital especulativo. Porém a grande preocupação girava em torno da possibilidade de desalavancagem do sistema (via alta da taxa de juros e taxa de inflação) no curto/médio prazo. Como esta possibilidade foi descartada hoje pelo FED, alguns mercados ganharam margem de manobra (tempo) para enfrentar as adversidades futuras provenientes do aperto monetário nos Estados Unidos.

O índice Bovespa subiu 0,94%, mas não reagiu à decisão de política monetária nos Estados Unidos, pois o mercado nacional fechou no momento do anúncio do FED. Esta nova condicionante macroeconômica pode impulsionar o Ibovespa nos próximos pregões, aumentando a força do movimento de repique.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mercado no aguardo do FED


O pregão desta terça-feira foi marcado por mais um dia insignificante para os mercados financeiros. Baixos volumes no mercado de ações, da dívida soberana e no câmbio mostraram mais uma vez que os investidores/operadores estão aguardando uma sinalização do FED (Banco Central dos Estados Unidos) amanhã.

A reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central norte-americano começou nesta terça-feira e terminará amanhã com alguma novidade e/ou esclarecimentos quanto ao futuro da política monetária no curto prazo.

A economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering, mas o FED deverá manter o volume (85 bilhões de dólares) do seu atual programa de estímulos monetários, já que a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano permanece elevada, próxima do patamar psicológico de 3%. Além disso, a inflação no país continua muito abaixo do centro da meta, fato que oferece condição para manutenção dos estímulos monetários no curto prazo.

De todo modo, o Banco Central dos Estados Unidos deverá preparar o mercado para o tapering, provocando uma redução nas taxas de juros futuras (títulos do Tesouro). Para isso, basta aumentar a clareza da política monetária através de uma mensagem bem clara e objetiva, destacando os planos da autoridade monetária para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado.

Os principais índices de Wall Street fecharam em leve queda nesta terça-feira. Os operadores evitaram montar posições antes do resultado da reunião do FED. O índice Dow Jones fechou com um candle de indecisão, deixando o jogo aberto para amanhã.


No Brasil o índice Bovespa cedeu 0,38% pressionado pela queda das ações da Petrobras. Circularam boatos no mercado de que a reunião da presidente da empresa (Graça Foster) com diversos analistas de instituições financeiras (preocupados com o futuro da companhia) revelou a possibilidade de não haver paridade de preços em 2014. Apesar da obviedade, por conta do ano eleitoral, a notícia é negativa e, consequentemente, derruba o humor dos investidores num momento de fluxo de caixa extremamente delicado para a empresa.
  

A queda do Ibovespa não alterou o quadro dos últimos dias. Mercado poderá se destravar amanhã.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Atividade industrial perde força de expansão


A preliminar do Índice Gerente de Compras de algumas das principais economias mundiais mostrou desaceleração no ritmo de crescimento durante o mês de dezembro. Tanto nos Estados Unidos, quanto na China, a atividade industrial perdeu fôlego nas primeiras semanas deste mês. A princípio, o movimento é natural, pois está refletindo a aproximação da temporada de férias de fim de ano.

A prévia do Índice Gerente de Compras dos Estados Unidos caiu para 54,4 pontos em dezembro, inferior aos 54,7 pontos registrados no mês anterior. O resultado decepcionou os analistas de mercado, que esperavam uma leitura próxima de 55 pontos.

Na China, a prévia do Índice Gerente de Compras caiu para 50,5 pontos neste mês, ante os 50,8 pontos registrados no mês de novembro. A perda do ritmo de expansão da atividade industrial não afetará a meta de crescimento do governo chinês para este ano (7,5%).

Os mercados subiram levemente nesta segunda-feira reagindo às sinalizações de indecisões da última sexta-feira. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones avançou 0,82% após testar e respeitar a linha de suporte na região dos 15.7k.


No Brasil o índice Bovespa subiu 0,46%, respeitando, temporariamente, o patamar psicológico dos 50k. A reação de curtíssimo prazo ainda é muito fraca para intensificar o atual movimento de repique e/ou inverter a tendência de baixa de curto prazo iniciada na região dos 56.7k.
  

Conforme podemos observar no gráfico de 60 minutos logo abaixo, o índice Bovespa permanece travado no curtíssimo prazo, pressionado por linhas de resistências de baixa relevância. A grande quantidade de candles pequenos sinaliza certa indecisão do mercado e baixa confiança por parte dos operadores para montarem posições curtas na ponta compradora, aproveitando-se do nível de sobrevenda.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Abaixou a maré no mercado imobiliário


Muito se justiçou à recente queda do FIIs (Fundos Imobiliários) e/ou ações do setor de construção civil na Bovespa ao ciclo de aperto monetário implementado pelo Banco Central no mês de abril deste ano. Este argumento era (e ainda é) utilizado por quase todos os analistas de corretoras que soltaram recomendações de compra em ativos (FIIs) com preços inflados no final do ano passado, acarretando em prejuízos significativos aos investidores que seguiram as sugestões.

O movimento de alta da taxa básica de juros reduziu a atratividade de determinados ativos de risco, provocando um fluxo natural do capital posicionado anteriormente na renda variável para a renda fixa.

O impacto nos FIIs ocorre de forma mais agressiva devido à semelhança destes investidores com o perfil de maior aversão ao risco (equivalente ao perfil das aplicações em produtos de renda fixa) e, principalmente, por conta da baixa liquidez deste segmento de mercado.

Da mesma forma que o movimento de valorização das cotas de FIIs aconteceu de maneira exagerada, o movimento de correção atual estaria ocorrendo, também, de forma exagerada levando em consideração a permanência/estabilidade do quadro atual.

Enquanto os juros futuros estavam subindo e os FIIs corrigindo a maré estava elevada no mercado imobiliário. Ninguém poderia comprovar a existência de uma nova variável, diferentemente daquela dos juros, responsável pela queda do preço das cotas de FIIs. Mas havia algo, ainda não revelado tecnicamente pelo mercado, bastante suspeito na precificação dos ativos que estava além da curva dos juros. A permanência/estabilidade do quadro atual não compactua com as perspectivas para os próximos anos.

O descompasso direcional no movimento dos FIIs com os juros futuros, revelado pelo mercado nestes últimos dias/semanas, confirma a existência desta nova variável na precificação dos ativos do mercado imobiliário.

No gráfico abaixo podemos observar o movimento da taxa de juros do contrato futuro que vence em 2016 (linha preta) com o movimento do IFIX (Índice de Fundos de Investimento Imobiliário – linha vermelha). O retângulo azul marca o início do ciclo de aperto monetário do Banco Central, que acabou surpreendendo o mercado na época. Os juros futuros subiram, enquanto os FIIs cederam (IFIX), refletindo novas expectativas de alta na taxa Selic.


O mesmo padrão pode ser observado na taxa de juros do contrato futuro da ponta mais longa, que vence em 2021.


O retângulo verde, nos dois gráficos, marca a primeira sinalização do Banco Central enviada ao mercado para interrupção do ciclo de aperto monetário. Os juros futuros começaram a cair, refletindo, agora, um novo movimento direcional da taxa Selic (estabilidade em 10,5% ou 10,75%), criando condições para correção do excesso da curva. Entretanto, pode-se observar que o IFIX continuou caindo, sinalizando uma distorção de movimento.

A reação natural do IFIX quanto à expectativa de interrupção do ciclo de aperto monetário deveria gerar um novo movimento ascendente, corrigindo excessos na precificação do mercado, e não a permanência de uma trajetória descendente nos preços. Este descompasso é, na verdade, a revelação técnica do mercado referente à existência de uma nova variável na precificação destes ativos.

Com um número mais sólido para a taxa básica de juros os investidores/agentes/analistas começam a calcular o impacto deste novo quadro sobre o mercado imobiliário. Os efeitos contracionistas provocados pelo aumento da taxa básica de juros causarão desaceleração no ritmo de crescimento do mercado imobiliário, altamente dependente das condições de circulação do crédito na economia.

Com o reajuste exagerado dos últimos cinco anos, ultrapassando o nível de resposta à estagnação nos preços dos imóveis das décadas passadas, os preços tendem a apresentar um novo movimento corretivo sustentado a partir da segunda metade de 2014. Acontece que a maior disponibilidade de oferta (fruto do boom de novos empreendimentos dos últimos anos) poderá acentuar o movimento de correção nos preços dos imóveis, que já serão impactados pelo próprio esfriamento da demanda (fruto da restrição do crédito na economia).

Portanto há o surgimento de duas pressões negativas que impactarão os preços dos imóveis nos próximos anos. O mercado revelou a precificação desta nova variável, que pode estar ainda na fase inicial. A partir de hoje, a pontuação do IFIX na mínima histórica não pode ser considerada apenas como uma reação do mercado ao movimento da taxa Selic. Reflete também a expectativa de renegociações mais difíceis com os locatários, aumento da vacância, inadimplência, quebras de contratos de locações, desvalorizações dos imóveis, entre outros.

Esta nova revelação técnica do mercado é importante, pois estava encoberta pela maré alta. A expectativa de correção sustentada no mercado imobiliário ganhou peso com a confirmação desta nova variável identificada na precificação dos ativos. Deixou de ser apenas uma sinalização fria (análise macroeconômica) para ser, também, uma sinalização emocional (psicologia dos preços).

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ibovespa emite sinal de indecisão

Influenciado pela agenda macroeconômica fraca, o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira próximo da estabilidade, refletindo a falta de novidades relevantes no mercado.

O candle de fechamento é um doji de indecisão e sinaliza nova oportunidade para o aparecimento da força compradora na linha de suporte dos 51.3k, fato que poderá provocar mais um movimento de repique de curtíssimo prazo.



Alguns ativos de peso no índice emitiram sinalização de indecisão e/ou reversão (curtíssimo prazo) nesta quinta-feira, reforçando o sinal emitido pelo Ibovespa, que por sua vez necessita de confirmação no próximo pregão.

Vale ressaltar que esta é uma indicação de baixa confiabilidade, por conta do baixo volume financeiro e ausência de drivers importantes no mercado.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mancada dupla


Aparentemente decepcionado pelo crescimento vergonhoso da economia brasileira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, encontrou um novo culpado pelo nosso fracasso: o crédito.

À primeira vista parece ser uma justificativa plausível. O excesso de crédito em circulação, estimulado pela desastrosa política de incentivo ao consumo do governo, tem provocado inúmeras distorções na economia.

A inflação persistentemente elevada provoca deterioração na confiança dos empresários, deprime os investimentos, aumenta os riscos, subtrai o poder de compra e reduz o potencial de crescimento da economia.

Mas na visão do ministro da Fazenda, o crescimento baixo está relacionado à escassez de crédito na economia. Mantega afirmou nesta quarta-feira que “a economia brasileira está crescendo com duas pernas mancas nos últimos anos por conta do financiamento ao consumo escasso e da crise financeira internacional”.

A declaração do ministro surpreendeu, pois, mais uma vez, está completamente desencontrada com a realidade. Em primeiro lugar a economia brasileira não consegue nem se aproximar da média de crescimento da economia global. Enquanto o Brasil cresceu 2,7% em 2011, o mundo cresceu, em média, 4%. Já em 2012 a economia brasileira cresceu 1%, enquanto a economia global expandiu 3,2%. Em 2013 vamos crescer novamente abaixo da média global (3% - projeção).

Em segundo lugar não há escassez de crédito no sistema. Dados do Banco Central disponibilizados na última ata de reunião do Copom revelam que o saldo total de crédito do sistema financeiro atingiu 2,6 trilhões de reais em outubro, com uma forte expansão de 14,7% nos últimos doze meses. Deste montante, 56,2% são operações de crédito com recursos livres, grandes responsáveis por estimularem as vendas no varejo.

Logo, pode-se observar que a crise internacional e a escassez de crédito não são responsáveis pela perna manca da economia brasileira. O que houve foi mais uma tremenda falta de responsabilidade do governo em repassar informações distorcidas ao mercado. Soa como uma tentativa (frustrada) de enganação. O baixo desempenho da economia brasileira é um simples reflexo das inúmeras mancadas observadas na gestão da política econômica nos últimos anos.

A justificativa de hoje pelo nosso fracasso acabou sendo uma mancada dupla do ministro da Fazenda. O mercado não engoliu as informações equivocadas e acelerou o movimento de correção, comparando-se com os demais índices mundiais, na tarde desta quarta-feira.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 1,81%, colado na linha de suporte dos 50.1k. Esta região será fatalmente perdida nos próximos pregões, por conta das condições técnicas desfavoráveis ao reaparecimento da força compradora.


Em caso de rompimento dos 50.1k o índice Bovespa acionará mais um pivot de baixa, praticamente invalidando por completo a força da linha de suporte localizada mais abaixo, na região dos 49.5k.  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,81%, formando um topo descendente na região dos 16k. A linha de suporte dos 15.8k deverá ser testada nos próximos pregões, com boas possibilidades de rompimento, fato que provocará o acionamento de um pivot de baixa, aumentando a força do movimento corretivo de curtíssimo prazo.


O mercado repercutiu o acordo preliminar firmado na noite de ontem, entre parlamentares Democratas e Republicanos, para o Orçamento dos Estados Unidos. O acordo estabelece novos limites de gastos para 2014 e 2015, além de restituir alguns dos cortes automáticos em programas sociais e militares. De uma forma geral, a decisão permite um aumento nas despesas públicas no curto prazo e reduz a possibilidade de uma nova paralisação em 2014.

O entendimento entre parlamentares norte-americanos reduziu o risco de reversão do atual ciclo de recuperação da atividade econômica nos Estados Unidos. Este fato novo (muito positivo por sinal) provocou uma queda psicológica nos mercados acionários, já que o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) poderia implementar o tapering (redução no volume dos programas de estímulos monetários) na reunião de Comitê da semana que vem.

Mas com a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano rondando a casa dos 3% (fechou em 2,86% hoje), as possibilidades de implementação do tapering este ano são bastante remotas.

Cabe ressaltar que esta é a última barreira a ser vencida pelo FED. A economia já deu o sinal de partida na semana passada. Hoje foi a vez da política. Só faltam os juros futuros.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Futuro da inflação é “incerto”


Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, reforçou o conteúdo da última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), aumentando as expectativas do mercado quanto à interrupção do ciclo de aperto monetário no primeiro trimestre de 2014.

Tombini abrandou o tom do seu discurso ao dizer que “há alguma incerteza sobre a intensidade com que a inflação irá reagir às elevações da taxa básica de juros feitas este ano”. Diante de um quadro de “incerteza”, o Banco Central poderia optar pela manutenção da taxa básica de juros (em 10,5% ou 10,75% - a partir do segundo trimestre do ano que vem) para novas avaliações de impacto da política monetária sobre a trajetória dos índices de preços durante todo o ano de 2014.

Entretanto, a incerteza do Banco Central com relação ao futuro da inflação está completamente desencontrada da avaliação do mercado. A manutenção da política fiscal expansionista/irresponsável, o descongelamento dos preços administrados (tarifas de transportes públicos, tarifas de energia elétrica e, talvez, novo reajuste nos preços da gasolina) e o movimento de valorização do dólar deverão somar novas pressões ao IPCA (índice oficial de inflação) no próximo ano. São três fatores de peso que derrubam facialmente a "tese de incerteza" levantada pelo Banco Central.

Esta é mais uma indicação de que o Banco Central está se preparando para a frustração futura com o (novo) descumprimento da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), sustentando a atual complexidade do quadro doméstico para os próximos anos.

No mercado de capitais o dia foi marcado por mais um pregão de baixo volume financeiro e poucas novidades. O índice Bovespa sentiu novamente a pressão da barreira dupla de resistência formada pela linha dos 51.3k e LTB intermediária dos 54.3k e fechou o pregão em queda de 0,34%, confirmando nova abertura de posições vendidas de curtíssimo prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones oscilava em leve baixa próximo do horário de fechamento do pregão. Mercado de poucas novidades e baixo volume financeiro. Como a agenda macroeconômica está fraca, só resta aos investidores/operadores, ainda ativos neste fim de ano, aguardarem por novas informações a serem disponibilizadas após a reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central do pais) a ser realizada na próxima semana.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Indicadores positivos da China sustentam repique


Os números positivos da balança comercial chinesa, divulgados neste último final de semana, ajudaram a sustentar o humor dos investidores/operadores nesta segunda-feira. No mês passado, o superávit comercial do gigante asiático atingiu 33,8 bilhões de dólares. Trata-se do maior número registrado desde novembro de 2009. Houve aumento de 12,7% nas exportações e 5,3% nas importações, comparando-se com o mesmo período do ano anterior. Os números são positivos e reforçam a expectativa de sustentação do crescimento econômico chinês dentro da meta estabelecida pelo governo (7,5% ao ano).

Por outro lado a inflação anual ao consumidor na China desacelerou inesperadamente para 3% em novembro, permitindo a manutenção da política monetária do Banco Popular (Banco Central chinês), que por sua vez se reunirá nesta semana para detalhar suas prioridades de política e reformas para 2014.

O Banco Popular está apertando as condições de liquidez no mercado de dinheiro (interbancário) com objetivo de reduzir os níveis da dívida e conter o crescimento do crédito. A queda da inflação permitirá que o Banco Central continue tentando reduzir a liquidez no sistema sem a necessidade de elevar a taxa básica de juros, ao menos no curto prazo.

Com a agenda macroeconômica positiva, o índice Bovespa conseguiu sustentar o movimento de repique de curtíssimo prazo, subindo 0,43% nesta segunda-feira. O pregão foi marcado pelo baixo volume financeiro e poucas novidades.


O mercado voltou a testar novamente a região dos 51.3k, que agora atua como zona de resistência dupla por conta da passagem da LTB intermediária dos 54.3k. Este é o principal ponto de definição de curtíssimo prazo, favorável para abertura de posições vendidas no próximo pregão. Mas em caso de superação desta região, o movimento de repique ganhará força, com indicação de aumento da força compradora (superando a força vendedora), fato que aumentará a durabilidade do movimento de repique.

Os mercados europeus também fecharam o primeiro pregão da semana em leve alta, estimulados pelos números da economia chinesa. A bolsa de Paris subiu 0,11%. Na Alemanha o índice DAX avançou 0,25%. A bolsa de Londres ganhou 0,11%.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,04%, num dia de pregão irrelevante e de baixo volume financeiro. Permanece com a mesma análise dos últimos dias.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering


O Departamento do Trabalho informou nesta sexta-feira que foram criados 203 mil novos postos de trabalho na economia norte-americana durante o mês de novembro. O resultado surpreendeu novamente o mercado que esperava um número próximo de 180 novas vagas e mostrou consistência no ritmo de contratações (em outubro foram criados 204 mil novos postos de trabalho), sinalizando aumento no ritmo de recuperação da atividade econômica.

A manutenção do forte ritmo de contratações provocou uma queda significativa da taxa de desemprego (de 7,3% em outubro para 7% em novembro, menor patamar dos últimos 5 anos), descolando-se para o patamar informal escolhido pelos diretores do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) para dar início ao tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários).

A segunda leitura do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos divulgada ontem confirma a tese de que houve aumento no ritmo de recuperação da atividade, que não pode mais ser taxada como “lenta” ou “modesta”. A leitura do PIB do terceiro trimestre foi revisada de 2,8% para 3,6%.

Além disso, a prévia da confiança do consumidor norte-americano disparou para 82,5 pontos em dezembro, significativamente superior aos 75,1 pontos registrados no mês passado. Esta foi a maior leitura do índice desde julho e superou as previsões dos analistas (em torno de 76 pontos). Os consumidores estão reagindo às melhores perspectivas sobre a economia e o emprego. Confiantes, as famílias voltam a gastar mais, impulsionando a economia. Os gastos dos consumidores correspondem a 2/3 do PIB dos Estados Unidos.

Os indicadores revelam que a economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering. O FED deixou claro que a política monetária é dependente dos dados. Os números melhoraram inegavelmente. Pode-se notar um aumento no ritmo de crescimento, refletindo no mercado de trabalho e na confiança das famílias. Com a melhora do quadro econômico, há claramente uma janela de oportunidade para o Banco Central iniciar o tapering, num momento propício de inflação baixa.

Por outro lado o mercado da dívida soberana deverá impedir uma atuação do FED no curtíssimo prazo (ainda este ano). Os diretores de Comitê estão estudando maneiras de provocar o recuo das taxas de juros futuras (Treasuries – títulos públicos do tesouro norte-americano), além de impedir uma nova disparada quando anunciarem o tapering. Para isso, o FED deverá aumentar a clareza de seus planos para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado.

Este será o principal objetivo da reunião de Comitê a ser realizada nos dias 17 e 18 de dezembro. Preparar o mercado para o tapering. Os estímulos monetários não serão reduzidos em condições de mercado desfavoráveis (taxa de juros do título de 10 anos do tesouro norte-americano próxima de 3%, conforme podemos observar no gráfico abaixo).


O FED precisa fazer com que os investidores e operadores comprem a ideia de que embora o ritmo de retomada do crescimento esteja aumentando, a Federal Funds Rate permanecerá inalterada. Caso contrário, a recuperação econômica poderá ser interrompida pela curva dos juros futuros, forçando a autoridade monetária adotar novas medidas de estímulo com objetivo de baratear o crédito de longo prazo.

A primeira sinalização positiva do mercado apareceu nesta sexta-feira. A expectativa pelo tapering provocou uma alta de 1,26% no índice Dow Jones, revertendo a queda dos últimos 5 dias. A taxa de juros da Treasury de 10 anos não disparou, manteve-se estável, surpreendendo muitos analistas que previam exatamente o contrário (queda no mercado de ações e alta nas taxas de juros futuras).

Esta mudança na percepção dos investidores/operadores, embora muito recente, melhora as condições para que o FED possa preparar o mercado financeiro para o tapering, especialmente o da dívida soberana. Já os preços dos ativos em bolsa sofreram impactos puramente psicológicos, rapidamente revertidos no curto prazo, já que os principais índices acionários de Wall Street operam próximos de suas respectivas máximas históricas.

Na prática a liquidez do sistema financeiro continuará elevada mesmo com a torneira fechada. Os dólares que estão transbordando hoje serão enxugados somente quando a Federal Funds Rate começar a subir em 2015/2016. Já as empresas serão beneficiadas pela retomada mais forte do crescimento, com o aumento do faturamento e, consequentemente, da taxa de lucro líquido, sustentando o quadro de melhora no valuation.

Com a recuperação desta sexta-feira o índice Dow Jones fechou a semana com um martelo, confirmando fundo na região dos 15.8k.


Na Alemanha o índice DAX cedeu com mais força, deixando um candle de topo na região dos 9.4k após 8 semanas consecutivas de alta. Mercado com espaço suficiente para correções de curto prazo, sem afetar a tendência principal de alta.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em alta pela terceira semana consecutiva, colada na máxima histórica. Segue com boas perspectivas para o curto e médio prazo.
  
  
Na China a bolsa de Xangai fechou em alta pela quarta semana consecutiva, aproximando-se da importante barreira na região dos 2.270 pontos. O rompimento desta região poderá liberar espaço para o mercado continuar subindo.


No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa pela terceira semana consecutiva, descolado dos mercados emergentes, por conta da deterioração do quadro doméstico. A linha central de bollinger foi perdida com um candle de força relevante, alimentando a tendência de baixa de curto prazo iniciada na região dos 56.7k. Mercado mantendo um movimento de repique de curtíssimo prazo, mas permanece com viés de baixa.


A todos um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda!